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COB divulga salários de todos seus funcionários

Medida ocorre por acordo da entidade com o Ministério do Esporte, após as denúncias que terminaram com a renúncia de Carlos Nuzman

O COB (Comitê Olímpico do Brasil) abriu esta semana, em seu site oficial, uma área em que divulga os salários de todos os seus funcionários, mesmo alguns que deixaram a entidade recentemente, por conta da reestruturação financeira nos últimos meses. A decisão pela divulgação dos salários é parte do acordo feito do presidente Paulo Wanderley com o Ministério do Esporte em novembro do ano passado, quando foi assinado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para que o COB observasse as regras de transparência e governança estabelecidas para receber os recursos da Lei Agnelo/Piva.

As mudanças foram exigidas como resposta às denúncias feitas pelo Ministério Público e que culminaram com a prisão temporária do então presidente Carlos Arthur Nuzman. Ele foi acusado de integrar um esquema para compra de votos de dirigentes internacionais, com dinheiro de recursos públicos, na eleição que escolheu o Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016.

Na lista no site do COB, é possível checar os salários de todos os funcionários, desde estagiários até os mais graduados. Inclusive de alguns que foram demitidos. Entre eles, Agberto Guimarães, que era diretor executivo de esportes e recebia 77.500 reais por mês, ou então Bernard Rajzman, ex-diretor de relações institucionais, que tinha salário mensal de 64.500 reais. Carlos Nuzman também aparece na planilha eletrônica, com um salário de 23.634,10 reais, mesmo valor que recebe Paulo Wanderley.

Em dezembro, Paulo Wanderley admitiu que as mudanças eram necessárias,. “Estamos próximos ao que acho, baseado em dados, nos fará atingir o ponto de equilíbrio. Mas algumas culturas têm de ser mudadas, porque não adianta mudar só o efeito se não modifica o pensamento”, disse o dirigente, a respeito dos altos salários da entidade. “Não vou citar quais, mas são benefícios exagerados. Não que as pessoas não os mereçam, mas digamos que não está de acordo com o momento nacional.”