Clique e assine a partir de 9,90/mês

Comitê Olimpíco Internacional divulga recomendações contra o vírus zika

Comissão Médica do COI enviou memorando aos comitês e federações com alertas quanto a métodos de prevenção e repassou a sugestão de que mulheres grávidas não devem viajar a zonas com casos reportados da doença.

Por Da Redação - 29 jan 2016, 15h12

VEJA teve acesso, com exclusividade, a um memorando enviado pelo Comitê Olímpico Internacional nesta sexta-feira às entidades nacionais e federações esportivas com diretrizes de como atletas e membros de delegações estrangeiras devem se portar em relação ao vírus zika. Embora o discurso oficial ainda seja de que o Rio de Janeiro é um “ambiente seguro” para a realização de uma Olimpíada “bem sucedida e agradável”, o COI repassou algumas recomendações a todos que visitam áreas com casos reportados de zika como usar roupas apropriadas (calças e mangas compridas), especialmente nos períodos da manhã e no fim de tarde, “quando os mosquitos são mais ativos”.

Leia também:

Zika assusta imprensa mundial: ‘A Olimpíada sobrevive?’

Para OMS, ainda é cedo para confirmar a relação do zika com os casos de microcefalia

Continua após a publicidade

‘Zika vírus se propaga de forma explosiva nas Américas’, alerta OMS

Outra advertência feito pelo comitê internacional trata do caso específico das gestantes: “mulheres que pretendem ficar grávidas devem discutir seus planos de viagem com seu médico, para avaliar o risco de infecção com o vírus.” O COI repassa a informação de que, embora a OMS não confirme a recomendação, algumas autoridades nacionais já dizem ser perigoso viajar para áreas com zika durante a gravidez.

Abaixo, a íntegra do memorando (originalmente divulgado em inglês):

Prezados,

Continua após a publicidade

Por favor confiram abaixo as informações que a Comissão Médica do COI enviou hoje aos Comitês Olímpicos Nacionais e Federações Internacionais sobre o vírus Zika.

Vocês estão cientes do vírus Zika e de sua evolução nas Américas, inclusive no Brasil. O Brasil registrou seu primeiro caso em maio de 2015, e os funcionários da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam agora que 1,5 milhão de pessoas já foram infectadas no país. Enquanto a maioria dos casos não apresentam sintomas (cerca de 80%), e as pessoas que tiveram sintomas os têm por apenas dois a sete dias, também tem ocorrido um aumento anormal do número de bebês nascidos com microcefalia (defeito de nascença que afeta o tamanho da cabeça e o desenvolvimento do cérebro) no Brasil; e as autoridades estão tentando determinar se há uma conexão entre as duas. De fato, a OMS anunciou que vai convocar uma reunião na próxima segunda-feira para decidir se o vírus Zika deve ser tratado como uma emergência global.

Com isso em mente, o Comitê Olímpico Internacional (COI) está monitorando de perto a situação do Zika no Brasil. Nós também estamos em estreita comunicação com a OMS e com o Comitê Organizador Rio 2016 sobre esse assunto. De sua parte, Rio 2016 está em contato regular com o Ministério da Saúde brasileiro e com a Secretaria Municipal de Saúde, que são as autoridades responsáveis sobre assuntos de saúde no Brasil e no Rio. Todas as partes estão tomando medidas para abordar o tema, e estão acompanhando de perto a evolução.

Nesse contexto, um plano já foi posto em prática para os locais dos Jogos na preparação e durante os Jogos, que serão inspecionados diariamente para garantir que qualquer poça de água parada – onde os mosquitos se reproduzem – sejam removidas, minimizando, assim, o risco de atletas e visitantes entrarem em contato com os mosquitos. Rio 2016 também vai continuar a acompanhar as medidas de prevenção e controle do vírus fornecidas pelas autoridades, e irá proporcionar orientações relevantes para os atletas e visitantes dos Jogos.

Continua após a publicidade

Também é importante notar que os Jogos do Rio 2016 vão acontecer durante os meses de inverno de agosto e setembro, quando o clima mais seco e frio reduz significativamente a presença de mosquitos e, portanto, o risco de infecção.

Em geral, as autoridades brasileiras também estão tomando medidas significativas para lidar com o Zika, como o anúncio recente de que mais de 200 000 membros das forças armadas e trabalhadores de saúde serão acionados em todo o país, indo de casa em casa para distribuir panfletos e dar conselhos sobre como combater os mosquitos e o vírus. O conselho atual para quem visita áreas com Zika é:

  • Todos os viajantes para áreas com transmissão ativa de Zika devem tomar medidas para evitar picadas de mosquitos, tanto durante o dia, quanto à noite (mas especialmente durante o meio da manhã e do final da tarde até o anoitecer, quando os mosquitos estão mais ativos). Essas medidas incluem o uso de roupa apropriada com calças e mangas compridas, e o uso de repelentes de insetos. Os viajantes devem obter aconselhamento adicional das autoridades de saúde locais.
  • Mulheres que estão planejando engravidar devem discutir seus planos de viagem com seus médicos, para avaliar o risco de infecção pelo vírus Zika e receber aconselhamento sobre medidas de prevenção de picadas de mosquito.
  • Embora a OMS atualmente não recomende nenhuma alteração de planos de viagem, algumas autoridades nacionais, como precaução, recomendam que mulheres grávidas considerem evitar viagens para áreas onde a transmissão do vírus Zika está ocorrendo. Se a viagem foi inevitável, ou se elas vivem em áreas onde o vírus Zika é relatado, elas devem tomar medidas para evitar as picadas de insetos.

O COI permanece em contato estreito com a OMS para garantir que temos acesso às informações e orientações mais atualizadas, de agora até os Jogos. Ao mesmo tempo, os Comitês Olímpicos Nacionais devem consultar suas respectivas autoridades de saúde para obter aconselhamento e orientação.

Permanecemos confiantes que teremos um ambiente seguro para Jogos Olímpicos bem sucedidos e agradáveis no Rio de Janeiro.

Publicidade