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COB vê Jogos de Tóquio como ‘operação logística mais complexa da história’

Segundo o presidente da entidade, Paulo Wanderley Teixeira, não há mais risco de cancelamento; o desafio agora é manter atletas brasileiros em plena forma

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 19 mar 2021, 09h40 - Publicado em 19 mar 2021, 09h00

Faltam pouco mais de quatro meses para o início dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Reportagem de VEJA desta semana mostrou que, apesar das crescentes preocupações em relação à pandemia do novo coronavírus, que já adiou o evento em um ano, os recentes movimentos do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do governo japonês indicam que não há risco de cancelamento da competição. A maior dúvida no momento diz respeito à presença de torcedores, à preparação dos atletas e aos protocolos sanitários que devem ser seguidos. O presidente do Comitê Olímpio do Brasil, Paulo Wanderley Teixeira, revelou quais foram as últimas medidas da entidade.

“Estamos em contato constante com outros comitês nacionais, com o COI e com o Comitê Organizador dos Jogos e nos preparando para a operação logística mais complexa da história. O ponto não é mais se vai ter Olimpíada, mas, sim, como ela será realizada”, afirmou Paulo Wanderley,  que foi presidente da Confederação Brasileira de Judô durante 16 anos e assumiu o comando do COB em outubro de 2017, após a saída de Carlos Arthur Nuzman. No fim do ano passado, ele foi eleito para mais um mandato, até 2024.

O dirigente comentou o anúncio feito pelo presidente do COI, Thomas Bach, na semana passada, de que, em parceria com o governo chinês, a entidade se compromete a bancar vacinas contra a Covid-19 para as delegações que assim desejarem. Ainda não está definido se o Time Brasil aceitará a oferta. “A proposta é para atender aos países que já tenham acordo com a China para a produção de vacinas, como é o nosso caso. Estamos buscando mais informações para debater com as áreas médica e científica do COB”, diz.

“O COB reforça sua intenção de respeitar o plano nacional de vacinação”, completa, lembrando que a vacinação, ainda que recomendada, não será obrigatória para os cerca de 15.000 atletas esperados para o evento. A maior preocupação do COB no momento é manter todos os potenciais medalhistas em ritmo de competição, o que pode esbarrar nas restrições impostas pela pandemia.

  • Recentemente, a judoca gaúcha Mayra Aguiar, medalhista de bronze nos Jogos de Londres-2012 e Rio-2016, foi transferida de Porto Alegre para o CT do COB, no Rio, para poder treinar. Ela se recupera de lesão e sonha com novo pódio no Japão. O restante da seleção de judô está treinando no Leste Europeu – o time masculino na Geórgia e o feminino na Albânia.

    O velho continente, aliás, serviu de refúgio para 238 atletas de 24 modalidades na chamada Missão Europa, encerrada no fim do ano passado. Segundo Paulo Wanderley, há planos de reativar o projeto. “O COB está trabalhando intensamente para encaixar atletas em todos os lugares do mundo onde existam boas condições de treinamento, de intercâmbio e competições que nos permitam superar as adversidades”, disse. “A partir de março, temos o início das principais competições, com vagas em disputa. Então, estamos criando caminhos para que os atletas entrem em ritmo de competição.”

    O presidente do COB lista o itinerário das principais delegações do país. O time de surfe cumpre quarentena na Austrália para a disputa do Circuito Mundial; enquanto o de atletismo deve embarcar para um treinamento de campo em Chula Vista, nos Estados Unidos. Vôlei de praia, tênis de mesa e maratona aquática competiram no Catar; o taekwondo, na Sérvia; o caratê, na Turquia; o boxe, na Alemanha; o handebol, em Montenegro; e o hipismo nos EUA, dentre outros.

    “Os resultados obtidos recentemente como a classificação da seleção masculina de handebol para os Jogos, os ouros de Valéria Kumizaki, de Ana Marcela Cunha e Bia Ferreira e as medalhas de Ágatha/Duda e Evandro/Guto mostram que as ações estão funcionando”, afirma o presidente do COB. Quando a Olimpíada começar, os atletas deverão seguir uma rígida cartilha, que ainda será atualizada em abril. A cerimônia de abertura da Olimpíada está marcada para 23 de julho.

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