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Como amistosos inúteis mudaram os caminhos até o título

Holanda, Itália e Inglaterra foram jogar contra Indonésia, San Marino e Irlanda. Melhor para os suíços, belgas e uruguaios, que agora são cabeças-de-chave

Por Da Redação 2 dez 2013, 11h47

Como o ranking da Fifa é feito a partir de uma média dos pontos acumulados, disputar amistosos inúteis contra seleções fracas só faz a pontuação cair, mesmo em caso de vitória

Indonésia, San Marino e Irlanda estão entre as seleções que mais influenciaram a montagem dos grupos da Copa do Mundo de 2014 – e nenhuma delas estará no Brasil no ano que vem. Explica-se: ao disputar partidas amistosas contra algumas das seleções mais tradicionais do planeta nos últimos meses, esse grupo de times modestos mudou a pontuação do ranking da Fifa justamente na hora de definir a lista dos oito cabeças-de-chave do Mundial. A Holanda, vice-campeã em 2010, foi avassaladora nas Eliminatórias, mas ao encarar os indonésios, baixou sua média de pontos e ficou fora do pelotão de elite para o sorteio de sexta-feira. O mesmo serve para a Itália, cuja vitória sobre a semiamadora equipe de San Marino mais atrapalhou do que ajudou na contagem dos pontos. A Inglaterra, mais uma ex-campeã mundial que não será cabeça-de-chave, empatou com a Irlanda (que está em 67º lugar no ranking) e também viu sua nota baixar. Esses jogos, que tiveram importância quase nula nos preparativos dessas fortes equipes, são a principal explicação para a inclusão de equipes como a Suíça e a Bélgica entre os oito que compõem o principal pote do sorteio na Costa do Sauípe. A última vez que uma seleção que não era cabeça-de-chave venceu uma Copa do Mundo foi no México-1986: a Argentina de Diego Maradona jogou num grupo encabeçado pela Bélgica.

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Os oito cabeças-de-chave – o Brasil mais as sete melhores equipes do ranking da Fifa -, foram definidos no ranking divulgado pela Fifa em outubro. Sem a disputa de amistosos como Holanda x Indonésia e Itália x San Marino, suíços e uruguaios não teriam entrado no grupo de elite – e seriam substituídos justamente pelos holandeses, em quinto lugar nesse ranking alternativo, e pelos italianos, em sétimo. De acordo com os critérios adotados pela Fifa, os jogos oficiais têm peso muito maior, enquanto os amistosos rendem pontuação relativamente pequena. Como o ranking é feito a partir de uma média dos pontos acumulados (pois nem todos os países disputam o mesmo número de jogos), disputar amistosos inúteis contra seleções fracas só faz a pontuação cair, mesmo em caso de vitória. A Holanda, que em 2010 obteve a maior pontuação possível num jogo ao eliminar o Brasil da Copa da África do Sul, certamente estaria entre os cabeças-de-chave caso não tivesse disputado amistosos sem importância. Um alerta importante para a seleção brasileira, que na próxima Copa não terá vaga garantida entre os cabeças-de-chave – e que, se continuar aceitando amistosos inexpressivos (os adversários são escolhidos por uma empresa de marketing esportivo que pagou pelos jogos), pode correr o risco de aparecer fora do pelotão de elite no sorteio para a Rússia-2018, mesmo voltando a disputar as Eliminatórias.

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