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De Judas a herói nacional, Götze, o Neymar da Alemanha

Jogador de 22 anos marcou seu nome na história com dois toques de classe

Por Luiz Felipe Castro 14 jul 2014, 16h37

Um garoto de 22 anos matou a bola no peito e rapidamente chutou longe do alcance do goleiro argentino, na final da Copa do Mundo, marcando 1 a 0 para a Alemanha. A torcida explodiu no Maracanã e o jovem atacante se tornou herói, um papel que parecia reservado ao brasileiro Neymar, o protagonista da seleção brasileira. Bem menos badalado, o alemão Mario Götze entrou nos minutos finais da decisão contra a Argentina e pouco participou, mas em apenas dois toques na bola viveu a emoção de decidir uma final de Copa do Mundo, assim como fizeram Pelé, o francês Zidane, Ronaldo e o espanhol Iniesta. Götze iniciou a Copa como promessa, e era chamado em seu país de Judas, por se transferir do Borussia Dortmund para o Bayern de Munique às vésperas de uma decisão entre os clubes, mas deixou o Brasil como um vencedor, ofuscando Messi e Neymar.

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Götze veio ao Brasil pela primeira vez neste Mundial, mas sua relação com o país é antiga. Habilidoso, ganhou o apelido de “Götzinho” logo que estreou como profissional pelo Borussia Dortmund, aos 17 anos, em 2009. Dois anos depois, marcou seu primeiro gol pela seleção alemã, contra o Brasil, em um amistoso em Sttutgart, vencido pelos europeus por 3 a 2. Naquela partida, Neymar esteve em campo e também marcou. O brasileiro, no entanto, já tinha currículo maior que de Götze: já era campeão da Libertadores pelo Santos e, com 19 anos, era titular e principal destaque da seleção dirigida por Mano Menezes.

Em 2013, Götze também chegou perto de ser campeão continental. Ídolo do Borussia Dortmund, pelo qual conquistou dois campeonatos nacionais, o meia-atacante foi anunciado como reforço do Bayern de Munique poucos dias antes da final da Liga dos Campeões. Detalhe: Bayern e Borussia se enfrentariam na decisão do campeonato europeu. Para piorar, Götze sofreu uma lesão e não participou da partida, que terminou com vitória do Bayern por 2 a 1. Götze assistiu, das tribunas de Wembley (Inglaterra), à vitória de sua futura equipe. A passional torcida do Borussia Dortmund jamais perdoou seu garoto pela traição. Camisas 10 de Götze foram queimadas e o jovem passou a ser tratado como Judas no Vale do Rhur, região onde fica a cidade de Dortmund.

Além disso, Götze foi advertido em sua apresentação no Bayern por usar uma camiseta da Nike, patrocinadora pessoal, concorrente da Adidas, fornecedora do Bayern há mais de cinco décadas. Na equipe do técnico Guardiola, Götze seguiu conquistando títulos como o Mundial de Clubes, o Campeonato Alemão e a Copa da Alemanha.

Mas ficou meio apagado no Bayern, em meio a estrelas como Robben, Schweinsteiger, Kroos, Müller e Ribéry. Tanto no clube quanto na seleção, custou a conseguir espaço: foi titular da Alemanha nas duas primeiras partidas da Copa, mas perdeu a posição para o experiente Miroslav Klose, recordista em mundiais com 16 gols. Na decisão no Maracanã, ele entrou aos 42 minutos da segunda etapa, justamente no lugar de Klose; e recebeu uma recomendação do técnico Joachim Löw: “Mostre ao mundo que você é melhor que Lionel Messi.”

Com o gol marcado aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, Götze pode não ter superado Messi em importância histórica, mas frustrou o sonho do argentino e deu à Alemanha a quarta estrela de sua camisa. Löw já adiantou que Götze será o líder da seleção alemã nas próximas gerações. Neymar fará o mesmo pelo Brasil, mas larga bem atrás de seu concorrente – agora campeão mundial com a mesma idade do brasileiro.

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