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Com vida de Caldeira organizada, D’Angelo projeta recorde em Londres

O que você quer? Aonde quer chegar? Qual é o seu potencial? O fundista Franck Caldeira ouviu essas perguntas de Ricardo D’Angelo ao iniciar a parceria com o ex-técnico de Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004. Com a vida do atleta organizada dentro e fora das pistas, o comandante aposta em um novo recorde pessoal para o pupilo em Londres-2012

‘O percurso é praticamente plano e no verão em Londres a temperatura não passa dos 23 C. São condições climáticas em que o Franck está acostumado a correr bem e ele tem condições de melhorar o próprio resultado na Olimpíada. Poucos atletas conseguem a melhor marca pessoal em grandes competições. Se ele conseguir, provavelmente pode terminar entre os 10 ou 15 melhores’, apostou D’Angelo

Campeão da Corrida Internacional de São Silvestre-2006 e da maratona dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro-2007, Caldeira entrou em decadência após assinar com o Cruzeiro. O atleta admite que perdeu o foco durante a fase de ‘marqueteiro’ no clube mineiro e, ao encontrar o ex-técnico do medalhista olímpico, estava com um cotidiano incompatível com o de um atleta de alto rendimento.

‘O Franck não tinha uma rotina, não tinha um objetivo. Ele corria uma prova ali, outra aqui. Treinava um pouco, corria outra prova. Sentamos e conseguimos organizar a vida dele. Faltava disciplina. Era um potencial com uma vida desorganizada. Ele tem isso muito claro agora e conseguiu absorver o quanto é importante treinar com uma meta e ter uma rotina não apenas do ponto de vista de treino, mas também de planejamento’, declarou o comandante.A primeira grande empreitada de Franck Caldeira e Ricardo D’Angelo, juntos desde setembro do ano passado, foi a Maratona de Fukuoka, no último mês de dezembro. Depois de sofrer uma lesão durante a preparação, o brasileiro terminou apenas na 18colocação com a marca de 2h20m47s, ainda longe do índice exigido para garantir a vaga em Londres

Com a vida organizada, apesar do pouco tempo de trabalhado ao lado de D’Angelo, Caldeira conseguiu a vaga olímpica em grande estilo. O brasileiro alcançou o índice ao terminar a Maratona de Milão na sexta colocação com o tempo de 2h12min03. Desta forma, bateu o próprio recorde na distância – o melhor tempo anterior era de 2h12min32s

‘Ele ainda está se adaptando, já que estamos com uma nova sistemática de treino e de trabalho. A classificação olímpica mostrou que nosso trabalho está no caminho certo. Ele entendeu que essa fase anterior já passou e agora está com a cabeça em Londres e no próximo ciclo olímpico, porque é um atleta de grande potencial e já mostrou isso com os títulos da São Silvestre e da maratona do Pan’, afirmou o técnico.

Nos últimos anos, Caldeira correu uma série de provas de baixo nível técnico e se afastou das maratonas de alto nível, prioridade a partir da parceria com D’Angelo. Antes dos Jogos de Atenas, Vanderlei Cordeiro de Lima também não estava cotado para subir ao pódio mas, aos 36 anos, já contava com uma sequência de boas marcas na distância.’O Vanderlei já tinha corrido 2h08min várias vezes, 2h09min, 2h10min. O Franck, ainda não. Ele precisa de mais experiência e precisa correr a maratona mais rápido. A marca que ele fez já foi suficiente para ir a Londres, mas ele tem potencial para correr muito mais rápido. Quando estiver correndo mais rápido e mais vezes, as chances melhoram em qualquer competição. Aos 29 anos, ele tem mais oito ou 10 anos de maratona e está com cabeça para isso’, disse D’Angelo

Franck Caldeira terá a companhia de Marílson Gomes dos Santos e Paulo Roberto de Almeida Paula nos Jogos Olímpicos de Londres. Damião Ancelmo de Souza e Solonei Rocha da Silva também alcançaram o índice, mas a equipe brasileira para o evento tem apenas três vagas. No feminino, Adriana Aparecida da Silva será a única representante do Brasil na Inglaterra.