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Como os ricos e famosos assistem aos jogos da Copa nos Estados Unidos

Camarotes VIP podem sair por mais de 1 milhão de dólares em pacotes que incluem passeio de helicóptero e hotéis de cinco estrelas

Por Felipe Carneiro, de Los Angeles 30 jun 2026, 19h16
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Do lado de fora do Estádio de Dallas, fazia um calor texano de mais de 35 graus, sensação térmica batendo os 40 graus. Do lado de dentro, torcedores de Holanda e Costa do Marfim não tinham do que reclamar. Ao menos a turma disposta a gastar um mínimo de 10 000 dólares para usufruir dos camarotes VIP. Ali, entre chopes Stella Artois liberados, piso de mármore, tábuas de queijo, champanhe no gelo e DJ nas carrapetas, o ar-condicionado imperava. Só quando começavam a entrar os times em campo que a área de entretenimento começou a esvaziar para ocupar suas poltronas acolchoadas à beira do campo. Não surpreende que a Copa do Mundo de 2026 seja o evento esportivo mais caro da história, com ingressos a preços recordes. O grande público reclama, mas o mercado de luxo dedicado a quem pode pagar até 1 milhão de dólares para assistir à final da Copa, com direito a entrar em campo com a equipe campeã, comemora. E foi assim que aparecer no telão dos estádios com uma taça de champagne ou vinho na mão, como fez David Beckham na partida entre Brasil e Escócia, virou símbolo de status. “Os Estados Unidos são um país em que a imagem pública é quase uma obsessão, e as pessoas estão dispostas a pagar muito caro para aparecer no lugar certo, na hora certa”, afirma Asif Rehman, fundador da agência de turismo de luxo Billionaire Concierge, do Reino Unido. “E, neste caso, ainda podem ver jogos incríveis com Messi, Cristiano Ronaldo e Mbappé”.

Para aumentar ainda mais o prestígio dos camarotes VIP, celebridades são convidadas e estão em todos os lugares.Em Los Angeles, nomes como Tom Cruise, David Beckham, George Lucas, Halle Berry, Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Edward Norton, Paris Hilton, Will Ferrell e até a ex-vice-presidente americana Kamala Harris, ao lado do marido Doug Emhoff, passaram pelas câmeras durante os jogos da seleção dos Estados Unidos. Em Dallas, a lista de famosos incluiu o ex-jogador de futebol americano Emmitt Smith, o ex-wide receiver Dez Bryant e a atriz Brooke Shields. Seus rostos aparecem nos telões, quase sempre para palmas empolgadas – uma exceção foi o ex-jogador e atual comentarista Alexi Lalas, vaiado em Los Angeles por ser um crítico ressentido da seleção americana (não ajuda que ele seja um trumpista ostensivo, numa cidade notoriamente hostil ao presidente).

Os valores dessas experiências variam conforme o nível de exclusividade. Um ingresso VIP simples, com acesso ao chamado Pitchside Lounge, pode custar a partir de 4 500 dólares, como no caso do jogo entre Inglaterra e Panamá. Para a final, no dia 19 de julho, no estádio de Nova York/New Jersey, os pacotes de hospitalidade ficam entre 16 475 dólares e 35 000 dólares no nível – o único em que se compra o ingresso individual. Acima disso, é preciso fechar um camarote particular, que começa em 150 000 dólares e pode passar de 1 milhão. 

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Pessoas assistindo a um jogo de futebol em um camarote. À esquerda, um homem de óculos e camisa listrada vermelha e branca com o número 8, ao lado de um garoto de camisa branca. No centro, dois homens conversam, um de camiseta preta e outro de chapéu bucket branco e camisa azul escura. À direita, duas mulheres sentadas, uma de camisa branca com USA e outra de camisa listrada. Abaixo, dois homens sentados com camisas listradas e, na parte inferior, outras pessoas em um ambiente azul
Os atores Edward Norton, Brad Pitt e Colin Farrell: prestígio e holofotes (KC Alfred/Getty Images)
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Esses são os pacotes fixos. Mas quem está acostumado a gastar esse nível de dinheiro costuma ser exigente e ter seus gostos particulares. Os mais abastados querem mais do que a partida em si: a empresa de concierge britânica Knightsbridge Circle oferece a seus clientes um almoço íntimo com o ex-jogador e apresentador Gary Lineker, que trabalha para a Netflix em Nova York durante o torneio, com uma doação a uma instituição de caridade escolhida por ele. Já Kostia Shykh, fundador da empresa de concierge Bespoke Life, em Dallas, diz conseguir organizar encontros com jogadores durante o campeonato, além de ter recebido pedidos de sobremesa feita sob medida e trazida de avião de Paris e passeios de helicóptero ao redor das arenas. O pacote de 1 milhão de dólares do hotel The Mark, em Manhattan, inclui passeio de veleiro pelo rio Hudson e serviço de caviar e martíni com mordomo 24 horas. No St Regis, em Miami, 187 000 dólares garantem uma Bentley até o jogo, passeio de iate e uma sessão de treino com um preparador físico da federação americana de futebol.

Esse apetite do mercado de luxo se refletiu diretamente no caixa da Fifa. Segundo levantamento do Sport Insider, a receita combinada de hospitalidade e bilheteria da Copa do Mundo de 2026 deve somar 3,097 bilhões de dólares, mais que o triplo dos 953 milhões de dólares arrecadados no Catar, em 2022. A On Location, fornecedora oficial do programa de hospitalidade da Fifa, confirmou que as vendas já superavam o total arrecadado no Catar um ano antes do início do torneio, e que, até 31 de março de 2026, a receita já havia mais que dobrado qualquer edição anterior da Copa do Mundo. A empresa também informou ter vendido mais de meio milhão de pacotes a torcedores de mais de 125 países e dos 50 estados americanos, sendo metade das vendas destinada a clientes pessoa física. Paul Caine, presidente da On Location, afirmou que a demanda pela Copa do Mundo de 2026 “está superando nossas projeções mais ambiciosas, com vendas bem à frente do esperado”, e que o resultado “reflete o apetite global pelo que será o programa de hospitalidade mais bem-sucedido da história das Copas do Mundo”. 

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Verdade que foi possível ver muitos camarotes vazios em várias partidas da fase de grupos – a Fifa não comenta o assunto – mas à medida que o torneio avança, o apetite pela exclusividade tende a aumentar. Mesmo ingressos normais estão inflacionados, e um tíquete para as quartas-de-final em Miami, onde o Brasil joga se passar pela Noruega nas oitavas, já passa de 4 000 dólares e ninguém duvida que vá lotar. O torcedor abre a carteira, e a Fifa fatura.

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