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Com Ronaldo, grandes de SP anunciam novo modelo de sócio-torcedor

O chamado G-4 paulista voltou a se reunir nesta segunda-feira. Reforçados pelas presenças dos presidentes de Portuguesa e Ponte Preta (outros representantes do Estado na Série A do Campeonato Brasileiro), os mandatários dos quatro grandes clubes de São Paulo estiveram juntos no Museu do Futebol para anunciar um patrocínio em comum. O projeto que conta com o apoio dos ex-jogadores Ronaldo e Cafu e de Aldo Rebelo, ministro do Esporte, prevê até a criação de um novo modelo para os programas de sócio-torcedor.

Pelo acordo, a cervejaria Brahma substituiu a concorrente Kaiser como parceira do G-4. Conforme explicado pelos funcionários da Ambev e divulgado pelo publicitário Nizan Guanaes, a empresa não pretende ser uma mera distribuidora de bebidas, mas também apoiar os clubes em obras de infraestrutura e gestão de recursos – como já ocorre no Rio de Janeiro. Uma das ideias é angariar sócios-torcedores interessados não apenas em ingressos para jogos de futebol. Pelo preço de R$ 20 a R$ 40 ao mês, os novos associados ganhariam principalmente descontos na compra de produtos de fabricantes aliadas.

Animados com a geração de receitas alternativas para o futebol paulista, os presentes no encontro chegaram a falar em transformar o Campeonato Brasileiro na melhor das competições nacionais a partir de 2015, um ano após a Copa do Mundo do Brasil. Ronaldo, alçado de garoto-propaganda da Brahma a empresário no negócio, bradou: ‘Vemos muitas crianças com camisas de Real Madrid e Barcelona, sendo que poderiam torcer por times locais. Vamos dar relevância ao nosso futebol. Historicamente, somos os melhores. E continuaremos sendo por muitos anos’.Ronaldo fez questão de cumprimentar todos os presidentes de clubes – inclusive Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, do Santos, de quem já discordou publicamente pelo fato de ser favorável à ida de seu cliente Neymar ao futebol europeu. ‘Essa união dos clubes é o maior desafio da nossa agência, a 9ine, que é pequena e nova. Passei boa parta da minha vida jogando na Europa e sei que essa é uma grande possibilidade de obtermos receitas. Coincidentemente ou não, o futebol brasileiro tem melhorado desde o meu retorno para cá. Os clubes estão criando meios de trazer grandes jogadores e revelar mais. Esse projeto de sócio-torcedor é muito importante’, declarou.

Apesar da iniciativa de crescimento com programas conjuntos, os rivais paulistas ainda estão distantes de uma completa aproximação. A intriga entre Corinthians e São Paulo foi muito exacerbada nos últimos anos, quando Andrés Sanchez estava na presidência do clube do Parque São Jorge. Seu sucessor Mário Gobbi (que trocou diversas gentilezas com Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, do Santos, e Arnaldo Tirone, do Palmeiras) manteve-se afastado de Juvenal Juvêncio durante todo o evento desta segunda-feira.

Juvenal, inclusive, arrancou risos de Ronaldo por sua maneira inflamada de se pronunciar em público. ‘Com esse novo sócio-torcedor, a dona de casa que for ao supermercado agora encontrará uma contrapartida do entretenimento de futebol do marido’, afirmou o dirigente, lembrando que é preciso ter novas fontes de renda para combater as despesas. ‘Pago R$ 170 mil de conta de água por mês. Como faço? A minha arrecadação no jogo de ontem deu um número tão insignificante que não sei nem qual foi’, lamentou, sobre o público de 9.729 pagantes que assistiu à vitória por 1 a 0 sobre o Bahia no Morumbi.O consenso entre os dirigentes foi de que a união que celebramos com a Ambev é um dos meios para combater os problemas financeiros de cada um. ‘É uma nova etapa do futebol, o grande oxigênio do povo brasileiro’, definiu o palmeirense Arnaldo Tirone, enquanto seu colega santista não se cansava de se orgulhar por ter sido decisivo para a permanência de Neymar no Brasil. ‘Resistir a um cheque polpudo, que arcaria com todas as dívidas construídas anteriormente, foi um ato simbólico da nossa parte. Eu me senti uma espécie de Simon Bolívar quando recusei as propostas da Europa’, disse Luis Álvaro Ribeiro, referindo-se a um dos libertadores da América espanhola.

Mário Gobbi se divertiu com o discurso do presidente do Santos e aproveitou para se dirigir a Aldo Rebelo. ‘É triste falar isso, senhor ministro, mas quero lembrar que o futebol deixou de ser o esporte do povo. O povo não tem mais acesso porque o futebol está encarecendo, e nós precisamos fazer alguma coisa. A parceria que divulgamos vem para ajudar o futebol a voltar a ser o esporte a que a população mais tem acesso. Os torcedores querem um time campeão, o que requer custos altíssimos’, argumentou o mandatário do Corinthians.

Atentos à chance de aumentar as receitas, os presidentes de clubes de fora do G-4 também se manifestaram. O ponte-pretano Márcio Della Volpe, que gostou quando o ex-lateral Cafu contou ter uma churrasqueira com o distintivo do time de Campinas, sugeriu até a ampliação do grupo. Como provocação, Luis Álvaro de Oliveira Ribeira propôs a inclusão também do Guarani, maior rival da Ponte Preta. Já Manuel da Lupa abriu um largo sorriso quando alguém se referiu à Portuguesa como ‘Barcelusa’. No final, todos brindaram com latas de cerveja.