Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

COI passará a convidar cidades que poderão sediar Jogos

Dor de cabeça com Olimpíada de Inverno de 2022 faz comitê ensaiar novidade

Por Da Redação 24 out 2014, 08h56

“No futuro, queremos convidar cidades com potencial para uma candidatura a estudar como os Jogos Olímpicos podem se inserir em seu ambiente social, esportivo, econômico e ecológico”, diz Thomas Bach

Insatisfeita com o processo de escolha das sedes olímpicas, a cúpula do Comitê Olímpico Internacional (COI) deve passar a tomar a iniciativa e convidar as cidades que considera possíveis candidatas a receber os Jogos. Se hoje as sedes são escolhidas num processo em que as interessadas se apresentam e mostram suas propostas, no futuro o COI poderá trabalhar de outra forma, apontando por conta própria quais cidades têm condições adequadas para abrigar os megaeventos. Essa possibilidade foi revelada nesta sexta-feira, na conclusão de uma reunião de dois dias da junta executiva do comitê, em Montreux, na Suíça. Foram aprovadas quarenta propostas que serão votadas numa reunião do plenário da entidade, no início de dezembro, em Mônaco. Um dos principais pontos é justamente a reforma do processo de candidaturas olímpicas, que assumirá mais a forma de um convite para conversas do que a de inscrição em um processo seletivo. Mudar o processo de escolha das sedes seria uma das prioridades do presidente do COI, o alemão Thomas Bach.

Leia também:

Empresa que venderá ingressos da Rio-2016 é investigada

Rio-2016: presidente do COI agora aprova os preparativos

Continua após a publicidade

‘Brasil dará prioridade absoluta à Olimpíada’, afirma o COI

O assunto ganhou força depois da recente desistência de Oslo, capital da Noruega, da disputa para sede dos Jogos de Inverno de 2022. Com a saída dos noruegueses da briga, só duas candidatas restaram: Pequim (China) e Almaty (Casaquistão). Além de não agradarem totalmente ao COI, essas candidaturas são cada vez mais criticadas pela opinião pública das cidades envolvidas, assustadas com os custos estratosféricos de realização dos Jogos. A cidade russa de Sochi organizou a última edição da Olimpíada de Inverno, em janeiro deste ano, ao custo de 51 bilhões de dólares, o equivalente a 126 bilhões de reais. Thomas Bach disse que o objetivo é mudar o processo para que ele se torne algo parecido com um “convite para discussões e parceria com o COI”. “No futuro, queremos convidar cidades com potencial para uma candidatura a estudar como os Jogos Olímpicos podem se inserir em seu ambiente social, esportivo, econômico e ecológico. Só depois elas apresentariam seu plano para nós”, explicou. “Aí o COI estará pronto para conversar e para dar conselhos, ao invés de simplesmente julgar o que for apresentado.”

Apesar dos problemas ligados aos Jogos de Inverno de 2022, Bach garantiu que existe um forte interesse de cidades que cogitam candidaturas a sede dos Jogos Olímpicos de 2024. Segundo ele, há cidades interessadas nos Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, África do Sul e Catar. O pacote de reformas está no centro da “Agenda Olímpica 2020”, uma transformação ensaiada por Bach para o futuro do movimento olímpico. As visitas de membros do COI a cidades aspirantes continuam proibidas. O veto foi instaurado depois do escândalo da compra de votos, em 1999, para a vitória da candidatura de Salt Lake City, nos Estados Unidos, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002. Dez membros renunciaram ou foram expulsos por terem aceito dinheiro, presentes ou viagens. “Espero que os membros da minha junta executiva me perdoem, mas não haverá mudanças nesse sentido”, disse o dirigente. Outra proposta importante é a flexibilização do programa de esportes, abrindo a possibilidade de o beisebol e o softbol, esportes popularíssimos no Japão, serem incluídos nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Também ganhou apoio o plano de criar um canal de TV olímpico.

(Com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade

Publicidade