Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Cristina Kirchner, a capitã do apagão do futebol argentino

Além de afundar o país na crise econômica, presidente estatizou o futebol e fez campeonato local empobrecer. Superclássico em Resistência foi ordem dela

Por Da Redação 4 out 2012, 08h42

A escolha do palco do Superclássico pela presidente teria sido um agrado de Cristina a Jorge Capitanich, o governador da província do Chaco, presidente do clube de quarta divisão que joga no Estádio Centenário

Uma reportagem publicada em VEJA desta semana mostra como Cristina Kirchner está transformando a Argentina numa ilha economicamente isolada do mundo. A estratégia da presidente consiste em bloquear as liberdades individuais, como o acesso à livre informação, a bens de consumo e ao capital, sob a justificativa de “salvaguardar” sua nação. E isso se reflete também no futebol. O fiasco do Superclássico das Américas, cuja partida decisiva não aconteceu por causa de uma falha no sistema de iluminação do estádio em Resistência, cerca de 1.000 quilômetros ao norte de Buenos Aires, ilustra bem a situação do esporte no país, dono de dois títulos mundiais e dois ouros olímpicos na modalidade – e pátria do melhor jogador do planeta na atualidade, Lionel Messi.

O supercraque do Barcelona estava bem distante de Resistência na noite de quarta-feira, assim como quase toda a seleção principal da Argentina. As fortes turbulências econômicas do país fizeram com que os times locais ficassem extremamente fragilizados. No Campeonato Argentino, só sobrou quem não interessa ao mercado europeu. E como o regulamento do Superclássico veta a convocação de quem está na Europa, o time que foi ao gramado para o jogo cancelado não tem quase nenhum atleta cotado para vir ao Brasil na Copa do Mundo de 2014. E o time poderia ser ainda pior não fosse a colaboração dos clubes brasileiros: os argentinos chamaram para sua equipe quatro atletas que jogam no país. Um deles, Martinez, do Corinthians, nem sequer é titular no seu clube.

Estatização – Até a década passada, a contratação de jogadores argentinos pelos brasileiros não era tão comum, já que as agremiações de ponta do país vizinho, como o Boca Juniors e o River Plate, rivalizavam com os grandes clubes brasileiros em poderio econômico. Hoje, tanto o Boca como o River sofrem para encarar times brasileiros, cujos caixas estão recheados principalmente em função de um salto nas receitas obtidas com a venda dos direitos de transmissão de TV. Na Argentina de Cristina Kirchner, contudo, as equipes não têm a mesma sorte – o governo comprou todos os campeonatos para exibi-los em canal público. Ao estatizar as transmissões do futebol, Cristina impede que as emissoras privadas concorram para apresentar contratos melhores aos clubes, cada vez mais pobres.

A interferência do governo no esporte também é responsável direta pelo vexame de quarta. Afinal, a partida só aconteceu no estádio Centenário de Resistência – a casa de uma equipe de quarta divisão, o Sarmiento – por ordem de Cristina Kirchner. A escolha do palco do duelo pela presidente teria sido um agrado de Cristina a Jorge Capitanich, o governador da província do Chaco – e, não por coincidência, presidente do Sarmiento. O estádio não ofereceu condições mínimas para que o jogo ocorresse, mas não se trata de um campo antigo. Ele foi concluído em 2011, depois que o antigo estádio do clube deu lugar a um projeto residencial. Os prédios erguidos no local foram inaugurados em 2010 por Néstor Kirchner, morto algumas semanas depois. Foi o último compromisso público do marido de Cristina.

Leia também:

Leia também: Cancelado por falta de luz, Superclássico acaba em fiasco

Continua após a publicidade

Publicidade