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Como Gustavo Scarpa, do Palmeiras, virou influenciador literário na web

Além das traves adversárias, o jogador de 27 anos anda balançando também as redes sociais

Por Caio Saad Atualizado em 13 ago 2021, 12h38 - Publicado em 14 ago 2021, 08h00
REFLEXÃO - Scarpa: “Doideira mesmo era quando eu ficava só no celular” -
REFLEXÃO - Scarpa: “Doideira mesmo era quando eu ficava só no celular” – Cesar Greco/S.E. Palmeiras

De onde veio a ideia de comentar livros no Instagram? Eu gostei muito de O Médico e o Monstro, que um amigo da preparação física do Palmeiras me deu, e resolvi postar minha opinião da maneira que eu falo mesmo, com frases curtas e descontraídas. As pessoas curtiram e virou uma brincadeira.

Você sempre gostou de ler? Sim, mas durante muito tempo eu só lia a Bíblia. Aí, há uns quatro anos, minha tia me deu a biografia do Steve Jobs, de Walter Isaacson, que abriu minha cabeça para a literatura. Resolvi, então, explorar outros gêneros e engatei.

Uma de suas resenhas mais comentadas é sobre Crime e Castigo, de Dostoievski. Assustou-se com as quase 600 páginas? Não achei a leitura difícil, não. A única coisa que me assustou foi a barbaridade da morte da mulher. Se a história é boa, quando você vê, já está quase no final.

O que seus colegas de time acham de tudo isso? Alguns zoam, falam que sou doido, embora eu ache que doideira mesmo era quando eu ficava só no celular. Outros me admiram, também querem ler. Acho bom quebrar o estereótipo de que atleta não liga para o lado intelectual. Adoro quando pessoas comentam que meu post foi a motivação que precisavam para abrir um livro.

A reação ao que escreve geralmente é boa? Toda vez que posto alguma coisa, recebo muitos retornos. Uns me dão razão, outros discordam do meu ponto de vista. Um post que rendeu muita polêmica foi quando eu comentei que a Capitu traiu mesmo o Bentinho em Dom Casmurro, de Machado de Assis. O debate é sempre bom.

Que livro você recomenda a quem quer começar a ler? Recomendo O Sol É para Todos, de Harper Lee, e A Revolução dos Bichos, do George Orwell. São de fácil leitura, simples de entender, mas são da hora, com mensagens boas. Outra dica é, depois de um livro grande, pegar dois pequenos, para dar uma aliviada. Para manter o ritmo, também tento mudar de gênero.

Por que você dedicou recentemente um gol a Jean Valjean, protagonista de Os Miseráveis, de Victor Hugo? Foi uma coisa de momento. Eu tinha acabado de ler o livro, o cara foi preso durante anos depois de ter roubado para alimentar a família. Pensei: este é para Jean Valjean.

Publicado em VEJA de 18 de agosto de 2021, edição nº 2751

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