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Derrotado por Harry, galã argentino ‘foge’ de opinião sobre Malvinas

Por Da Redação
12 mar 2012, 10h00

O príncipe Harry dava risada enquanto lutava para não perder o troféu que conquistara por vencer o time capitaneado pelo argentino Nacho Figueras em partida de pólo no interior de São Paulo. No pódio durante cerimônia de premiação, o sul-americano travou uma ‘guerra’ amigável com o inglês, bem diferente daquela que seus respectivos países protagonizaram há trinta anos, pelo território das Ilhas Malvina

O encontro do terceiro na linha sucessória do trono britânico com o jogador profissional de pólo para partida em prol das crianças de Lesoto – território independente na África do Sul – neste domingo remete ao conflito que vitimou mais de 900 pessoas em 1982, a maioria argentinas, e foi reaceso recentemente, com as trocas de acusações entre o governo da Argentina e da Inglaterra.

Os irmãos William e Harry são integrantes do exército britânico. No começo do mês de fevereiro, o Reino Unido deslocou um poderoso navio de guerra para as Malvinas e enviou William para fazer exercícios militares como piloto de helicóptero na região. Harry, por sua vez, já serviu no Afeganistão como controlador aéreo e poderia retornar ao país em breve.Insatisfeita com o deslocamento do aparato de guerra britânico às Malvinas, a diplomacia argentina protestou nas Nações Unidas e falou em ‘militarização’ da região. Ao ver a presidente sul-americana Cristina Kirchner insistir na reabertura das negociações sobre o futuro do arquipélago localizado no Atlântico Sul, área com potencial petrolífero, o premiê britânico David Cameron disparou classificando a postura da Argentina de ‘colonialista&rsquo

No final do ano passado, os governos de Brasil, Chile e Uruguai ratificaram o apoio ao país vizinho em relação ao bloqueio de seus portos a navios com a bandeira das Ilhas Falklands (nome oficial das Malvinas), habitadas por cerca de 3,2 mil pessoas, quase todas com cidadania britânica e contrárias aos argentinos.

Os 30 anos da Guerra das Malvinas também respingaram no futebol do país. Em um episódio que desagradou a Fifa, a Associação de Futebol Argentino (AFA), presidida por Julio Grondona, que tem afinidade com Christina Kirchner, decidiu batizar o Torneio Clausura de ‘Crucero General Belgrano’, navio afundado pelos britânicos em 1982 com 300 mortos. O campeão ganhará o troféu ‘Gaucho Rivero’ em alusão a um resistente à ocupação britânica das ilhas.Contrastando com o clima hostil que envolve os países, Harry e Nacho mostraram afinidade. Antes da partida, o argentino lembrou que já enfrentara o jovem inglês em junho de 2010, em Nova York, e fez questão de enaltecer sua instituição de caridade, a Sentebale. ‘É uma honra poder enfrentá-lo neste evento, é sempre bom ajudar as crianças. É uma grande iniciativa e merece todo o meu apoio’, disse Figueras, que defendeu o St. Regis.

Quando subiram em seus cavalos, contudo, o embate no campo se assemelhou ao diplomático. Contratado como modelo da Pólo Ralph Lauren e segundo colocado na eleição promovida pela revista Vanity Fair para escolher o homem mais bonito do mundo em 2009, Nacho deixou a elegância de lado ao cometer falta em Harry ainda aos 11 minutos de partida. Melhor para o inglês, que viu seu time abrir o placar na cobrança.

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E assim como a Inglaterra levou a melhor na Guerra das Malvinas após apenas dois meses de confronto, no gramado do Haras Larissa o neto da rainha Elizabeth repetiu o massacre ao sair vitorioso por 6 a 3. Ao final, porém, o clima amistoso retornou e Nacho parabenizou o rival com o costumeiro ‘beijinho argentino&rsquo

‘Não quero opinar sobre o conflito. Era muito criança quando a guerra aconteceu e mesmo agora não tenho o que falar sobre isso’, esquivou-se à GE.net o atleta de 35 anos, que vê a partida beneficente de pólo como inspiração para a autoridade de ambos os países. ‘Acho que serve de exemplo. Não é preciso brigar’.

Mestre em História Social da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo, Fernando Aparecido de Oliveira Meyer concorda com o modelo-atleta e compara a estratégia do atual governo argentino com a do década de 1980. Assim como os militares usaram a guerra para tirar a atenção dos problemas internos que o país vivia e reunir a população em torno de um ‘inimigo comum’, Cristina Kirchner é acusada de procurar desviar o foco da crise financeir

‘Espero que este evento de pólo, bem como a apresentação de filmes como ‘Dama de Ferro’sirvam para proporcionar reaproximações e boas discussões e evitar que temas delicados como este ganhem uso indevido por governos radicalizados e belicosos’, ensinou Meyer, autor do livro A guerra das Malvinas de 1982 na imprensa escrita brasileir

Apesar de não ser mestre no assunto, o príncipe Harry, que nem era vivo ainda quando a guerra começou e terminou, deve compartilhar da mesma opinião do professor. Com seu irmão William nas Malvinas desde o início de fevereiro, o jovem inglês certamente não aprovaria um novo embate, mesmo que o final fosse igual ao da partida de pólo.

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VETERANO DAS MALVINAS: PRÍNCIPES SÃO ‘INSTRUMENTOS DA MÁFIA BRITÂNICA’

AFP

Soldados argentinos carregam suprimentos nas Malvinas no dia 13 de abril de 1982

A Guerra das Malvinas serviu para o estabelecimento de uma base militar, que vem sendo usada agora e ameaça não apenas a Argentina, mas também o Brasil e todos os países da América do Sul. Os britânicos querem apoderar-se do petróleo do Atlântico Sul. A realeza é um invento mafioso, não existe gente que tenha sangue azul, somos todos iguais. A mãe do William e do Harry morreu em circunstâncias, pelo menos, suspeitas. A verdade é que há muitas dúvidas se realmente não foi um assassinato. O que me dá pena é que esses jovens sejam instrumentos da máfia institucional que é a coroa britânica e que pode ter sido a responsável pelo possível assassinato da Princesa Diana. Podemos jogar futebol, andar a cavalo, jogar tênis. Não temos problema nenhum com o povo britânico e jogar uma partida de pólo não tem problema nenhum. O problema é que nos devolvam as Malvinas! Aliás, somos melhores no pólo. – César Trejo, 49 anos, é veterano da Guerra das Malvinas e diretor da Comissão de Familiares dos Caídos nas Malvinas e nas Ilhas do Atlântico Sul

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