Copa do Mundo: Público assistiu a propagandas de álcool, fast food e bets a cada sete segundos, diz estudo
Das mais de 170 horas de partidas e futebol, quase 40 horas foram apenas de propagandas consideradas “negativas”
Durante a Copa do Mundo de 2026, uma das características que pode ter chamado a atenção dos espectadores foi a quantidade de propagandas e imagens relacionadas à bebidas alcoólicas, comidas ultraprocessadas ou não saudáveis e plataformas de apostas, ou “bets” que apareceram nos estádios. De acordo com um novo estudo, publicado pela Universidade de Bristol em parceria com a Universidade de Oxford, esses anúncios apareceram para quem assistia às partidas ao menos a cada sete segundos.
A Copa do Mundo de 2026 atingiu recordes históricos, e alcançou ao menos 6 bilhões de pessoas ao redor do mundo, de acordo com dados da FIFA. A grande exposição foi um palco central para a publicidade que, de acordo com o novo estudo, teve como presença majoritária as bebidas alcoólicas e comidas não saudáveis (referidas no documento como junk food). Em terceiro lugar ficaram as publicidades para plataformas de apostas.
Como o estudo foi feito
Os pesquisadores responsáveis utilizaram uma tecnologia de inteligência artificial para analisar as imagens das partidas e selecionar em quais momentos propagandas consideradas “negativas” apareciam. Com o Isambard-AI, supercomputador de IA do Centro para Supercomputação da Universidade de Bristol, os cientistas analisaram 172,6 horas espalhadas entre os 104 jogos do torneio. A pesquisa foi publicada pela Universidade de Bristol, mas não chegou a alguma revista científica. O trabalho faz parte de uma série de outras análises feitas pelo Centro de Estudos sobre Jogo da Universidade de Bristol.
A pesquisa identificou que aconteceram mais de 93 mil aparições de marcas que promoviam comidas “não saudáveis”, bebidas alcoólicas e apostas. Uma em cada sete foram apenas de fast food e álcool, com 65.722 aparições. A análise contabilizou os momentos em que propagandas apareciam na estrutura dos estádios e partidas, como nos painéis que ficam ao redor do campo. Anúncios considerados “perigosos” apareceram em todos os jogos e ficaram visíveis durante quase 40 horas de exibição, perto de um quarto de todo o campeonato.
No caso de comidas e bebidas consideradas “não saudáveis”, 9 marcas diferentes apareceram nas transmissões. 3 plataformas de previsão (como o Polymarket) apareceram, 9 marcas de bebidas alcoólicas, 5 empresas de apostas e uma de criptomoedas. O número total de logos que apareceram durante as transmissões foram 93.409, e todas essas marcas aparecem cerca de 23 mil vezes.
Para o pesquisador Raffaello Rossi, coautor do estudo, as descobertas são preocupantes “dado a quantidade substancial de evidências que ligam o marketing de produtos não saudáveis, álcool e apostas ao aumento de consumo e uma variedade grande de problemas de saúde, sociais e financeiros, especialmente entre crianças e jovens“.
EM UM SÓ LUGAR





