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Como clube-empresa, Bragantino volta à Série A após 22 anos

Logo no primeiro ano da parceria com a Red Bull, equipe do interior paulista conquistou o acesso com cinco rodadas de antecedência

Totalmente repaginado, o Bragantino está de volta à Série A do Campeonato Brasileiro. Agora gerido pela empresa austríaca de bebidas energéticas Red Bull, o clube paulista bateu o Guarani por 3 a 1 na noite desta terça-feira, 5, no estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista, e conseguiu o acesso cinco rodadas antes do fim da Série B.

Campeão paulista em 1990 sob o comando de Vanderlei Luxemburgo e vice-campeão brasileiro no ano seguinte com Carlos Alberto Parreira como técnico, o clube não participa da Série A desde 1998. Os gols de Ryller, Pio e Pedro Naressi, todos na segunda etapa, colocaram fim à espera dos 5.709 torcedores que encararam a forte chuva para presenciar o retorno.

Muitos fãs apreciaram a nova combinação do cardápio do estádio: o tradicional sanduíche de linguiça, iguaria simbólica da cidade, agora acompanhado de energético. Seguindo os moldes das empreitadas de sucesso em Salzburg, na Áustria, e Leipzig, na Alemanha – ambos os clubes disputam atualmente a Liga dos Campeões – a Red Bull decidiu investir no Bragantino.

A fusão veio bem a calhar para os dois lados, já que o Bragantino sofria para pagar suas contas e se manter na Série B nos últimos anos, enquanto a empresa não conseguiu escalar as divisões do Brasileirão com o RB Brasil, seu braço inicial, sediado em Jarinu, que então passou a ser seu “time B”.

Os menos de 100 torcedores do Guarani, campeão brasileiro em 1978 e que hoje corre riscos de cair para a terceira divisão, gritaram “time de empresário” para provocar os anfitriões, que, por outro lado, não pareciam se importar. “Torcedor gosta mesmo é de ver o time ganhar. Essa parceria salvou o Bragantino, pois hoje está muito caro fazer futebol no interior e o próprio Guarani é prova disso”, afirmou o o presidente do clube de Bragança, Marquinhos Chedid.

Jogadores do Bragantino comemoram após gol de pênalti marcado por Pio

Jogadores do Bragantino comemoram após gol de pênalti marcado por Pio (Kaio Lakaio/VEJA)

O Bragantino pressionou durante a primeira etapa, com boa atuação do meia Claudinho, de 22 anos, um dos destaques do time. Outra atração, o experiente goleiro Júlio César, de passagem marcante pelo Corinthians, fez boas defesas nas poucas vezes em que foi exigido. O time da casa reclamou dois pênaltis não marcados, em duas supostas bolas na mão na área do Guarani. Na saída para o intervalo, Marquinhos Chedid esperou o árbitro no túnel para os vestiários para protestar.

Na nova gestão, os executivos da Red Bull têm total autonomia para tocar o futebol, enquanto Chedid, filho do histórico dirigente que batiza o estádio,  se responsabiliza por questões mais institucionais como representar o clube em reuniões com federações – e, claro, pressionar a arbitragem.

Já sabendo dos tropeços de América-MG e CRB, os clubes que poderiam adiar o acesso, o time dirigido pelo ex-zagueiro Antônio Carlos Zago se jogou ao ataque e chegou aos gols. Aos 17 minutos, Claudinho bateu falta e Ryller completou para as redes de cabeça. Dez minutos depois, Wesley sofreu pênati que Pio não desperdiçou. O gol que sacramentou a partida saiu em linda jogada de Pedro Naressi, aos 43 minutos. Ele enfileirou marcadores e chutou no ângulo. Já nos acréscimos, Bady descontou para o time de Campinas.

Com a vitória, o Bragantino chegou a 65 pontos, na liderança da Série B, e já não pode mais ser alcançado pelo Paraná, primeiro time fora do G4, que tem 50 pontos. Para 2020, a fusão será oficializada: o clube passará a se chamar Red Bull Bragantino e terá um novo escudo e um terceiro uniforme em vermelho, cor da patrocinadora.

Eufórico, o presidente Marquinhos Chedid repetiu a ambiciosa meta que já havia anunciado no início da parceria: “O Bragantino será o quinto time grande de São Paulo e esse estádio será reformado para um dia receber uma partida de Copa Libertadores.”

Torcida do Bragantino faz a festa após o apito final

Torcida do Bragantino faz a festa após o apito final (Kaio Lakaio/VEJA)

Comentários

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  1. Nossa… empresas de parabens!

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