🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!

Conheça a tecnologia que os americanos usam para vencer disputas de pênaltis

Estados Unidos investe em traquitana que orienta jogadores sobre a melhor maneira de bater penais

Por Felipe Carneiro, de Los Angeles 1 jul 2026, 07h00 | Atualizado em 1 jul 2026, 07h20
Conheça a tecnologia que os americanos usam para vencer disputas de pênaltis Priorizar nos meus resultados Google

Pênalti não é brincadeira. Dois dos favoritos da Copa, Alemanha e Holanda, já voltaram para casa antes vinte dias antes do planejado, da finalíssima do dia 19 de julho, por vacilar nas cobranças alternadas para decidir o primeiro mata-mata. 

A seleção dos Estados Unidos não quis confiar na velha e gasta máxima do “pênalti é loteria”, e resolveu investir pesado em tecnologia para, caso se veja nesta situação, ter uma vantagem sobre o adversário. 

Sim, em tecnologia.

Desde janeiro de 2025, a comissão técnica de Mauricio Pochettino vem trabalhando com a empresa alemã Neuro11, especializada em neurofeedback aplicado ao esporte. Funciona assim: o jogador é equipado com uma espécie de capacete com sensores colados ao couro cabeludo, que ficam ligados a um aparelho atado ao abdômen, como uma pochete. A traquitana monitora a atividade cerebral dos atletas enquanto eles batem pênaltis nos treinamentos, e mapeiam quais as regiões do órgão mais trabalham nos erros e acertos. 

Continua após a publicidade

“Não quero falar muito”, disse o treinador, na véspera da partida contra a Bósnia-Herzegovina que acontece nesta quarta, 1º de julho, às 21h (horário de Brasília), no estádio da Área da Baía de San Francisco. “Mas acredito que estamos trabalhando com ajuda externa porque, como comissão técnica, acreditamos que podemos oferecer ferramentas para que os jogadores melhorem e encontrem a melhor forma de enfrentar esse tipo de situação”.

O objetivo da tecnologia é duplo. De um lado, a equipe técnica usa a leitura das ondas cerebrais para medir o nível de concentração do jogador no momento da cobrança, identificando quando ele está “na zona”, como gostam de dizer os atletas, e quando está ansioso ou distraído. Com esses dados, eles orientam o jogador quais as melhores técnicas para recalibrar o melhor estado mental para aquele momento, que é específico de cada pessoa.

Continua após a publicidade

 De outro, os dados ajudam a definir qual é o melhor local do gol para cada cobrador. “Eles basicamente te dizem, com base nas suas ondas cerebrais, o quão focado você está num momento específico de bater o pênalti, e para qual lado seu cérebro funciona melhor”, explica o lateral Max Arfsten.

Um estudo publicado em 2021 por pesquisadores da Universidade de Twente, na Holanda, sugere como essa análise pode funcionar na prática. Usando tecnologia de espectroscopia funcional de infravermelho próximo (fNIRS) para monitorar a atividade cerebral durante cobranças, os pesquisadores descobriram que o córtex motor, responsável pelos movimentos musculares, é mais ativado quando o jogador não sente ansiedade. Quando distraído ou nervoso, entra em ação o córtex pré-frontal, ligado ao planejamento futuro e associado a uma taxa maior de erros.

Continua após a publicidade

O Liverpool usa a mesma tecnologia há alguns anos, e fez um vídeo a respeito:

Continua após a publicidade

Os americanos ainda acham isso pouco, e trouxeram outras tecnologias para a preparação. Eles contrataram a Trackman, empresa que usa radar e sensores para mapear com precisão o trajeto da bola. O meia Sebastian Berhalter jura que melhorou suas cobranças de falta, além do pênalti, graças à engenhoca.

Por fim, mas sem a mesma sofisticação, a comissão técnica usa caixas de som para reproduzir sons de torcida, vaias e xingamentos durante os treinos de pênalti para tentar simular o ambiente do jogo. O capitão Tim Ream resume o espírito da preparação: “Todo mundo fala em estar ‘na zona’ e em fazer o tempo desacelerar. A comissão nos explicou que é possível rastrear essas ondas cerebrais e ajudar o atleta a chegar nessa zona na hora de bater”.

Continua após a publicidade

O goleiro da Bósnia-Herzegovina, Nikola Vasilj, tem uma taxa de defesa de 37,2% em cobranças de pênalti ao longo da carreira, uma das mais altas do torneio. Os europeus, aliás, chegaram ao Mundial vencendo duas disputas de penal consecutivas, contra o País de Gales e a Itália.

Goleiro de futebol com barba, vestindo uniforme vermelho e luvas brancas, expressa frustração com a boca aberta e os punhos cerrados, em frente à rede do gol durante uma partida noturna
Nikola Vasilj, da Bósnia e Herzegovina, comemora o pênalti defendido que tirou a Itália da Copa (Srdjan Stevanovic/Getty Images)

O selecionado americano tem cobradoras de alto nível. Christian Pulisic nunca errou nas sete cobranças que bateu pela seleção principal. Ricardo Pepi não falha desde que deixou a MLS em 2022. Haji Wright converteu 17 de 19 tentativas nos últimos sete anos. “É extremamente difícil ir lá e bater um pênalti”, disse Pulisic. “Exige muita coragem. Os goleiros estão cada vez melhores. Mas acho que somos um time bastante corajoso, e os jogadores vão encarar”.

Os Estados Unidos nunca jogaram um mata-mata de Copa do Mundo. Grandes craques como Roberto Baggio, Zico e Sócrates já eliminaram seus times com pênaltis mal batidos. Será que a tecnologia teria ajudado. É possível que tenhamos a resposta nesta quarta.

Publicidade
TUDO SOBRE A COPA,
EM UM SÓ LUGAR

VER COBERTURA COMPLETA

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).