De olho em 2014, delegada sugere que organizados ajudem Polícia

Por Da Redação - 9 abr 2012, 19h21

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo colocou a segurança pública na Copa de 2014 em debate em um seminário realizado nesta segunda-feira. Entre as propostas apresentadas, está o recrutamento de torcedores organizados.

A sugestão é de Margarette Barreto, delegada titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decraci), que recentemente presidiu o inquérito sobre a briga entre corintianos e palmeirenses que deixou dois mortos na Zona Norte de São Paulo.

‘Eles têm que ser ouvidos, tem bons torcedores no meio das organizadas. Não estou falando para dar voz à pessoa que mata, que pratica crime, mas tem muito torcedor que vai com a organizada, conhece todo o espetáculo esportivo e tem muito a contribuir’, disse ela, disposta a tirar os indíviduos do caminho da violência dando a eles a oportunidade de usar o conhecimento que têm em prol das autoridades. ‘A gente precisa parar de arregimentar gente para o crime e arregimentar para coisas boas’.

Entre as ações que já estão sendo executas, está o Programa de Capacitação para Grandes Eventos, coordenado pelo delegado Luiz Maurício Souza Blazeck. Foram selecionados 3.500 policiais civis para um treinamento que segue os padrões estipulados pela Fifa e engloba, além de técnicas de segurança, diferenciais como cursos de inglês e espanhol.

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‘Estive em Londres, na África do Sul e no México. Posso dizer que nenhum policial civil tem o treinamento que o brasileiro e o paulista têm. Em razão da nossa situação cultural, o policial civil está acostumado a ser um gestor de crise’, disse Blazeck.

Delegado titular da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur), Osvaldo Nico Gonçalves garantiu que a segurança não se restringirá ao entorno dos estádios que receberão jogos do Mundial. Ele busca acabar com a onda de furtos praticados por estrangeiros em hotéis brasileiros. ‘Tem gente vindo de fora só para furtar por causa da fragilidade do nosso código penal. Pegamos quatro argentinos que estavam furtando notebooks e eles disseram que aqui pagavam fiança, enquanto no país deles ficavam em cana’.

Coordenador geral do evento, o presidente do Sindicato dos Delegados, George Melão, comparou a qualidade da Polícia brasileira à dos jogadores de futebol. ‘O Brasil sediou uma Copa em 1950. Mais de 50 anos se passaram e muita coisa mudou: tecnologia, informação e também a violência. Um fato que acontece aqui, em segundos vira notícia em todo o planeta. O Brasil, melhor futebol do mundo, não vai fazer feio na segurança pública’.

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