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Clubes europeus investem em ‘acampamentos’ no Brasil

Por Da Redação - 1 jul 2012, 06h30

Por Leandro Silveira

São Paulo – As potências do futebol europeu optam por viajar principalmente para o continente asiático durante a pré-temporada, mas camisas de times poderosos como Barcelona e Milan poderão ser vistas no mês de julho em gramados brasileiros. Em busca da valorização de suas marcas e de potenciais futuros consumidores, estes clubes aproveitam o período de férias para realizarem os chamados “camps” – acampamentos de férias com atividades de futebol que simulam o cotidiano das equipes.

Esse tipo de programa promovido pelos clubes e parceiros não tem a função de escolinha ou de busca de jovens jogadores talentosos. Os responsáveis adotam propostas pedagógicas para melhorar aspectos disciplinares e de socialização. É um programa de férias que tem o time, evidentemente, como protagonista.

Os preços são salgados e variam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, mas incluem vantagens como a semana de hospedagem e os uniformes do clube. Apesar dos valores altos, a procura das crianças é grande e a concorrência tem aumentado nos últimos anos. “O mercado teve um crescimento importante. Claro que agora temos concorrentes, o que nos obriga a adotar inovações”, disse Michele Nascimento, gerente da conta do Milan Junior Camp, administrada pela Golden Goal.

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O Milan é quem mais investe nesse tipo de programa de marketing infanto-juvenil e diz estar presente em 42 países. No Brasil, os acampamentos do clube italiano serão realizados agora em julho, no período das férias escolares, pela 13ª vez. “Registramos um crescimento de 25% por temporada e já recebemos 8,5 mil crianças”, revelou Michele.

Nas próximas semanas, sempre no mês de julho, os acampamentos do Milan acontecerão em Belo Horizonte, de 15 a 21; em Fortaleza, também entre os dias 15 e 21; em Manaus, de 8 a 14 e de 22 a 28; no Recife, de 8 a 14; no Rio, de 15 a 21 e de 22 a 28; e em São Paulo, de 22 a 28.

Assim, com abrangência em todo o território brasileiro, o Milan Junior Camp tenta pavimentar no País uma ousada meta do clube italiano. “O objetivo do Milan é ser o clube estrangeiro mais amado dentro do Brasil”, disse Michele.

Além do Milan, a Roma realiza acampamentos com frequência no País, normalmente no fim do ano, como aconteceu no ano passado no Rio. Em um tipo de colônia de férias, a criança tem contato direto com um dos treinadores das categorias de base do clube, que tenta transmitir os ensinamentos aplicados no futebol europeu.

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Mas o maior concorrente do Milan vem da Espanha: o Barcelona. O clube catalão realizará entre os dias 22 e 28 de julho o seu segundo acampamento de futebol no Brasil, agora no moderno Centro de Desenvolvimento da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), em Saquarema (RJ). A previsão dos organizadores é de que sejam reunidas 135 crianças, de 10 a 15 anos.

Na primeira edição do Barcelona, as crianças voltavam para suas casas após as atividades do dia, o que não ocorrerá dessa vez. Agora, o modelo do acampamento será residencial, com a permanência dos participantes durante toda a semana no CT da CBV.

Sob coordenação de profissionais do clube espanhol, treinadores que foram selecionados em clínica realizada no País no início deste ano vão passar os conceitos técnicos e a filosofia do Barcelona, responsável por torná-lo, atualmente, o time mais admirado do futebol mundial.

Serão nove treinadores, sendo três espanhóis, para comandar as 135 crianças. “O Barcelona fez uma clínica para passar aos treinadores os conceitos do clube”, comentou Kléber Leite Filho, sócio-diretor da Klefer, empresa de marketing esportivo que organiza o acampamento do Barcelona, explicando que o responsável pelo curso é Isaac Guerreiro, coordenador das escolas internacionais do clube.

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O aumento da procura das crianças por esse tipo de colônia de férias e a abertura de novos acampamentos coincide com a maior penetração dos clubes europeus no Brasil. “Como já ocuparam todo o mercado europeu, os clubes vêm para procurar público e novos consumidores”, afirmou Robert Alvarez, professor do núcleo de Negócios do Esporte da ESPM. “Eles não negligenciam nenhum mercado”, completou.

Kléber Leite lembrou que as crianças que participaram do primeiro acampamento do Barcelona no Rio já chegaram paramentadas com produtos oficiais do clube, em uma demonstração de como a marca desses clubes tem encontrado espaço no País. “No primeiro camp, não vendemos mochila e produtos associados, mas quase todos os garotos tinham a mochila do Barcelona, queriam estar paginados”, contou.

Para Robert Alvarez, a experiência de simular o cotidiano de treinos torna a criança um potencial consumidor dos clubes europeus. “Esses acampamentos são quase um outdoor do clube para o público”, avaliou o professor. “O camp mexe muito com o lado lúdico. O cara passa a ser fã, passa a simpatizar”, explicou Kléber Leite.

Se hoje os clubes europeus ocupam cada vez mais espaço nas transmissões de TV, os acampamentos, considerados uma parte da política de marketing desses times, os ajudam a conquistar um espaço no imaginário do torcedor. “Os clubes brasileiros já perdem mercado”, comentou Robert Alvarez.

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Preocupados com a situação, alguns clubes do Brasil já começaram a se movimentar. O principal exemplo é o Santos, que realizou no início deste ano o seu primeiro acampamento, em Águas de Lindoia. Além dos treinamentos no interior paulista, as crianças tiveram contato com ídolos da história santista, como os ex-jogadores Edu e Coutinho. A segunda edição do evento, no mesmo local, será realizada entre os dias 16 e 22 de julho.

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