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Corinthians decide título da Libertadores contra o Boca

Por Fábio Hecico, Paulo Galdieri e Raphael Ramos

São Paulo – Quase nenhum dos 5.317 jogos já disputados pelo Corinthians em seus quase 102 anos de história será tão importante como o desta quarta-feira, às 21h50, contra o Boca Juniors, no Pacaembu. Depois de tantas tentativas, os corintianos nunca estiveram tão perto de alcançar o céu. Nunca estiveram tão próximos de se livrar das provocações dos rivais, chegar ao topo da América, bater no peito e gritar em alto e bom som: “Eu sou campeão da Libertadores!”

Faltam apenas 90 minutos – ou mais, Seo o duelo for para prorrogação e disputa por pênaltis. Um gol. Uma vitória simples, um mísero 1 a 0 (como tantos outros que marcaram esse aguerrido time de Tite) será o suficiente para o clube alvinegro conquistar o título mais importante da sua história, o mais desejado pelo seu fanático torcedor.

A confiança é enorme não só pelo fato de a equipe – formada apenas por operários – ter chegado a um patamar que nenhum outro time na história do clube (mesmo cheio de craques) conseguiu atingir. Tudo parece estar conspirando a favor do Corinthians neste ano. Basta lembrar que a caminhada da equipe começou com um empate por 1 a 1 diante do Deportivo Táchira, na Venezuela, garantido apenas nos acréscimos com um gol de cabeça do volante Ralf.

Depois veio o “surgimento” de Cássio na oitavas de final contra o Emelec. O time que tinha um goleiro nada confiável (Júlio César) passou a contar com a segurança do grandalhão de 1,95 metro. Foi ele, inclusive, um dos principais responsáveis pela eliminação do Vasco nas quartas de final ao defender um chute cara a cara de Diego Souza – no finzinho, Paulinho, de cabeça, garantiu a vaga.

Veio as semifinais e, mais uma vez, o Corinthians mostrou que estava iluminado. Na Vila Belmiro, Emerson acertou um chute de rara felicidade e a defesa conseguiu brecar o atual campeão Santos e Neymar. No Pacaembu, o craque santista furou o paredão corintiano (foi o primeiro e único gol que a equipe sofreu jogando em casa), mas aí brilhou a estrela de Danilo e o empate por 1 a 1 colocou o time em sua primeira final da Libertadores.

A maior prova de que tudo parecia estar a favor do time veio em plena La Bombonera, no primeiro jogo da decisão contra o Boca Juniors. O jogo caminhava para o fim e os argentinos venciam por 1 a 0 quando Tite resolveu renovar o fôlego do ataque trocando um cansado Danilo por um inspirado Romarinho. E na primeira bola que recebeu, o garoto de 21 anos virou o novo xodó da Fiel.

Aquele empate facilitou, e muito, a vida do Corinthians para a partida desta quarta. Não faz parte da vocação desse time sair para o ataque em busca do resultado para reverter um placar adverso. Esse Corinthians não gosta de se arriscar muito, se expor. É o time do ataque na base do conta-gotas, que prefere controlar a partida ao seu modo para dar o bote na hora certa.

Essa estratégia tem funcionado muito bem até aqui. Em 13 jogos, o Corinthians está invicto. Venceu sete partidas e empatou seis, com 20 gols marcados e apenas quatro sofridos. Em casa, a equipe chegou a ficar cinco jogos sem ser vazada. Pragmático, Tite não mexerá na equipe. Mesmo com a ótima fase de Romarinho, ele ficará na reserva. Recuperado de lesão, Jorge Henrique está mantido entre os titulares.

Novo empate nesta quarta leva a decisão para a prorrogação. Se a igualdade persistir, o campeão será conhecido nos pênaltis. No treino desta terça, o aproveitamento foi ótimo: de 39 cobranças, os titulares acertam 33.

EXPERIÊNCIA – Se no Corinthians a motivação é enorme, o Boca Juniors também está confiante. O time aposta no seu ótimo histórico na Libertadores para levantar a taça. Esta é a décima final do clube, campeão seis vezes. Se ganhar esse ano, se igualará ao Independiente como maior vencedor da competição continental.