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Corinthians responsabiliza vítima por morte em festa do centenário

Por Da Redação 8 set 2011, 10h24

A torcedora Amanda Ferraz Geremias foi atropelada pelo ônibus que transportava a delegação do Corinthians após as comemorações pelo centenário no Vale do Anhangabaú, na madrugada do dia 1de setembro de 2010. De acordo com o clube, a vítima estava embriagada e é a única responsável pelo acidente.

‘Não houve, da parte do Corinthians, a prática de nenhum ato para ensejar a perda da vida da torcedora. A culpa foi exclusivamente dela. Foi a menina que, infelizmente, atravessou a rua sem olhar e se lançou em direção ao ônibus’, afirmou o advogado Diógenes Mello Pimentel Neto.

Na contestação elaborada pelo clube na área cível, à qual a GE.Net teve acesso, os advogados citam que a vítima estava embriagada (com ‘turbação passageira das faculdades em virtude do excesso de bebida alcoólica ingerida’, em definição do Dicionário Michaelis).

‘O laudo do Instituto Médico Legal e o parecer do Ministério Público no pedido de arquivamento do inquérito [policial] atestam que a vítima infelizmente encontrava-se embriagada quando do acidente’, diz um trecho da contestação produzida pelo Corinthians.

Amanda Ferraz Geremias, 21 anos, foi à festa do centenário acompanhada pela meio-irmã e algumas amigas. Andreia Ferraz Eduardo admite que a vítima ingeriu bebida alcoólica durante as comemorações, mas assegura que no momento do acidente ela estava perfeitamente consciente.Na visão de Pimentel Neto, a quantidade de bebida alcoólica ingerida pela torcedora pode ter colocado sua própria segurança em risco. ‘Ela não teve cuidado ao atravessar a rua. Esse é o fato principal. Quando você toma uma bebida alcoólica, não tem mais 100% de seus reflexos e talvez isso tenha propiciado uma falta de cuidado ao atravessar a rua’, apontou.

Na área cível, a família pleiteia uma indenização de R$ 6.524.562,00 por danos morais e materiais. Os advogados contratados por Ana Maria Ferraz de Oliveira, mãe de Amanda, ainda tentarão reabrir o inquérito policial, arquivado pelo Ministério Público Estadual, para apurar a eventual responsabilidade do motorista do veículo.

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TACÓGRAFO GERA POLÊMICA

De acordo com os representantes da família de Amanda Ferraz Geremias, o tacógrafo (uma espécie de caixa preta do ônibus) apresentado pelo Corinthians estava adulterado.

‘O Corinthians anexou um tacógrafo adulterado e isso foi demonstrado pela perícia feita no inquérito policial. Pode ser um erro ou uma forma de tirar evidências de uma prova’, afirmou o advogado Ricardo Salgado.

O advogado Diógenes Mello Pimentel Neto, representante do Corinthians, nega a adulteração. O tacógrafo de um ônibus pode determinar a velocidade do veículo em um determinado momento.

‘Entendemos que os valores estão muito exagerados, muito acima de qualquer razoabilidade. Porém, se você analisar de outro aspecto, tem uma pessoa que perdeu a vida, e isso não tem preço. Qual é o valor de uma vida?’, questionou o advogado do clube.

O Corinthians pede que o processo seja julgado extinto sem julgamento do mérito, já que vê uma falta de legitimidade para figurar como réu. O clube ainda se exime de qualquer responsabilidade pelo acidente fatal, além de defender que seu motorista não é culpado.

‘A responsabilidade pela segurança pública das vias da cidade é da Prefeitura de São Paulo, a escolta do ônibus do Requerido foi realizada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo e o Clube Réu atendeu a todas as exigências dos órgãos fiscalizadores e incumbidos de autorizar a utilização do referido local’, diz o Corinthians.

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