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#DeixaElaTrabalhar: jornalistas de esporte lançam manifesto

Diversos clubes apoiaram campanha contra assédio moral, sexual e machismo

Por Da redação Atualizado em 26 mar 2018, 14h01 - Publicado em 26 mar 2018, 12h16

Jornalistas esportivas de diversos meios lançaram neste domingo, nas redes sociais, a campanha #DeixaElaTrabalhar. O objetivo do grupo formado por 52 profissionais é lutar contra o assédio moral, sexual e o machismo sofrido por elas nos estádios, nas ruas e nas redações.

Diversos clubes brasileiros aderiram ao movimento. Entre os 40 que disputam as séries A e B do Campeonato Brasileiro, 30 manifestaram suas mensagens de apoio pelo Twitter.

No começo deste mês de março, a repórter Bruna Dealtrydo canal Esporte Interativo, que fazia a cobertura da estreia do Vasco na fase de grupos da Copa Libertadores da América, foi assediada por um torcedor, que tentou beijá-la, durante uma passagem ao vivo. Sem reação no momento, Dealtry expôs mais tarde as situações de assédio e machismo pelas quais as mulheres passam. “Ontem, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs ou até mesmo andando pelas ruas”, desabafou em seu Instagram.

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Sempre fui uma repórter que adora uma festa de torcida. Não me importo com banho de cerveja, torcedor pulando, pisando no meu pé… sempre me deixo levar pela emoção e tento sentir o momento para fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Sempre me orgulhei por ter uma boa relação com todas as torcidas e por ser tratada com muito respeito!! Mas ontem, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs, ou até mesmo andando pelas ruas. Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão, que me deixou sem saber como agir e sem entender como alguém pode se sentir no direito de agir assim. Com certeza o rapaz não sabe o quanto eu ralei para estar ali. O quanto eu estudei e me esforcei para ter o prazer de poder contar histórias incríveis e estar em frente às câmeras mostrando tudo ao vivo. Faculdade, cursos, muitos finais de semana perdidos, muitos jogos de futebol analisados, estudo tático, técnico, pesquisas etc. Mas pelo simples fato de ser uma mulher no meio de uma torcida, nada disso teve valor para ele. Se achou no direito de fazer o que fez. Hoje, me sinto ainda mais triste pelo que aconteceu comigo e pelo que acontece diariamente com muitas mulheres, mas sigo em frente como fiz ao vivo. Com a certeza que de cabeça erguida vamos conquistar o respeito que merecemos e que o cidadão que quis aparecer é quem deve se envergonhar do que fez. Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada.

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