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A disputa acirrada pela presidência da CBV

Oposição, liderada por ídolo da modalidade, tenta tirar o atual presidente Toroca do comando, ancorado em orientação da AGU. A situação nega irregularidades

Por Klaus Richmond Atualizado em 8 jan 2021, 18h07 - Publicado em 8 jan 2021, 09h54

A eleição da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que definirá o futuro do esporte olímpico mais vitorioso do país pelos próximos quatro anos, pode não acabar neste domingo, 10. O pleito já envolve disputa judicial, com um pedido de impugnação da chapa do atual presidente Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, à frente da CBV desde 2013, e deve puxar a fila de uma série de lutas semelhantes no calendário eleitoral de confederações justamente em ano olímpico – os Jogos de Tóquio-2020, adiados em um ano pela pandemia do coronavírus, estão marcados para julho.

O principal temor da chapa de oposição, a Renova Vôlei, liderada pelo advogado e empresário Marco Túlio Teixeira, além do vice Sérgio Escadinha, ex-líbero multicampeão com a seleção brasileira, recai sobre um risco jurídico e econômico, apoiado em orientação da Advocacia Geral da União (AGU) de que “não serão certificadas entidades esportivas as quais um mesmo dirigente seja reeleito para um para um terceiro mandato, depois da introdução do dispositivo 18A da lei Pelé”.

“O Toroca se enquadra exatamente nesse parecer da AGU. Ele já está em exercício desde o final de 2012, quando o Ary Graça se licenciou. Depois, cumpriu um mandato todo entre 2016 e 2020. Queremos impedir uma manobra e um prejuízo estrondoso justamente em um ano olímpico. Nossa base não é hipotética, temos uma base séria para isso”, disse Túlio a VEJA.

A atual presidência da entidade nega irregularidades e, para sustentar a candidatura, argumenta que uma possível continuidade “em nada afetará a gestão e a captação de recursos públicos”.  Em nota enviada a VEJA a equipe de Toroca deu sua explicação para a disputa: ”Walter Pitombo Laranjeiras foi eleito pela primeira vez para o cargo de presidente em 2016 para o mandato referente ao quadriênio 2017/2021. Assim, caso seja eleito em janeiro de 2021, para o quadriênio 2021/2025, exercerá o seu segundo mandato como presidente eleito, totalmente de acordo com a redação do Estatuto da CBV, com a legislação vigente e também com o parecer da AGU. Esse foi o entendimento do Comitê de Eleição, órgão independente e apartado da diretoria da CBV, ao julgar o pedido de impugnação da chapa de oposição, considerando válido o registro da chapa de Laranjeiras. A chapa Renova Vôlei, nos termos do Estatuto da CBV e demais normas que regem o processo eleitoral, interpôs recurso ao Conselho de Administração da CBV contra a decisão do Comitê de Eleição. O Conselho de Administração, em sessão realizada no último dia 14/12/2020, negou provimento ao recurso e confirmou a decisão do Comitê de Eleição. Importante destacar que não houve nenhum voto a favor da tese defendida pela chapa. Foram 6 votos pela rejeição do recurso, confirmando-se a decisão do Comitê de Eleição, e duas abstenções”.

A VEJA, Toroca complementou: “A minha reeleição não afetará em absolutamente nada a gestão e nem a captação de recursos públicos pela CBV. Fui eleito como presidente pela primeira vez em 2016. Se eu for reeleito domingo, exercerei meu segundo mandato. Então, não é verdade que ficaremos sem o repasse da verba das loterias se vencermos. Isso é um boato maldoso feito com interesses eleitorais”.

A guerra é quente. “Não existe história de direito adquirido, de ser dono de alguma coisa. Essa questão dos mandatos nunca ficou muito clara porque não havia oposição para contestar, mas queremos evitar a quebra da Confederação em um ano olímpico. Se ocorrer a reeleição, podemos dizer que 80% das verbas estarão comprometidas. Seria o fim da confederação”, afirma o opositor Túlio.

A confederação de vôlei é considerada a mais próspera depois da CBF, com quase 100 funcionários e cerca de 80 milhões de reais em recursos captados anualmente. Somando as modalidades de quadra e praia, o vôlei rendeu ao Brasil 23 medalhas olímpicas, sendo 8 de ouro, 10 de prata e 5 de bronze.

Final vôlei masculino: Brasil x Itália
Serginho na conquista da medalha de ouro seleção masculina de vôlei na Rio-2016 Antonio Milena/VEJA/NOPP

O cenário de disputa eleitoral não tem precedentes. Desde 1975, esta será a primeira vez em que o pleito ocorre com a presença de uma chapa de oposição. Todas as eleições anteriores foram por aclamação, quase sempre com o envolvimento de Toroca. Ex-presidente da federação alagoana, o dirigente acumula cargos na CBV desde a década de 1980, sendo o primeiro vice de Carlos Arthur Nuzman e, posteriormente, de Ary Graça.

Apesar da presença de Serginho, publicamente atletas ainda evitam manifestações políticas favoráveis ao bicampeão olímpico. O colégio eleitoral é considerado complexo, formado por 102 integrantes divididos em: 27 federações, quatro atletas que representam Comissões Nacionais (dois do vôlei de praia e dois de quadra), 54 atletas de Comissões Estaduais (dois por cada confederação), oito medalhistas olímpicos e nove clubes.

Na eleição, os votos serão realizados por ordem alfabética. De acordo com a oposição, com confederações consideradas menos representativas e de claro apoio a Toroca. Em caso de derrota, além da ação homologada na Justiça Comum, a chapa de oposição ainda pretende manter a luta, ingressando com ação no Comitê Nacional de Arbitragem.

“É um órgão sério, que recorreremos se eles insistirem em se manter no poder. O julgamento é independente e deve acontecer, no máximo, em um ano e meio. Estamos deixando claro, bem claro mesmo, que as federações que apoiam depois do pleito também poderão ter problemas em assinar embaixo de algo que alertamos ser uma tragédia anunciada”, argumenta Túlio.

  • Ginástica e outras confederações também lutarão

    A luta no vôlei é estendida a diversos esportes e confederações no país. Na ginástica, o empresário e atual presidente da federação do Rio Bruno Chateaubriand é candidato à presidência da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). A queda de braço é semelhante, ele tentará evitar o quarto mandato consecutivo da atual presidente Maria Luciene Resende.

    “Não há diálogos, infelizmente. Temos gestores perpetuados no poder. No vôlei, há uma situação ainda pior que da ginástica porque é o esporte que mais entrega resultados. A eleição acontece no fim de janeiro e esse parecer da AGU é o nosso alicerce”, explica Chateaubriand, ex-atleta de ginástica e empresário que ganhou fama como um dos maiores promotores de festas do Rio.

    Chateaubriand, assim como a chapa Renova Vôlei, acredita que poderá vencer impulsionado pela interferência em grande escala de atletas. A VEJA procurou alguns atletas e ex-atletas de relevância na modalidade, mas todos preferiram não declarar publicamente apoio a candidatura.

    “Tenho alguns apoios declarados, de federações, mas entendo que o mais importante é entender que a candidatura coloca a modalidade acima de tudo. Não é amizade, ser bonitinho.  A coisa ficou séria, as reeleições podem levar instituições enormes à falência, acabar com elas. E eles precisam entender, apoiar. Perguntei a muitas pessoas antes de entrar”, conta. Chateaubriand, e Sergio Escadinha participaram de uma live nesta quinta-feira, 8, para darem suas versões do imbróglio.

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