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Com banho de chuva, Joca busca bicampeonato na Volvo Ocean Race

Nove meses empenhados em uma volta ao mundo a bordo de um veleiro. Essa é a missão dos tripulantes dos seis barcos que participam do Volvo Ocean Race, o mais longo evento desportivo do mundo. Os competidores enfrentam condições extremas para chegar ao final do evento.

Dentre os 66 participantes dessa corrida em alto mar, está um brasileiro, Joca Signorini, membro da equipe Team Telefônica. Essa é a terceira vez que o carioca participa deste evento. A primeira foi a bordo do Brasil 1 e a segunda com o Ericsson 4, barco campeão na edição de 2008/2009.

A corrida exige muitos sacrifícios dos tripulantes, obrigados a se adaptar ao duro conjunto de tarefas dentro do barco. ‘A primeira noite é bem difícil porque tem que começar a se adaptar a rotina do barco’, comentou Joca em entrevista a GE.Net.

‘Nos dividimos em dois turnos em que velejamos e descansamos. São quatro horas de trabalho para quatro horas de descanso, então a gente não têm um sono contínuo. Tudo isso demora para se acostumar, são dois ou três dias de adaptação’, explica Joca. ‘Mas também quando desembarcamos, estamos tão acostumados a dormir ?picado’ que acordamos no meio da noite’, concluiu.

A função de Joca no barco é de chefe de turno (watch leader). É ele o responsável por tomar decisões imediatas durante seu turno. O outro tripulante que exerce a mesma função é o britânico Neal McDonald.

‘São 24 horas por dia na mesma rotina tentando manter o máximo de performance’, acrescentou. Algumas mudanças podem acontecer no regrado dia de navegação, mas nem sempre isso significa uma vantagem. ‘Algumas manobras exigem que todos participem e se você estiver em seu turno de descanso, você perde isso.’A folga não é usada apenas para dormir. Esse tempo tem que ser aproveitado para os velejadores se alimentarem e cuidar da higiene pessoal. Joca garante que a comida não é das mais saborosas. ‘É uma massa com carne ou um arroz com alguma coisa e completamos a alimentação com barras energéticas’.

O barco tem que viajar o mais rápido possível, por isso não há espaço para luxo. ‘O conforto é mínimo’, garante o brasileiro. Não há espaço sequer para o armazenamento de água, mas a solução é encontrada por todos os lados: o mar. ‘Usamos um sistema desalinizador, que tira o sal da água, e acrescentamos alguns minerais’, conta Joca.

Quanto às questões de higiene, também é preciso aproveitar-se da natureza. ‘Banho só quando chove’, revela o carioca. ‘Usamos alguns cremes para higiene pessoal, para não desenvolver infecções’, explica.

As condições extremas pelas quais os tripulantes passam começam pelas temperaturas enfrentadas. Elas podem ser de 15 C negativos, em regiões próximas aos pólos, ou podem atingir até 45 C, quando os competidores cruzam o Equador.

Além dos primeiros dias, que exigem a difícil adaptação à rotina da embarcação, Joca Signorini destaca como um dos trechos mais difíceis a passagem pelo Atlântico Sul.

‘A velocidade do barco aumenta muito nesse trecho, foi onde eu bati o recorde quando estava no Ericsson. Nesse ano chegamos a uma velocidade bastante alta, mas não foi o suficiente para um recorde’, relatou. O Ericsson 4 detém o recorde de velocidade, com 594 milhas náuticas percorridas em 24 horas.

Até o momento, a equipe de Joca segue na liderança com 71 pontos, sete a mais que o segundo colocado Camper. O terceiro é o barco Groupama Sailing Team, com 51 pontos, seguidos pelo PUMA Ocean Racing, com 36, Abu Dhabi Ocean Racing, com 31, e o Team Sanya, lanterninha com apenas 11 pontos.

O bicampeonato na Volvo Ocean Race é uma das metas de Joca Signorini, mas o carioca também pensa em Olimpíada. Ele participou de Atenas-2004 e tem pretensões para as disputas de 2016, no Rio de Janeiro.

‘Eu gostaria de participar, se tivesse a oportunidade de fazer uma preparação para o Rio’, comentou. No entanto, a ambição de Joca é por uma boa apresentação e não meramente uma participação. ‘Teria que ter um trabalho coordenado, não participaria só por participar. Teria que ser brigando por medalha’, projetou Joca.