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Comitê do Rio 2016 mantém diretor acusado pelo MP

Por Da Redação - 13 jan 2012, 17h16

Por Tiago Rogero

Rio – O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio informou nesta sexta-feira que não vai afastar o diretor de segurança da entidade, Luiz Fernando Corrêa, alvo de ação do Ministério Público Federal (MPF), no Distrito Federal, por improbidade administrativa. Em 2007, quando era secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa esteve à frente de processo que contratou, sem licitação, R$ 170 milhões em equipamentos para o Pan do Rio. Segundo o MPF, houve sobrepreço de, no mínimo, R$ 18 milhões.

Os equipamentos foram adquiridos pelo Ministério da Justiça para a área de tecnologia em segurança do evento, junto ao consórcio Integração Pan, formado por 11 empresas. O MPF, que desconfiou da compra sem licitação, começou a investigação em 2007. O órgão solicitou ao Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal que analisasse o valor dos produtos, para conferir se eram compatíveis com o mercado.

A maior parte dos R$ 170 milhões, no entanto, não pôde ser analisada pelos peritos. Segundo eles, não seria possível analisar os preços dos equipamentos importados, pois os valores mudaram muito desde 2007. “A perícia se concentrou em R$ 40 milhões e, após uma avaliação cuidadosa, constatou que eles deveriam ter custado R$ 22 milhões”, informou a assessoria de imprensa do MPF.

A ação foi ajuizada pelo procurador Paulo Galvão em junho de 2010 – um mês após Luiz Fernando Corrêa assumir o cargo na organização dos Jogos de 2016. A assessoria de imprensa do Comitê, no entanto, informou ainda não ter sido informada oficialmente sobre o caso. O processo, na 8ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, está em fase de notificação dos réus para apresentação de defesa prévia. Não há prazo para quando Luiz Fernando Corrêa será convocado a depor.

A ação está sendo movida também contra o delegado Odécio Rodrigues Carneiro, que foi coordenador-geral de tecnologia e informação da PF durante o Pan de 2007, e três empresas do consórcio, que tinha como líder a Motorola. De acordo com o MPF, as três foram responsáveis pela venda dos R$ 40 milhões periciados. Portanto, caso seja constatada irregularidade nos R$ 130 milhões ainda não analisados, outras empresas também podem ser citadas.

Na última quarta-feira, o delegado Odécio Rodrigues Carneiro pediu demissão do cargo de diretor de logística da secretaria de segurança para grandes eventos do Ministério da Justiça. Ele e Luiz Fernando Corrêa não foram encontrados pela reportagem para comentar o caso. E a assessoria de imprensa da Motorola informou que, por não ter conseguido contato com os executivos da empresa, não vai se pronunciar.

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