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De vaga surpresa ao bronze: Stefani e Pigossi fazem história no tênis

Dupla brasileira foi aos Jogos de Tóquio com convite de última hora, salvou quatro match points e venceu russas, de virada, por 2 sets a 1.

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 31 jul 2021, 09h31 - Publicado em 31 jul 2021, 06h25

O tênis brasileiro foi responsável por uma das maiores histórias de superação dos Jogos de Tóquio. Luisa Stefani e Laura Pigossi, que há duas semanas nem sequer sabiam que iriam ao Japão, conquistaram a primeira medalha olímpica do Brasil na modalidade,  de bronze, em uma partida dramática na madrugada deste sábado, 31, no Ariake Tennis Park. Elas venceram as russas Elena Vesnina e Veronika Kudermetova por 2 sets a 1(4/6, 6/4, 11/9), com direito a quatro match points salvos, e garantiram o pódio mais inesperado do Time Brasil até o momento.

As brasileiras começaram mal o jogo diante das atuais vice-campeões de Wimbledon e chegaram a ter uma desvantagem de 9/5 no super tie-break do terceito set, mas buscaram uma virada épica, sob um intenso calor de mais de 30ºC na capital japonesa.

“Não caiu a ficha de quanto isso é importante, o mais importante é a entrega que tivemos uma pela outra, entramos de última hora, aos 45 do segundo tempo, e fizemos valera pena. Viemos com o intuito de aproveitar cada momento, por nós e pelo Brasil”, contou Luisa à Rede Globo após a partida. “Nunca deixamos de acreditar. Desde que recebemos a ligação, disse a ela que ‘as últimas serão as primeiras’. Ela riu, mas acreditou nessa loucura”, contou Laura, a Globo.

Com o resultado, Luisa Stefani e Laura Pigossi superaram o feito de Fernando Meligeni, quarto colocado na chave de simples masculina de Atlanta-1996, até então o melhor resultado do tênis nacional em Olimpíadas. A medalha de bronze só será entregue no próximo domingo, 1º, após a final entre as checas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova as suíças Belinda Bencic e Viktorija Golubic.

  • As paulistanas Luisa, de 23, e Laura, de 26, souberam que iriam participar da Olimpíada apenas em 16 de julho, apenas uma semana antes do início dos Jogos, depois que a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), as inscreveu na lista de espera da chave feminina. A vaga “surpresa” se deu após uma realocação feita pela federação internacional da modalidade, a ITF.

    Brasileira mais bem-colocada do ranking mundial de duplas (23ª), Luisa estava na Flórida, nos Estados Unidos, onde vive desde criança com a família, quando recebeu a notícia. Ela, na verdade, estava dormindo profundamente, e só foi acordada diante da insistência do dirigente da federação Eduardo Frick. Já Laura, 188 do mundo, e que vive há cinco anos em Barcelona, disputava um torneio no Cazaquistão quando soube que deveria comprar uma passagem às pressas para o Japão.

    As duas haviam disputado pouquíssimas partidas juntos, apenas em alguns torneios e na Billie Jean King Cup, a antiga Fed Cup, mas demonstraram incrível entrosamento em Tóquio. Outro fato torna a história ainda mais surreal: em maio deste ano, Luisa teve de passar por uma cirurgia de apendicite que a tirou de torneios importantes, como Roland Garros, o último que poderia lhe dar uma vaga direta à Olímpica.

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    A atleta já havia surpreendido em 2019, ao conquistar uma medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, mas fazendo dupla com Carol Meligeni, sobrinha de Fernando Meligeni. No circuito mundial, ela faz dupla com a canadense Gabriela Dabrowski, 14ª do mundo.

    Ao longo da campanha, Luisa e Laura eliminaram as canadenses Gabriela Dabrowski e Sharon Fichman, as checas Karolina Pliskova e Marketa Vondrousova e as americanas Bethanie Mattek-Sands e Jessica Pegula, dos Estados Unidos. O sonho do ouro só não foi possível, pois pararam nas semifinais diante das suíças Belinda Bencic e Viktorija Golubic.

    Laura Pigossi (esq.) e Luisa Stefani conquistaram o bronze em Tóquio
    Laura Pigossi (esq.) e Luisa Stefani conquistaram o bronze em Tóquio Júlio César Guimarães/COB
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