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Como a Copa vai obrigar o país a enfrentar seus problemas

Fórum promovido pela revista Exame discute as oportunidades de 2014. E até Nizan, da campanha 'imagina a festa', prevê um choque benéfico de realidade

Por Giancarlo Lepiani 4 dez 2012, 09h34

“Será a hora H das nossas deficiências�. Os problemas serão muito benéficos. A Copa dará� ao país uma nova urgência”, disse Nizan Guanaes. “A Copa do Mundo deverá ser uma combinação entre nossa capacidade de fazer e nossa disposição em aprender”, afirmou Aldo Rebelo

Faltando apenas um ano e meio para a Copa do Mundo, o país já começou a adequar suas expectativas em relação ao evento. Convencidos de que não serão capazes de fazer um Mundial irretocável – em função, por exemplo, dos avanços tímidos em áreas como mobilidade urbana e infraestrutura aeroportuária -, os brasileiros agora trabalham nas poucas soluções que ainda podem ser perseguidas a tempo de melhorar a recepção aos visitantes em 2014. Dentro desse contexto, os tropeços, dados como inevitáveis, ganham uma importância maior que os êxitos – e fazem das oportunidades perdidas pelo país desde 2007, quando foi confirmado pela Fifa como sede do evento, uma herança até mais importante que as melhorias concretas que o Mundial trará. “O grande legado da Copa será a insatisfação que ela vai provocar no país. Não podemos mais fugir de discutir nossos problemas”, afirma o publicitário Nizan Guanaes, chairman do Grupo ABC. Ele foi um dos participantes do fórum promovido pela revista Exame, da Editora Abril, que também publica VEJA, para discutir o que o país vai ganhar com o Mundial, na segunda-feira, em São Paulo.

Nizan é um dos responsáveis pela campanha publicitária que faz referência ao pessimismo do brasileiro em relação à Copa – a versão da cerveja Brahma transforma o “imagina na Copa” em “imagina a festa”. Nos anúncios da marca, o Mundial de 2014 é retratado de maneira ufanista, como uma enorme celebração em que tudo dá certo. O publicitário, no entanto, é muito mais cético que o tom das propagandas, reconhecendo que a Copa terá, sim, muitas falhas. “Não vamos resolver tudo. A Copa do Brasil não será a Copa da Alemanha. Vamos fazer do nosso jeito”, prevê. “Temos tudo para ganhar pontos nos quesitos em que somos fortes. Há coisas que nós fazemos melhor que os outros e que serão vistas por todos. Mas vai faltar força de trabalho qualificada, por exemplo. Em resumo, não há motivo nem para arrogância nem para derrotismo.” De acordo com Nizan, o Mundial marcará o momento em que o país ficará frente a frente com suas maiores dificuldades e não terá como fugir dessa realidade. “Será a hora H das nossas deficiências. As falhas e os problemas serão muito benéficos. O melhor dessa Copa é que ela vai colocar o país em comparação com o mundo. O Brasil estava concorrendo com ele mesmo e ganhou, pois o Brasil de hoje é claramente melhor que o Brasil do passado. A Copa dará ao país uma nova urgência.”

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Aldo Rebelo, ministro do Esporte, no fórum promovido pela revista Exame para discutir a Copa de 2014
Aldo Rebelo, ministro do Esporte, no fórum promovido pela revista Exame para discutir a Copa de 2014 VEJA

‘Otimismo crítico’ – Para o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o setor privado entendeu bem o que é possível conseguir graças à Copa. Em sua palestra no fórum da Exame, o homem de confiança da presidente Dilma Rousseff nos preparativos para 2014 concordou com os alertas feitos pelos executivos e negou que o governo esteja encarando o evento com uma dose exagerada de otimismo. “Vejo tudo com realismo. Ou melhor, com um otimismo crítico”, afirmou, prevendo que o país fará uma Copa “à altura das expectativas”. “Nossas estradas e aeroportos estarão perfeitos como os da Alemanha na Copa de 2006 ou de Londres na Olimpíada de 2012? Não. Mas não haverá nenhum problema que inviabilize o evento. A Copa não tem segredo”, garantiu. Assim como Nizan Guanaes, o ministro destaca a rara chance que o país terá de dar um salto qualitativo. “Não podemos deixar de aproveitar uma oportunidade como essa para enfrentar dois desafios: melhorar nossa capacidade nas áreas em que já somos bons e superar as deficiências onde ainda não sabemos fazer direito. Ou seja, a Copa deverá ser uma combinação entre nossa capacidade de fazer e nossa disposição em aprender.”

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