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Desafiado, Popó volta aos ringues para se despedir com vitória

Por Da Redação - 2 jun 2012, 10h22

A carreira do tetracampeão mundial Acelino ‘Popó’ Freitas terminou com uma derrota diante do norte-americano Juan Diaz. Cinco anos depois de perder pela segunda vez em 40 combates, o baiano de 36 anos volta a subir no ringue às 0h40 (de Brasília) deste domingo. Desafiado pelo jovem Michael Oliveira, 22, ele quer encerrar sua trajetória esportiva com um triunfo em Punta Del Este.

Popó lembra assassino de J. Lennon

Afastado dos ringues desde 2007, o suplente Popó herdou uma vaga de deputado federal quatro anos depois e, a pedido do filho, chegou a marcar uma luta de despedida para o último dia 29 de outubro, com adversário indefinido. Diante do anúncio, Michael Oliveira, brasileiro radicado nos Estados Unidos, resolveu desafiar o baiano, que aceitou mediante o pagamento de uma bolsa de R$ 500 mil.

Ainda que tenha condicionado o duelo à premiação, Popó garante que sua meta é encerrar a carreira de forma vitoriosa. ‘Em cinco meses, tiro esse valor da luta. Se ficar sentado dentro de casa sem fazer nada, consigo o que vou ganhar no combate com os meus aluguéis. Vou ajudar muita gente com esse valor, mas, independentemente disso, o que importa é a vitória, como sempre’, declarou à GE.Net.O embate, com 10 assaltos pela categoria supermeio-médio (69,8kg), será realizado no Conrad Resort & Casino, no tradicional balneário uruguaio de Punta Del Este. Campeão entre os superpenas e leves, Popó não prevê qualquer tipo de problema na adaptação ao novo peso, já que no dia da luta em que foi campeão dos leves tinha entre 66kg e 67kg.

Na prepararação para o último combate de sua carreira, ele retomou a parceria com Ulysses Pereira, seu técnico por 11 anos e em três dos quatro títulos mundiais. Durante um período de aproximadamente seis meses, o baiano procurou conciliar a rotina de deputado federal com os treinamentos físicos e técnicos realizados em Brasília.

‘Eu só teria meu desempenho influenciado nessa luta se não me preparasse. Parei de subir no ringue há cinco anos, mas não de treinar. Apesar de não lutar mais profissionalmente, continuei treinando todos os dias’, garantiu Popó, que intensificou os trabalhos na semana que antecedeu o combate, principalmente na parte técnica.

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Com apenas 22 anos, Michael Oliveira tem um cartel de 17 vitórias em 17 combates, 12 por nocaute, e detém o cinturão latino-americano do Conselho Mundial de Boxe na categoria super-médio (76,2kg). Apesar das credenciais promissoras, o jovem treinado pelo cubano Orlando Cuellar, que também dirige o jamaicano Glen Johnson, ex-campeão mundial, ainda não enfrentou um adversário de peso na carreira.Diante de Popó, inativo há cinco anos, Michael coloca sua forma física como um dos principais trunfos. Enquanto o ex-pugilista criado em um bairro pobre de Salvador tem origem humilde, o jovem, filho de empresários bem-sucedidos, emigrou para Miami 15 dias depois de nascer e, diante do tetracampeão mundial, tenta apagar a fama de ‘filhinho de papai’.

‘Muita gente acha que, se a sua família tem dinheiro, você não pode levar nada a sério. Eu tenho que mostrar duas vezes mais para acreditarem em mim’, disse Michael, influenciado a gostar de boxe pelo avô, que chegou a treinar com o lendário Éder Jofre. ‘Assistíamos às lutas juntos e prometi que um dia seria campeão mundial. Infelizmente, ele já morreu, mas estará comigo quando esse momento acontecer’, disse.

Cercado por uma equipe que conta com profissionais como nutricionista e até fotógrafa, o jovem tem sua carreira gerenciada pelo pai, Carlos Oliveira, que chegou a ter atritos com Popó durante a organização do combate. Na tentativa de popularizar o lutador entre os brasileiros e reforçar sua identidade com o País, o estafe do pugilista procura investir no marketing.

Em 2009, ainda sem lutas no Brasil, o então desconhecido Michael Oliveira foi ‘apresentado’ aos jornalistas em uma entrevista coletiva realizada em São Paulo. O estafe do lutador contratou uma assessoria de imprensa para divulgar o encontro e, na tentativa de aumentar o apelo do evento, convidou Éder Jofre e Miguel de Oliveira, dois dos maiores nomes do boxe brasileiro, para serem homenageados.’Entendo que o esporte é entretenimento. Eu, particularmente, não penso muito no marketing, mas tem gente na minha equipe que pensa e, pelo jeito, está fazendo um ótimo trabalho’, disse Michael, com a bandeira verde-amarela tatuada no braço esquerdo. ‘Eu tenho sangue brasileiro, minha coragem é brasileira e eu luto pelo Brasil. Morar nos Estados Unidos não diminui meu sentimento pelo Brasil’, completo

O simples anúncio da luta diante de Popó garantiu a Michael mais visibilidade diante do público brasileiro do que seus únicos três combates realizados no País. Desta forma, independentemente do resultado do duelo, o saldo pode ser considerado positivo para o jovem lutador na medida em que ele entrará para a história como último adversário da carreira do tetracampeão mundial.

Questionado se o retorno mercadológico do combate já compensou os R$ 500 mil investidos na bolsa a Popó, Michael desconversou. ‘A luta está mesmo tendo muita repercussão. Isso é legal para todos e para o boxe brasileiro também. Nós, que amamos o boxe, precisamos aproveitar o momento. Pensar que a luta só significa para a minha promoção pessoal seria egoísmo e algo menor do que o evento representa’, disse.

Com a ambição de repetir Popó e ser campeão mundial, Michael encara a luta deste final de semana como uma ‘passagem de bastão’ e vê um embate da ‘glória do passado’ com a ‘esperança do futuro’, perspectiva rejeitada pelo veterano. ‘Não existe sucessor. Popó, só vai ter um. Pode ter até alguns que tentem imitar, mas não existe sucessor. Só teve um Guga, um Pelé e um Senna’, comparou.

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