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De volta ao estilo Dunga, Brasil derrota Argentina por 2 a 0

A seleção levou um sufoco no início, apostou nos contragolpes, marcou forte e venceu, com dois gols de Tardelli. Jefferson defendeu pênalti batido por Messi

Mesmo ganhando o jogo e o troféu do Superclássico, Dunga, que brigou com a arbitragem em várias ocasiões, terminou o jogo aos berros, trocando provocações no mínimo deselegantes com a comissão técnica argentina

Foi como uma volta ao passado. Reeditando alguns dos jogos mais marcantes da primeira passagem do técnico Dunga pela seleção, o Brasil derrotou a Argentina por 2 a 0, neste sábado, na China – ainda que tenha se limitado a jogar de forma extremamente pragmática, marcando forte, absorvendo a pressão dos arquirrivais e apostando nos contra-ataques. O estilo Dunga, que já tinha resultado em grandes vitórias sobre os argentinos num amistoso em Londres, em 2007, e nas Eliminatórias da Copa do Mundo, em 2011, voltou a ser colocado em prática com sucesso no Ninho do Pássaro, em Pequim. A Argentina ficou com a bola, trabalhou as jogadas, buscou o resultado. O Brasil esperou em seu campo, fechou os espaços, levou alguns sustos e saiu em velocidade para o ataque – e, mais importante, quando conseguiu criar as oportunidades, não perdoou. Diego Tardelli, que jamais havia marcado com a camisa amarela, fez os dois gols brasileiros. Neymar fez grandes jogadas, mas decepcionou na hora de balançar as redes – em três ocasiões, pecou pelo preciosismo e desperdiçou grandes chances. Já Lionel Messi começou bem o clássico mas depois sumiu – principalmente após ter um pênalti (mal marcado) defendido por Jefferson. O Brasil conquista pela terceira vez consecutiva o troféu do Superclássico das Américas. Na terça, o time de Dunga volta a campo para enfrentar o Japão, em amistoso, em Cingapura.

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Em seu terceiro jogo desde a troca no comando técnico, a seleção começou o duelo jogando muito mal. O primeiro susto veio logo no primeiro lance, com 13 segundos de partida, quando Agüero foi lançado entre os zagueiros Miranda e David Luiz e quase abriu o placar. Aos 2 minutos, Di María chutou de longe, pelo alto. O Brasil não conseguia encaixar a marcação do trio de ataque rival – e Messi, Agüero e Di María envolviam os defensores da seleção até com certa facilidade. �Nos 15 minutos iniciais, a Argentina ficou com cerca de 70% da posse de bola, controlando totalmente o ritmo de jogo. Com a defesa exposta, David Luiz precisou de apenas 18 minutos para ser advertido com o cartão amarelo, graças a uma entrada bisonha sobre Pereyra. Cobrada a falta, Di María chutou da entrada da área e voltou a assustar Jefferson, numa bomba que passou perto da meta brasileira. Dois minutos depois, foi a vez de Agüero arriscar, também para fora. Com seis finalizações argentinas só na primeira metade da etapa inicial, o Brasil escapou de uma reedição do massacre imposto pela Alemanha na Copa do Mundo porque faltou pontaria nos arremates dos rivais.

Aos 27 minutos, porém, tudo mudou – e justamente por causa da precisão de Diego Tardelli. Oscar cruzou uma bola despretensiosa da direita e a dupla de zaga argentina parecia soberana no lance. Só que Fernández se atrapalhou com Demichelis, desviou de cabeça para trás e a bola sobrou para o atacante do Atlético-MG, que pegou de primeira, com perfeição, colocando no cantinho, sem chances para o goleiro Romero. Foi o primeiro gol de Tardelli pela seleção. Além de sair na frente no placar e se livrar do sufoco, o Brasil abalou a confiança dos argentinos, que caíram de produção. Aos 31, Neymar quase ampliou, fazendo uma jogada de gênio pela faixa central mas desperdiçando a oportunidade ao mostrar displicência na finalização. A Argentina ganhou mais uma chance de marcar aos 39, quando o árbitro chinês Fan Qi deu pênalti num lance limpo do lateral Danilo, que desarmou Di María na área, esticando o pé e atingindo apenas a bola. A seleção partiu para cima do juiz e o capitão Neymar chegou a tocar o chinês na reclamação. Messi foi para a cobrança e, assim como Neymar, foi displicente na batida – Jefferson saltou bem e defendeu. A seleção de Dunga encerrava a etapa inicial no lucro: mesmo sem jogar bem e apesar das numerosas chances argentinas, era o Brasil quem vencia o jogo.

Chances perdidas – O time de Dunga voltou bem melhor para a segunda etapa, criando uma grande chance logo aos 2 minutos, com o lateral Filipe Luís, que bateu pelo alto, de dentro da área. Neymar sofreu duas faltas violentas em poucos minutos, de Mascherano e Fernández. Aos 5 minutos, Miranda errou e a bola sobrou para Di María, que disparou rumo ao gol do Brasil. O zagueiro do Atlético de Madri se recuperou bem e conseguiu desarmá-lo bem na hora do chute. Com o Brasil jogando cada vez mais no contra-ataque, Neymar ficava sozinho no combate com os defensores – e continuava sendo caçado em campo, como aos 13 minutos, quando sofreu falta brutal de Fernández quase na linha da área. Na cobrança, Oscar quase surpreendeu Romero. Aos 18, numa fase do jogo em que a Argentina tentava aumentar a pressão, Tardelli voltou a aparecer para jogar um balde d’água fria nos rivais. Ele ampliou o placar aproveitando um escanteio batido por Oscar e desviado por David Luiz, no segundo pau. Romero ainda espalmou, mas a bola acabou entrando. Numa última cartada para tentar se recuperar no jogo, o técnico Gerardo Martino trocou Agüero e Lamela por Higuaín e Pastore. O ritmo da partida, porém, não se alterou: os argentinos controlavam a bola, cercavam a intermediária brasileira e procuravam espaços na defesa, mas a marcação do time de Dunga era firme.

Nos contra-ataques, o Brasil ganhava novas chances: aos 35, Neymar ficou cara a cara com Romero e tentou encobrir o goleiro argentino, mas voltou a desperdiçar uma chance incrível ao bater por cima. Logo em seguida, Kaká ganhou a oportunidade de voltar a jogar pela seleção, substituindo Tardelli. O craque veterano foi o brasileiro mais assediado pelos fãs em Pequim – mais até que Neymar, que passou a jogar isolado no comando do ataque com a entrada do são-paulino. Com o resultado já definido – a Argentina não tinha forças para empatar e o Brasil se contentava em administrar a vantagem -, a partida ficou morna. Aos 47, Neymar teve sua chance derradeira, dentro da área, mas bateu fraco. Em seguida, foi substituído por Robinho e saiu de campo mancando. A seleção deixou o tempo passar e comemorou uma vitória importante – que, aliás, empata o retrospecto histórico do confronto, com 36 vitórias para cada lado. Mesmo ganhando o jogo e o troféu do Superclássico, Dunga, que brigou com a arbitragem em várias ocasiões, terminou o jogo aos berros, trocando provocações no mínimo deselegantes com a comissão técnica da equipe adversária (uma imagem do canal Sportv mostrou Dunga passando os dedos sobre o nariz, no que seria uma referência ao vício em cocaína de Maradona). O estilo Dunga, como se vê, está mesmo de volta.