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Depois de vaias, Brasil vence – mas Mano segue em baixa

Seleção fez 1 a 0 na África do Sul e técnico é reprovado por torcedor. Hulk anota o gol da vitória e compensa as atuações apagadas de Neymar, Oscar e Lucas

Por Giancarlo Lepiani - 7 set 2012, 18h05

Mano ouviu gritos de “burro” e “adeus”. Mas foi salvo pelo pé canhoto de Hulk, que aproveitou um rebote para marcar o único gol do jogo no Morumbi

Em sua primeira partida no país depois da traumática derrota na final do torneio olímpico em Londres, a seleção brasileira venceu, mas esteve muito longe de convencer. O magro 1 a 0 contra a África do Sul, no Estádio do Morumbi, em São Paulo, nesta sexta-feira, não empolgou a torcida – e pouco fez para aliviar a situação do técnico Mano Menezes, cada vez mais questionado no cargo. Diante de um bom público – o temor de estádio vazio não se confirmou, com 51.538 pagantes -, a seleção enfrentou as esperadas vaias da torcida de São Paulo, encarou um adversário que marcou duro e não conseguiu controlar a partida como gostaria. Pior: como vem sendo frequente na era Mano Menezes, não conseguiu aproveitar os talentos individuais de atletas como Neymar, Lucas e Oscar para apresentar um futebol vistoso e eficiente, como deseja a torcida brasileira. Claramente pressionados pela escassez de bons resultados do time, até os jogadores mais experientes do grupo, como Daniel Alves, Marcelo e Ramires, cometeram erros tolos no duelo. A modesta vitória pode até ter servido para prolongar a permanência de Mano no cargo. Não serviu, contudo, para convencer os brasileiros de que a equipe está no caminho certo a apenas dois anos de tentar o hexacampeonato na Copa do Mundo de 2014.

Jogando com apenas um volante de marcação, Rômulo, o Brasil iniciou o jogo com uma formação bastante ofensiva, com Ramires ajudando Oscar na armação, Neymar e Lucas abertos pelos lados do campo e Leandro Damião no comando do ataque. O desenho tático da equipe fazia a África do Sul ter trabalho para sair com a bola, mas o adversário encontrava muito espaço quando conseguia chegar ao ataque. A seleção – que usava um uniforme pouco usual, com camisa e calções azuis – conseguiu seu primeiro lance de perigo aos 15 minutos, em uma forte cabeceio de Dedé, que o goleiro sul-africano espalmou para fora. Como de costume nos jogos da seleção em São Paulo, a torcida não teve paciência para aguardar o primeiro gol – já aos 21 minutos, surgiam as primeiras vaias, em função da lentidão do Brasil na saída de bola. A manifestação negativa do público paulista, porém, parecia mais um desejo de manter a fama de torcida exigente do que irritação com o jogo – ao contrário de outras exibições da seleção na cidade nos últimos anos, o Brasil agredia o rival, brigava pelo domínio da bola e tentava dar mais ritmo à partida.

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