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Com polichinelo e bola em vez de musculação, São Paulo começa a rir

O clima do treino do São Paulo na manhã desta terça-feira nem parecia o de um time que não vence há oito rodadas no Brasileiro e corre sérios riscos de ficar fora da Libertadores novamente. Mesmo os atletas pouco se incomodaram com as duas horas de atividade cheia de risadas por conta da ordem de Emerson Leão em punir quem errava com polichinelos.

‘O grupo conduz o próprio treinamento. O mais importante é terminar o treino com alegria. E é o que sentimos’, apontou o treinador, que fazia os próprios atletas contarem as dez vezes que um companheiro deveria pular mexendo braços e pernas simultaneamente como castigo a um equívoco.

Os trabalhos no CCT da Barra Funda começaram cedo, como gosta Leão, às 9 horas (de Brasília). O primeiro passo foi uma conversa de cerca de 30 minutos do chefe com o elenco no gramado. Depois disso, somente exercícios com bola, primeiramente em atividade técnica com troca de passes e domínio em embaixadinhas.

Mais tarde, o treinador comandou prática de finalizações e cruzamentos, mesmo sem Juan, Rogério Ceni e Luis Fabiano, poupados. O grupo dos que atacavam, com dois, três ou quatro jogadores, tinham três oportunidades de fazer gol. Se não marcassem nenhum, eram obrigados a ‘pagar’ polichinelos. ‘Os mais inteligentes vão pagar menos’, divertiu-se Leão após o treino.

É dessa maneira que ele pretende mudar o astral de um elenco que chegou às suas mãos com fama de falta de comprometimento. ‘Exigir e relaxar é muito bom, eles treinam sem perceber a hora passar. E executam fundamentos, têm o auxilio físico e fazem o que adoram: ficam com a bola em todos os momentos.’

A seis jogos do final da temporada, a preocupação de Leão é ter menos musculação e mais atividades que motivem o grupo, trabalhando com bola. ‘Busco a essência do futebol: domínio e fundamento para realização melhor na finalização’, explicou o treinador, que, apesar da tentativa de gerar alegria, segue seu estilo exigente.

Durante a atividade, Emerson Leão se incumbiu de treinar os atacantes, enquanto os defensores ficaram sob o comando de seu sobrinho e auxiliar Fernando Leão. O técnico, contudo, mostrou ser muito mais exigente, dando gritos e orientações a cada toque na bola.

‘Cobro mais e vou ensaiando detalhes. Às vezes, um detalhe que o jogador de qualquer idade traz desde a infância pode ser corrigido em uma palavra e na demonstração de posicionamento. Repetição com técnica dá confiança melhor para ele bater na bola como não batia’, argumentou Leão, já com um alerta aos seus jogadores.

‘Como o coletivo é amanhã [quarta-feira], a carga positivo da semana foi hoje [terça-feira]. Mas amanhã, quando realizarem um chute a gol, terão que pensar no treino de hoje. Se não, tenham absoluta certeza de que vou chegar na orelha deles para falar’, avisou, com um sorriso bem mais ameaçador.