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Com futuro indefinido, Anderson chora e pede para treinar

A cirurgia na perna esquerda durou duas horas. Ainda na recuperação, o ex-campeão quis saber se voltaria ao tatame em seis meses. Anderson retorna a Los Angeles nesta segunda (de carro, pois não pode voar) para rever família

Por Davi Correia, de Las Vegas 30 dez 2013, 06h28

Ao sair do pós-operatório, o ex-campeão não segurou as lágrimas. Depois de recuperar o gosto pelo desafio de subir ao octógono, perder de uma forma tão frustrante foi o maior golpe sofrido por Anderson em Vegas

Foi a primeira vez que o brasileiro Anderson Silva não desceu as escadas do octógono do UFC. Na madrugada de domingo, em Las Vegas, o ex-campeão dos médios sofreu a mais grave lesão da sua carreira ao chutar o americano Chris Weidman na última luta de 2013. Apesar de todas as especulações sobre uma possível aposentadoria, Anderson Silva ainda não se pronunciou sobre seu futuro – o ídolo só se manifestou via Twitter, em duas curtas mensagens aos fãs. Na mais recente, na noite de domingo, agradeceu aos torcedores pelas mensagens de apoio e carinho. Ele recebeu alta médica na madrugada desta segunda-feira (noite de domingo em Las Vegas) e deverá ser levado para sua casa, nos arredores de Los Angeles, à tarde (no horário local), de carro – ainda está proibido de viajar de avião. Sua primeira pergunta para a equipe médica que o atendeu no University Medical Center de Las Vegas foi se conseguiria voltar a treinar dentro de seis meses – um sinal claro de que o Spider não conseguirá ficar distante das artes marciais por muito tempo.

Isso não quer dizer que ele já pensa em voltar a lutar profissionalmente: a idade (fará 39 anos em abril) é um fator a ser levado em consideração, mesmo com a saúde privilegiada de um atleta que até hoje não tinha mostrado qualquer sinal de desgaste. Ainda assim, a parte física parece não ser a mais importante para que Anderson decida seu futuro: mesmo depois de uma lesão tão brutal, o ex-campeão parece estar mais abalado com a forma traumática que sua tentativa de recuperar o cinturão foi interrompida do que com as dores do pós-operatório. Para garantir um bom começo de recuperação para o brasileiro, Dana White e Lorenzo Ferttita se colocaram à disposição do brasileiro para ajudá-lo com o que fosse necessário. Os chefões do UFC prolongaram as diárias da equipe técnica e da segurança de Anderson no hotel e cassino MGM para que todos pudessem estar com o ex-campeão depois da cirurgia .

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Os gritos de dor e as lágrimas escorrendo pelo rosto do brasileiro enquanto ele era tirado do octógono numa maca eram apenas o começo de uma longa e complicada jornada para o atleta, que terá de se deparar com a mais difícil das decisões para um ídolo do esporte: continuar competindo ou sair de cena? Anderson Silva já vinha pensando no assunto há alguns anos. Por causa das vitórias inquestionáveis e do desempenho em altíssimo nível, porém, o maior lutador de MMA de todos os tempos ainda não tinha precisado tratar seriamente da questão até hoje.O ex-campeão estava extremamente preocupado e tenso ao chegar ao hospital, depois de um percurso de cerca de dez minutos desde a MGM Grande Garden Arena. Logo foi encaminhado para a cirurgia, que durou cerca de duas horas. Ainda sob o efeito dos anestésicos da operação, ele acordou às 4 horas de domingo (no horário de Las Vegas) e deixou uma mensagem para o seu agente, Hebert Motta. “Não sei se já pode entrar alguém aqui, mas, por favor, não me deixem sozinho”, disse o lutador, com voz de quem tinha acabado de acordar da anestesia.

Algumas horas depois, já recuperado e fora da sala do pós-operatório, Anderson Silva não conseguiu controlar as emoções e voltou a chorar. Não tanto pela sua segunda derrota consecutiva – é a primeira vez que ele perde dois desafios em sequência -, mas pelo desfecho absolutamente chocante e decepcionante do UFC 168. Depois de um trabalho irretocável de preparação física e técnica para a luta – e depois de recuperar o gosto pelo desafio de subir ao octógono -, perder de uma forma tão frustrante foi o maior golpe sofrido por Anderson em Vegas. Horas depois, já mais tranquilo e cercado por boa parte da sua equipe, ele recebeu a visita de Dana White e de outros amigos que estavam na cidade para acompanhar a revanche. O reencontro mais emocionante foi com o ex-lutador Roy Jones Jr., com quem o brasileiro ainda espera fazer uma luta de exibição de boxe. Os dois se abraçaram, Anderson chorou e o americano falou o que o brasileiro mais tem ouvido desde o choque sofrido no octógono: que é hora de voltar para casa e ficar com a família. Pensar no retorno ou na aposentadoria� pode ficar para depois.

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