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Covid-19: Djokovic testa positivo e pede desculpas por organizar torneio

"Infelizmente, o vírus ainda está presente", lamentou o número 1 do tênis. Ele foi o quarto atleta infectado após partidas - e festas - do Adria Tour

Por Da Redação - Atualizado em 23 jun 2020, 10h51 - Publicado em 23 jun 2020, 10h26

Novak Djokovic, número 1 do tênis mundial, está no centro de uma polêmica envolvendo o coronavírus, doença pela qual ele próprio foi infectado. O tenista sérvio divulgou nesta terça-feira, 23, um comunicado para anunciar que tanto ele quanto sua esposa, Jelena, testaram positivo para Covid-19, dias depois da realização do Adria Tour, um torneio-exibição com presença de público organizado por ele na Sérvia e na Croácia – e que deixou outros três atletas infectados.

Djokovic recebeu duras críticas por seu discurso negacionista e por ter desrespeitado protocolos ao levar os tenistas a eventos com crianças e festas em casas noturnas, sem utilizar máscaras. O melhor tenista do mundo, que está assintomático, pediu desculpas e disse que está “aprendendo a lidar” com a nova realidade imposta pela pandemia.

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“Tudo o que fizemos neste último mês foi com o coração puro e a melhor das intenções. Nosso torneio pretendia unir as pessoas e compartilhar uma mensagem de solidariedade e compaixão pela região”, escreveu Djokovic, citando que o Adria Tour nasceu como “uma ideia filantrópica” para ajudar as pessoas mais necessitadas, num momento em que “o vírus havia enfraquecido”.

“Infelizmente, ele ainda está presente, e essa é uma nova realidade com a qual ainda estamos aprendendo a lidar. Peço desculpas por cada caso individual de infecção. Espero que não complique a saúde de ninguém e que todos fiquem bem”, completou em comunicado. Ele disse que ficará 14 dias isolado

Antes de Djokovic, outros três atletas, o croata Borna Coric, o búlgaro Grigor Dimitrov e o sérvio Viktor Troicki também testaram positivo, além de um preparador e um treinador dos atletas. O Adria Tour aconteceu em duas sedes: Belgrado, na Sérvia, na semana passada, e em Zadar, na Croácia, no último fim de semana. No último sábado 20, Dmitrov chegou a ir à quadra mas desistiu do jogo contra Coric alegando não se sentir bem. Um dia depois, ele anunciou que havia testado positivo, ao voltar para casa, em Mônaco. A organização do evento cancelou a final que aconteceria no domingo entre Djokovic e o russo Andrey Rublev.

“Olá pessoal. Quero entrar em contato e informar meus fãs e amigos que eu testei positivo em Mônaco com Covid-19. Quero garantir que qualquer pessoa que tenha estado em contato comigo nos últimos dias seja testada e tome as precauções necessárias. Sinto muito por qualquer dano que possa ter causado. Estou de volta para casa agora e me recuperando. Obrigado pelo seu apoio e fique seguro e saudável”, escreveu Dimitrov em suas redes sociais.

“Gostaria de informar a todos que testei positivo para Covid-19. Quero ter a certeza de que todos que estiveram comigo nos últimos dias façam o teste! Quero pedir desculpas por qualquer prejuízo que eu tenha causado. Estou me sentindo bem e sem sintomas. Por favor, fiquem seguros”, escreveu Coric no Twitter.

O tenista australiano Nick Kyrgios, que não participou do evento e é um velho desafeto de Djokovic, rebateu o post de Coric de forma dura. “Que decisão de cabeça oca de prosseguir com a ‘exibição’ dos nossos companheiros de rápida recuperação. É isso que acontece quando você desconsidera todos os protocolos. Isto não é uma piada!”

Outras estrelas do circuito internacional, como o alemão Alexander Zverev e o austríaco Dominic Thiem, também estiveram nos torneios-exibição. Os atletas participaram de diversas atividades, sem máscara, como partidas de basquete, clínicas com crianças e foram até uma casa noturna de Belgrado, o que provocou uma série de críticas. Nesta segunda-feira, a organização do Adria Tour pediu que todas as pessoas que entraram em contato com os atletas iniciem um período de 14 dias de auto-isolamento.

Murray volta hoje – sem torcida

Ainda não se sabe se os incidentes no torneio-exibição terão influência na retomada do circuito profissional, que está programado para ocorrer em agosto. Na semana passada, o Us Open foi confirmado na data prevista, do dia 31 de agosto a 13 de setembro, no Centro Nacional de Tênis Billie Jean King, no bairro do Queens – a única mudança foi a confirmação de que o torneio será disputado com portões fechados. Será o primeiro Grand Slam a ser realizado desde o agravamento da pandemia de coronavírus, em março deste ano.

O tenista britânico Andy Murray: sete meses ausente Mitchell Layton/Getty Images/AFP

Nesta terça-feira, 23, outro tenista renomado, o britânico Andy Murray participará de outro evento de caridade, o “Battle of the Brits”, um torneio-exibição entre britânicos organizado por seu irmão, Jamie, na qual o escocês enfrentará o inglês Liam Borady, em Londres. Ao contrário do Adria Tour, não haverá presença de público, nem eventos complementares, e a organização promete cumprir rígidos protocolos. Murray, que fará sua primeira partida em sete meses, após se recuperar de lesão e cirurgia, disse que o evento organizado por Djokovic deve “servir de lição”.

“Todos os países, obviamente, têm diferentes regras. Mas creio que uma vez que chegam visitantes, jogadores nesse caso, e membros da equipe de diferentes partes do mundo, deve-se assegurar que todas as medidas necessárias e precauções. Com sorte, parece não ser nada grave, esperamos que não haja um grande contágio grande, porque Sérvia e Croácia estavam controlando muito bem, mas é uma espécie de lição para todos nós na hora de tomar todas as medidas que sejam possíveis”, afirmou Murray. 

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