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Civilização maia serve de inspiração para os mexicanos na pelota basca

Por Da Redação 26 out 2011, 06h41

A pelota basca, como o nome já diz, nasceu na região homônima da Europa. Atualmente, o esporte abriga um total de 14 variações, entre elas o ‘frontenis’, genuinamente mexicano. Nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, a herança da civilização maia serve como inspiração para os donos da casa na modalidade.

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Antes da conquista dos espanhóis, os povos mesoamericanos praticavam o chamado ‘juego de pelota’, de fundamental importância para a sociedade da época. Em um campo específico, uma bola de borracha era golpeada com partes do corpo como joelho, cotovelo e quadril.

‘O juego de pelota é a origem do frontenis ao acomodar os jogadores dentro de um espaço delimitado’, atesta Eduardo Villegas Gonzalez, presidente da Federação Mexicana de Frontón (sinônimo de pelota basca), na sede da modalidade no Pan de Guadalajara.

Atualmente, a FMF promove um circuito de 20 a 25 torneios por ano e é composta por associações regionais de 28 dos 33 estados da república. De acordo com o presidente da entidade, o número de praticantes registrado é de aproximadamente 1 milhão de pessoas.

Na sede da pelota basca em Guadalajara, ainda na fase preliminar, Villegas recebeu as visitas de Felipe Muñoz, presidente do Comitê Olímpico Mexicano, e Dominique Boutineau, presidente da Federação Internacional de Pelota Basca, o que prova a importância da modalidade no país.

No frontenis, os jogadores usam uma raquete de tênis, com encordoamento diferente, para golpear a bolinha, que não pode dar mais de um quique. O México é potência nesta variação da pelota basca, o suficiente para manter as arquibancadas cheias.

Questionado se o frontenis poderia se chamar ‘pelota maia’, Villegas sorri. ‘Para nós, deveria, porque é uma modalidade genuinamente mexicana’, afirmou o dirigente, citando o legado do juego de pelota. ‘Por natureza, os mexicanos já têm o conhecimento da bola, das posições na quadra e do manejo da raquete’, afirmou.

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Rafael Pacheco, mais conhecido como ‘La Bachicha’, é um dos principais nomes no frontenis mexicano. Membro da terceira geração de praticantes da modalidade, ele foi campeão mundial juvenil em Buenos Aires-1999 e repetiu o feito duas vezes no Mundial Adulto, na Cidade do México-2006 e em Pau-2010. Sem a classificação para o Pan, Pacheco trabalha como organizador na sede da pelota basca. ‘Nossos antepassados começaram com o juego de pelota e nós criamos o frontenis. O carinho e a atenção das pessoas em relação ao esporte vêm de toda a nossa história. Atualmente, temos mais de 4 mil paredões no país e as crianças começam a jogar desde cedo’, disse.

Pacheco mantém boa relação com alguns jogadores de pelota basca do Brasil, no qual a modalidade é incipiente. Cerca de dois meses antes da realização dos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, ele chegou a ser convidado pelos amigos para realizar uma clínica de frontenis no país, o que não se concretizou.

Do lado de fora, o bicampeão mundial espera que seus compatriotas, como Rocío Guillen, honrem as tradições pré-colombianas. ‘O México se baseia em costumes que vão sendo transmitidos ao longo das gerações. Seguramente, temos algo dos maias conosco atualmente’, disse a jogadora.

A pelota basca integrou o programa olímpico dos Jogos de Paris-1900. Posteriormente, participou apenas como evento de exibição em Paris-1924, Cidade do México-1968 e Barcelona-1992. A meta da Federação Internacional da modalidade é incluí-la na edição de 2020, para a qual Madrid é uma das cidades candidatas à sede.

JOGO REMETIA À ORIGEM MAIA E TINHA SACRIFÍCIOS

Professor Marcelo Lambert visita o campo de Chichen Itzá, o maior dos maias, em Yucatán

Cada cidade maia tinha o seu campo. Era um jogo ritual, extremamente importante dentro da sociedade. O jogo remete à origem desta civilização e os movimentos da bola representavam os movimentos dos planetas. A atividade remetia a uma dialética entre vida e morte, luz e trevas, era um ritual que materializava esse contexto. O jogo também era uma reprodução de como a vida deveria ser encarada, tinha uma questão filosófica, social e política, além de toda a estrutura religiosa. No final do jogo, tinha um sacrifício. Em algumas circunstâncias, o capitão da equipe vencedora era sacrificado, porque ele era o mais forte e mais digno para ser oferecido ao Deus. Marcelo Lambert, pós-graduado pela Pontifícia Universidade Católica-SP, é especialista em história, sociedade e cultura, com foco de pesquisa em História da América

*Colaborou André Sender, de São Paulo

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