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Como clube-empresa, Bragantino volta à Série A após 22 anos

Logo no primeiro ano da parceria com a Red Bull, equipe do interior paulista conquistou o acesso com cinco rodadas de antecedência

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 6 nov 2019, 10h30 - Publicado em 5 nov 2019, 23h47

Totalmente repaginado, o Bragantino está de volta à Série A do Campeonato Brasileiro. Agora gerido pela empresa austríaca de bebidas energéticas Red Bull, o clube paulista bateu o Guarani por 3 a 1 na noite desta terça-feira, 5, no estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista, e conseguiu o acesso cinco rodadas antes do fim da Série B.

Campeão paulista em 1990 sob o comando de Vanderlei Luxemburgo e vice-campeão brasileiro no ano seguinte com Carlos Alberto Parreira como técnico, o clube não participa da Série A desde 1998. Os gols de Ryller, Pio e Pedro Naressi, todos na segunda etapa, colocaram fim à espera dos 5.709 torcedores que encararam a forte chuva para presenciar o retorno.

Muitos fãs apreciaram a nova combinação do cardápio do estádio: o tradicional sanduíche de linguiça, iguaria simbólica da cidade, agora acompanhado de energético. Seguindo os moldes das empreitadas de sucesso em Salzburg, na Áustria, e Leipzig, na Alemanha – ambos os clubes disputam atualmente a Liga dos Campeões – a Red Bull decidiu investir no Bragantino.

A fusão veio bem a calhar para os dois lados, já que o Bragantino sofria para pagar suas contas e se manter na Série B nos últimos anos, enquanto a empresa não conseguiu escalar as divisões do Brasileirão com o RB Brasil, seu braço inicial, sediado em Jarinu, que então passou a ser seu “time B”.

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Os menos de 100 torcedores do Guarani, campeão brasileiro em 1978 e que hoje corre riscos de cair para a terceira divisão, gritaram “time de empresário” para provocar os anfitriões, que, por outro lado, não pareciam se importar. “Torcedor gosta mesmo é de ver o time ganhar. Essa parceria salvou o Bragantino, pois hoje está muito caro fazer futebol no interior e o próprio Guarani é prova disso”, afirmou o o presidente do clube de Bragança, Marquinhos Chedid.

Jogadores do Bragantino comemoram após gol de pênalti marcado por Pio Kaio Lakaio/VEJA

O Bragantino pressionou durante a primeira etapa, com boa atuação do meia Claudinho, de 22 anos, um dos destaques do time. Outra atração, o experiente goleiro Júlio César, de passagem marcante pelo Corinthians, fez boas defesas nas poucas vezes em que foi exigido. O time da casa reclamou dois pênaltis não marcados, em duas supostas bolas na mão na área do Guarani. Na saída para o intervalo, Marquinhos Chedid esperou o árbitro no túnel para os vestiários para protestar.

Na nova gestão, os executivos da Red Bull têm total autonomia para tocar o futebol, enquanto Chedid, filho do histórico dirigente que batiza o estádio,  se responsabiliza por questões mais institucionais como representar o clube em reuniões com federações – e, claro, pressionar a arbitragem.

Já sabendo dos tropeços de América-MG e CRB, os clubes que poderiam adiar o acesso, o time dirigido pelo ex-zagueiro Antônio Carlos Zago se jogou ao ataque e chegou aos gols. Aos 17 minutos, Claudinho bateu falta e Ryller completou para as redes de cabeça. Dez minutos depois, Wesley sofreu pênati que Pio não desperdiçou. O gol que sacramentou a partida saiu em linda jogada de Pedro Naressi, aos 43 minutos. Ele enfileirou marcadores e chutou no ângulo. Já nos acréscimos, Bady descontou para o time de Campinas.

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Com a vitória, o Bragantino chegou a 65 pontos, na liderança da Série B, e já não pode mais ser alcançado pelo Paraná, primeiro time fora do G4, que tem 50 pontos. Para 2020, a fusão será oficializada: o clube passará a se chamar Red Bull Bragantino e terá um novo escudo e um terceiro uniforme em vermelho, cor da patrocinadora.

Eufórico, o presidente Marquinhos Chedid repetiu a ambiciosa meta que já havia anunciado no início da parceria: “O Bragantino será o quinto time grande de São Paulo e esse estádio será reformado para um dia receber uma partida de Copa Libertadores.”

Torcida do Bragantino faz a festa após o apito final Kaio Lakaio/VEJA
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