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Conheça o pentatlo naval, esporte que mistura natação, tiro, remo e provas de habilidade e resistência

Esporte é uma das cinco modalidades que serão disputadas nos Jogos Mundiais Militares de 2011, entre 16 e 23 de julho, no Rio de Janeiro

Cinco competições são exclusivamente da turma fardada: orientação, paraquedismo, pentatlo naval, pentatlo militar e pentatlo aeronáutico

Considerado o primeiro grande ensaio para os Jogos Olímpicos de 2016, os Jogos Mundiais Militares não têm o mesmo apelo de público. Mas a competição que acontece entre os dias 16 e 23 de julho, no Rio de Janeiro, tem atrativos para os amantes do esporte. Se nas modalidades tradicionais o nível técnico e a quantidade de ídolos do esporte não é a mesma, nas modalidades militares o evento pode ser uma experiência única.

Cinco competições são exclusivamente da turma fardada: orientação, paraquedismo, pentatlo naval, pentatlo militar e pentatlo aeronáutico. O site de VEJA acompanhou, na última semana, um dia de treinamento das equipes masculina e feminina do Brasil de pentatlo naval. De segunda a sábado, os cinco homens e três mulheres que representarão o país no Jogos Militares cumprem uma pesada rotina de preparação no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN).

Remar com um fuzil junto ao corpo: uma das provas do pentatlo naval Remar com um fuzil junto ao corpo: uma das provas do pentatlo naval

Remar com um fuzil junto ao corpo: uma das provas do pentatlo naval (/)

Os trabalhos acontecem sob a orientação do comandante Cyro Coelho, de 53 anos, campeão mundial por equipes com o Brasil em 1986 – o país também faturou os títulos de 1967 e 1972. Este ano, as maiores potências do pentatlo masculino são Alemanha, Finlândia, Suécia, Turquia e Brasil. Já no feminino, as medalhas devem ser disputadas por Noruega, Rússia, Suécia, Finlândia e Brasil.

“Se tudo der certo, nossa equipe masculina vai conseguir o ouro. Nos dois torneios testes que realizamos aqui, em fevereiro e abril, batemos todos esses países apontados como favoritos. Já no caso das meninas é um pouco mais complicado. Mesmo assim elas vão brigar por medalha”, analisa o comandante Coelho.

Na disputa individual, as esperanças recaem sobre as costas da marinheira naval Simone Lima, 28 anos. Ex-nadadora do Fluminense, ela entrou para a Marinha de olho numa vaga na equipe de natação para os Jogos Mundiais Militares, no entanto, acabou sendo convidada para integrar o time de pentatlo naval. Em 2010, Simone ficou no segundo lugar geral do torneio nórdico da Alemanha. Em fevereiro de 2011, ela conquistou o terceiro lugar no 1º Torneio Internacional do Brasil de Pentatlo, realizado no CEFAN e com a participação de atletas de ponta da modalidade.

Natação de salvamento: além de ser o mais rápido, o atleta precisa transportar um boneco ao longo do percurso Natação de salvamento: além de ser o mais rápido, o atleta precisa transportar um boneco ao longo do percurso

Natação de salvamento: além de ser o mais rápido, o atleta precisa transportar um boneco ao longo do percurso (/)

A experiência mais marcante para a marinheira e atleta foi o Campeonato Mundial de Pentatlo Naval, na Alemanha (2009), sua estreia em competições internacionais no esporte. “Me mandaram só para eu ver como era. Não sabia nada. Mas logo na primeira competição bati o recorde mundial de natação utilitária. A alegria durou pouco. Cinco minutos depois, uma sueca foi lá e quebrou meu recorde. Pelo menos deu para sentir o gostinho de ser número 1 do mundo por algum tempo”, lembra a atleta.

Entre os homens, a disputa individual deve ficar entre o alemão Sgt Matthias Wesemann, atual bicampeão mundial, e o vice-campeão do 46º Campeonato Mundial de Pentatlo Naval, disputado na Alemanha, em 2009, o polonês MN Karol Morek, prometem um grande duelo.

As cinco provas – Os pentatletas navais precisam cumprir cinco provas, divididas em três dias. A primeira delas é travessia de uma pista de obstáculos com percurso de 305 metros (masculino) ou 280 metros (feminino), onde são simuladas várias situações do dia-a-dia dos marinheiros e fuzileiros navais.

Depois, é hora de cair na água. Na prova de natação de salvamento, o atleta nada 50 metros numa piscina e resgata um boneco de 1,5 quilo a três metros de profundidade, sempre com o corpo totalmente submerso. Já na natação utilitária os competidores devem nadar 125 metros (masculino) ou 100 metros (feminino), cumprindo etapas como transporte de fuzil, passagem sob rede, passagem sobre tonel, nado em velocidade e outras.

A quarta prova é a de habilidade naval, que inclui lançamento de cabo, remo em ziguezague e trabalho na guindola (tábua suspensa por corda, que leva o marinheiro ao topo do mastro). Por fim, é a vez do cross-country anfíbio, composto de corrida de 2.500 metros, intercalada com tiro de rifle calibre 22 a uma distância de 50 metros, remada em bote pneumático e lançamento de granada (sem detonação) ao nível do mar. Definitivamente, não é coisa para civil.