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Conheça o técnico mexicano que foi expulso na última partida da seleção na Copa de 1986

Javier Aguirre era volante no time eliminado pela Alemanha Ocidental há 40 anos, e se despede da torcida local neste domingo, contra a Inglaterra

Por Felipe Carneiro, de Los Angeles 4 jul 2026, 22h25
Conheça o técnico mexicano que foi expulso na última partida da seleção na Copa de 1986 Priorizar nos meus resultados Google

Faz 40 anos que Aguirre jogou um mata-mata de Copa do Mundo no México. No dia 21 de junho de 1986, o então volante foi expulso aos 10 do primeiro tempo da prorrogação por uma entrada dura em Lothar Matthaus, e saiu aos prantos do campo em Monterrey. A partida terminou empatada em 0 a 0, e a Alemanha Ocidental levou a melhor na disputa de pênaltis. Mas seu choro não foi pela expulsão, nem pela derrota. A emoção de Aguirre era porque era o fim de uma jornada que ele não estava pronto para encerrar.  “Aquele grupo que a gente tinha construído junto ia se desfazer, e isso nunca mais ia acontecer”, disse o hoje técnico à ESPN em 2020.

Aguirre não sabia, na hora, que aquela Copa definiria sua carreira de treinador, que já soma mais de 900 jogos. Inspirado por Bora Milutinovic, técnico do México naquele Mundial, ele decidiu construir sua própria trajetória à beira dos gramados.

Neste domingo, 5 de julho, o México de Aguirre enfrenta a Inglaterra nas oitavas de final da Copa do Mundo no mítico estádio Azteca. O país volta a sediar o torneio, quarenta anos depois, e Aguirre aceitou o desafio de comandar a seleção mexicana pela terceira vez. Ele já havia estado à frente do time em 2002, no Japão e na Coreia do Sul, e em 2010, na África do Sul, sem nunca ter ganhado uma partida de mata-mata.

Naquela primeira passagem, o México surpreendeu ao liderar um grupo difícil, com Itália, Croácia e Equador, somando sete pontos após vencer a Croácia por 1 a 0, o Equador por 2 a 1 e empatar em 1 a 1 com os italianos. Nas oitavas, porém, esbarrou nos Estados Unidos, derrota por 2 a 0 que ficou marcada no futebol mexicano como o “Dos a Cero” original, resultado que atormenta a rivalidade entre os dois países até hoje. Em 2010, o México estreou empatando com a África do Sul em 1 a 1, venceu a França por 2 a 0 e caiu diante do Uruguai por 1 a 0, avançando em segundo lugar do grupo. Nas oitavas, esbarrou na Argentina, derrota por 3 a 1 na qual Javier Hernández marcou o único gol mexicano.

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Filho de bascos radicados na Cidade do México, onde nasceu em 1º de dezembro de 1958, Aguirre carrega no apelido, “El Vasco”, a herança dos pais. É também jogador formado no América, com passagens por Osasuna e Chivas de Guadalajara antes de se tornar um dos técnicos mais viajados do futebol mexicano e espanhol, com passagens por Pachuca, Atlante e Monterrey, além de Osasuna, Mallorca, Leganés, Espanyol, Zaragoza e Atlético de Madri.

Cartão de figurinha do jogador de futebol Javier Aguirre, com cabelo castanho escuro e camisa verde com gola branca em V, olhando diretamente para frente. No canto superior esquerdo, uma bola de futebol e as cores da bandeira do México. No canto inferior direito, a bandeira do México. No topo, a palavra MEXICO e na parte inferior JAVIER AGUIRRE
Figurinha de Aguirre do álbum da Copa de 86 (Instagram/Reprodução)
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A partida contra a Inglaterra é sua última chance de vingar aquela eliminação em Monterrey em 1986 na frente de sua torcida. Não haverá mais jogos no México nesta Copa, e Aguirre já anunciou que não pretende mais treinar a seleção no futuro.

O ex-zagueiro Rafa Márquez, que jogou sob seu comando nas Copas de 2002 e 2010 e hoje é seu auxiliar, vai assumir o cargo tão logo termine o Mundial.

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O México vem fazendo sua melhor campanha nesses 40 anos. Não sofreu gols em quatro partidas, e quebrou o tabu de não ganhar um mata-mata de Copa do Mundo desde 1986. Foram oito revezes no primeiro jogo eliminatório.

A maldição acabou com um atropelo sobre o Equador no estádio Azteca, pelos 16 avos de final, por 2 a 0.”Preciso de um uísque agora”, disse Aguirre depois do jogo. “Uma dosezinha, com gelo. Acabou o meu no quarto”. Dessa vez, ele segurou o choro. 

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Ganhando ou perdendo, será sua última vez com a seleção no México. Como há 40 anos, vai ser um fim que ele não está preparado. Haja uísque.

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