Como Trump tenta, em vão, imprimir o padrão cultural dos EUA na Copa do Mundo
Presidente dos EUA acumula polêmicas durante o Mundial
A Copa do Mundo de 2026 poderia ser uma das maiores vitrines internacionais do segundo mandato de Donald Trump, 80 anos. Com o torneio dividido entre Estados Unidos, Canadá e México, especialistas avaliam que o evento oferecia ao presidente americano uma rara oportunidade de fortalecer a imagem do país por meio do chamado soft power — a capacidade de influenciar outras nações pela cultura, entretenimento e prestígio internacional.
Para Leonardo Paz Neves, pesquisador do Núcleo de Inteligência Internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas), porém, Trump tem seguido na direção oposta. “É uma oportunidade desperdiçada. Outros países usam grandes eventos para projetar uma imagem positiva ao mundo, aproveitam a visibilidade global para reforçar sua imagem, atrair investimentos e fortalecer relações diplomáticas. Trump, no entanto, não demonstra preocupação com isso”, afirmou à coluna GENTE.
Segundo o especialista, enquanto sedes de Olimpíadas e Copas costumam aproveitar a atenção global para promover turismo, segurança e desenvolvimento, o presidente americano tem acumulado episódios que desgastam essa imagem. Entre eles estão as restrições de entrada a cidadãos de alguns países, o endurecimento dos controles migratórios durante o Mundial e a aproximação direta com a Fifa em episódios controversos.
Um dos mais recentes ocorreu após Trump se gabar de ter telefonado ao presidente da entidade, Gianni Infantino, para pedir a revisão do cartão vermelho aplicado a um jogador dos EUA durante a competição — solicitação que foi aceita, mas não evitou a eliminação da seleção norte-americana para a Bélgica. Para Paz, o conjunto desses episódios enfraquece justamente o potencial diplomático do torneio. “Ele está acumulando mais uma imagem ruim dos Estados Unidos nesse evento, criando ruídos desnecessários e reforçando percepções negativas”, resumiu.
Ao mesmo tempo, a Fifa incorporou à decisão uma característica típica dos megaeventos americanos: a final da Copa terá, pela primeira vez, um show de intervalo inspirado no Super Bowl. O espetáculo deve reunir nomes como Madonna, Shakira e integrantes do BTS. Para o pesquisador, a iniciativa reflete a tentativa de imprimir um padrão cultural dos Estados Unidos ao futebol, mas dificilmente se tornará tradição nas próximas edições do torneio.
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