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Com preços inflacionados, bares não têm sanduíche nem nota fiscal

Refrigerante aumentou 30%, funcionários foram orientados a mentir sobre comida e empresa não emitia cupom fiscal

Se a festa da cerimônia de abertura preparada e transmitida para o mundo inteiro arrebatou corações, nos bastidores a organização falhou em algumas esferas bem mais simples. A principal delas, a alimentação. Os bares do Maracanã não tinham sanduíches (nem os mais básicos cachorro quente e hambúrguer) e o preço do refrigerante sofreu um aumento de 30% em relação aos preços praticados para o torcedor dos clubes cariocas. Pior. Os funcionários ainda foram orientados a mentir  para os que tentavam consumir.

“O cheeseburguer está em processo de produção”, repetiam os atendentes a cada pessoa que tentava comprar o sanduíche. Questionadas, duas funcionárias admitiram que não havia a iguaria: “Mandaram a gente falar isso, né?! Então a gente fala”, contou uma delas.

A maioria, aliás, não falava uma palavra de inglês, o que em determinados momentos dificultava o andamento da fila. A orientação, então, era expor os produtos que efetivamente estavam à venda na bancada: amendoim, biscoito polvilho e batata chips.

No crachá dos funcionários, aparece o nome da empresa Food Team, que detém a concessão dos bares do estádio desde a Copa das Confederações, em 2013. Mas o cliente que pedia uma nota fiscal recebia outra resposta padrão: “Não temos aqui. Se o senhor quiser, temos que ir até lá embaixo para adquirir”. Outra mentira.

O site de VEJA decidiu seguir a orientação e foi, junto com a gerente de um dos bares, que no meio do caminho explicou: “Olha, o que podemos fazer é deixar o senhor fotografar sua fichinha, mas não pode mantê-la, porque preciso para a prestação de contas interna”, disse a gerente, que pediu para não ser identificada. Nenhum responsável pela empresa foi localizado pelo site de Veja para comentar a ausência de nota fiscal e do problema da falta de comida.