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COI mantém proibição a protestos durante Jogos Olímpicos de Tóquio

Segundo Comissão de Atletas, pesquisa entre esportistas ajudou a ratificar decisão, mas entidades e outros nomes importantes já se manifestaram contra

Por Da Redação 21 abr 2021, 18h48

Atitudes como a dos atletas americanos Tommie Smith e John Carlos, medalhistas nos 200 metros rasos da Olimpíada do México, em 1968, quando baixaram as cabeças e levantaram os braços com os punhos fechados no pódio, durante a execução do hino dos Estados Unidos, não serão toleradas no Japão. Ficar de joelhos como fazem os jogadores de futebol americano ao se manifestar contra as mortes de pessoas negras pela polícia também está vetado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). O órgão manteve nesta quarta-feira a proibição a protestos de atletas dentro de estádios, cerimônias e pódios.

Vale dizer que, no movimentado ano de 1968, Smith, Carlos e até o outro medalhista, o australiano Peter Norman, que estaria usando um broche do Projeto Olímpico pelos Direitos Humanos, foram punidos. Embora a Regra 50 proíba os atletas de protestar nos Jogos, não há muita clareza sobre o que conta como “protesto”. As novas diretrizes especificam exemplos, incluindo a exibição de mensagens políticas em placas ou braçadeiras, ajoelhar-se, interromper cerimônias de medalhas ou fazer gestos políticos com as mãos. Após consultar os atletas, o órgão concluiu que a famosa regra deve ser mantida.

Peter Norman, Tommie Smith e John Carlos
Peter Norman, Tommie Smith e John Carlos no pódio dos Jogos de México, em 1968 – Angelo Cozzi/ Wikimedia Commons//Domínio Público

Inspirados pelo movimento Black Lives Matter, em protesto contra a injustiça racial, aumentaram os pedidos nos últimos meses para uma mudança nessa regra que permitiria aos atletas protestar. Alguns chefes de federações internacionais, incluindo o presidente do World Athletics, Sebastian Coe, disseram que os atletas deveriam ter o direito de fazer gestos de protesto político durante os Jogos. A jogadora de futebol Megan Rapinoe, da seleção americana, escreveu em um story no Instagram: “Muito sendo feito sobre os protestos. Tão pouco sendo feito sobre o que estamos protestando. Nós não seremos silenciados.”

A chefe da Comissão de Atletas do COI, Kirsty Coventry, que liderou uma revisão da regra, disse que a maioria dos atletas consultados era contra qualquer protesto dentro dos campos de jogo ou dos pódios. “Eu não gostaria que algo me distraísse da competição e me afastasse disso. É assim que ainda me sinto hoje”, disse Coventry, ex-campeã olímpica de natação pelo Zimbábue, em uma apresentação online dos resultados da consulta da Regra 50.

Coventry disse que havia uma série de recomendações aprovadas pelo Conselho Executivo do COI na quarta-feira, incluindo esclarecimento sobre as sanções, mais informações sobre a Regra 50, uma mudança na redação do Juramento Olímpico com mensagens sobre inclusão e produção de roupas para atletas com mensagens inclusivas. No entanto, quando questionada se os atletas seriam punidos em Tóquio por fazer declarações políticas, como ajoelhar-se no pódio em apoio à igualdade racial, Coventry disse: “Sim, está correto.”

As recomendações do COI são resultado de um processo de consulta iniciado em junho de 2020 e que envolveu mais de 3.500 atletas. Coventry disse que cerca de 70% desses atletas não querem protestos em pódios, cerimônias e campos de jogo.

A Olimpíada de Tóquio, atrasada um ano devido à pandemia, tem previsão de início em 23 de julho.

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