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Cruzeiro dá a receita: troféus em campo e milhões na conta

Bicampeonato expôs o sucesso de uma fórmula simples mas elusiva, que soma vitórias, estádios lotados, sócios-torcedores, venda de produtos e cotas de TV

Por Da Redação - 23 nov 2014, 17h57

Em 2013, o Cruzeiro atraiu cerca de 40.000 fãs ao programa de sócio torcedor, que oferece descontos no valor dos ingressos e representa uma valiosa receita aos clubes. Neste ano, o time conquistou quase 30.000 sócios a mais

No início de 2013, a diretoria do Cruzeiro vendeu o meia Walter Montillo ao Santos por cerca de 16 milhões de reais. Na época, a torcida celeste ficou revoltada com a perda do ídolo argentino. A saída de Montillo, no entanto, foi fundamental para o nascimento de uma nova era de glórias para o Cruzeiro, que encheu não apenas a sua sala de troféus mas também seus cofres. Com o dinheiro que recebeu do Santos, o clube mineiro se dispôs a montar um elenco fortíssimo, com apostas que se revelaram um sucesso absoluto – como Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart – e contratações mais impactantes, como as de Dedé, Dagoberto e Júlio Baptista. O título do Brasileirão de 2013 já seria suficiente para afirmar que o investimento foi bem sucedido, mas neste ano o Cruzeiro seguiu colhendo frutos (ainda maiores) de seu planejamento. Só pela conquista do segundo Brasileirão consecutivo, confirmado neste domingo no triunfo sobre o Goiás, o time faturou um prêmio de 9 milhões de reais oferecido pela CBF ao campeão nacional. O time ainda contou com o reformado Mineirão como um duplo aliado: sua apaixonada torcida apoiou o time rumo ao título e ainda alavancou as receitas do clube com rendas altíssimas. Com muita competência, o Cruzeiro conseguiu se equiparar – e em vários casos até superar – as equipes do eixo Rio-São Paulo, que recebem cotas de direito de transmissão superiores às dos mineiros.

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As receitas do Cruzeiro cresceram de 120,3 milhões de reais em 2012 para 187,8 milhões de reais em 2013, graças, naturalmente, à campanha do título brasileiro. No fechamento dos números deste ano, as cifras certamente subirão ainda mais. No ano passado, o Cruzeiro atraiu cerca de 40.000 fãs ao programa de sócio-torcedor, que oferece descontos no valor dos ingressos e representa uma valiosa receita aos clubes. Neste ano, o time atraiu quase 30.000 sócios-torcedores a mais, o que o fez pular da quinta para a terceira colocação nesse quesito. Hoje, apenas Inter (com 125.000 sócios) e Grêmio (80.000) estão à frente do Cruzeiro (66.000). A expectativa da diretoria é seguir atraindo cada vez mais sócios e ultrapassar o tricolor gaúcho a partir do ano que vem. Com o que arrecada graças ao apoio de seus torcedores – com bilheteria, aumento de sócios e venda de produtos oficiais -, o Cruzeiro conseguiu reduzir o abismo financeiro que separa os clubes mineiros das grandes equipes de Rio e São Paulo. Atualmente, o Cruzeiro recebe cerca de 45 milhões de reais da TV Globo em direitos de transmissão, contra nada menos de 110 milhões dos líderes Corinthians e Flamengo.

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A partir de 2016, essa diferença nas cotas aumentará ainda mais: o Cruzeiro passará a receber 60 milhões de reais, mas Corinthians e Flamengo pularão para 170 milhões, o São Paulo para 110 milhões, Vasco e Palmeiras para 100 milhões e Santos para 80 milhões. O campeão brasileiro, pórém, encontrou mais uma forma de tentar equilibrar a disputa. Com o sucesso em campo, aumentou também o interesse de torcedores cruzeirenses que não podem ou não querem ir até o Mineirão, mas não abrem mão de acompanhar o time. Em 2014, o Cruzeiro ultrapassou São Paulo, Vasco e Atlético-MG na lista dos clubes que mais vendem pacotes de pay-per-view. Com isso, o time mineiro assumiu a terceira colocação nesse ranking, só atrás de Flamengo e Corinthians. A diretoria do clube revelou recentemente que o faturamento com o número de assinantes do serviço dobrou em relação ao ano passado. A Globo paga, anualmente, um valor proporcional, sem nenhuma relação às cotas de direitos de transmissão, às equipes que mais vendem jogos no PPV. O Cruzeiro pode lucrar ainda mais caso consiga reverter a vantagem do rival Atlético e conquistar a tríplice coroa com o título da Copa do Brasil. A CBF paga ao vencedor do torneio um total de 6,1 milhões, valor correspondente à soma de todas as premiações obtidas a cada etapa mais o valor destinado ao campeão (3 milhões).

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