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Contra ansiedade em Londres, maratonista aposta na psicologia

Por Da Redação - 10 jul 2012, 16h53

Única representante do Brasil na maratona feminina dos Jogos de Londres-2012, Adriana Aparecida da Silva aposta no trabalho psicológico para combater a ansiedade antes da prova. A atleta trabalha desde 2007 com psicóloga Carla Di Pierro, que também atua junto ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

‘Acho que a parte psicológica é parte fundamental da minha preparação. Além de estar bem treinada fisicamente, preciso estar preparada psicologicamente, pois as Olimpíadas são um momento único e vai ser difícil controlar a ansiedade’, disse a atleta, estreante nos Jogos.

Adriana passou a contar com acompanhamento psicológico em um momento delicado de sua carreira – após sofrer uma cirurgia bilateral nos pés, relatava muita dor, mesmo meses depois da operação. ‘Ela estava afastada dos treinos, com dor e sentia-se insegura, pois estava em São Paulo há pouco tempo depois de sair de casa no interior’, lembrou Carla.

Em uma primeira etapa de reabilitação psicológica, a profissional procurou focar a atleta com a finalidade de reduzir a ansiedade para voltar a correr gradativamente. Em seguida, Carla tentou fazer a maratonista entender exatamente sua própria situação física.

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‘Ela sentia muita dor e não entendia bem o motivo. Fiz um trabalho de psico-educação junto com os fisioterapeutas e médicos para ela entender a lesão, como e porque sentimos dor e que, no caso dela, estava potencializada pela ansiedade de voltar a treinar e pelo medo de nunca mais poder correr’, explicou.

Satisfeita com o ganho de foco a partir do trabalho psicológico, Adriana se classificou para os Jogos Olímpicos de Londres ao fazer 2h29min17s, recorde sul-americano, na Maratona de Tóquio. Na Inglaterra, a meta da brasileira é bater a própria marca e se aproximar dos 2h27min.

‘Desde a lesão até hoje, eu fui amadurecendo bastante. Depois que eu me recuperei, o foco do tratamento mudou. Nós passamos a lidar com a ansiedade pré-competição e eu cresci muito nos meus resultados e na minha atitude dentro das provas’, disse Adriana, ouro no Pan de Guadalajara.

Cláudio Castilho, técnico da maratonista, testemunhou de perto a evolução da pupila. ‘Mais do que resolver conflitos momentâneos, o trabalho de psicologia esportiva deu ferramentas e subsídios para que ela pudesse resolver os conflitos que ainda não existiam. Ela teve uma evolução muito grande de maturidade e poder de decisão’, declarou.

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