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Cielo tenta manter invencibilidade e soberania nos 50 livre

<p>Campeão e recordista olímpico e mundial, brasileiro só pensa no ouro nesta 6ª</p>

Por Giancarlo Lepiani, de Londres Atualizado em 11 jan 2022, 23h04 - Publicado em 3 ago 2012, 07h11

Aos 25 anos, Cielo segue apostando na prova mais curta, sua grande especialidade – por ter uma extraordinária largada, o que o coloca em vantagem logo no início, e uma fortíssima explosão muscular

A equipe olímpica brasileira chegou a Londres com duas enormes esperanças de medalha de ouro. A primeira, o futebol masculino, é disputada no decorrer de seis partidas, com mais de nove horas de campanha, tempo de sobra para reverter um erro e virar um placar adverso. A segunda, porém, é decidida em apenas vinte segundos, sem margem para falha alguma. Na final dos 50 metros nado livre, nesta sexta-feira, às 16h09 (no horário de Brasília), César Cielo Filho carrega a ingrata responsabilidade de ser favorito numa prova decidida por décimos de segundo. Mas a expectativa de vitória do brasileiro é inevitável, pois Cielo fez mais do que o suficiente para justificar essa reputação. A começar pelo retrospecto na prova – desde que foi campeão olímpico, em Pequim-2008, Cielo não foi derrotado nos 50 metros livre em nenhuma competição importante. O campeão e recordista mundial e olímpico defende essa invencibilidade nadando na raia 4 nesta sexta – fez o melhor tempo das semifinais. Outro brasileiro, Bruno Fratus, está na raia 6, depois de vencer sua semifinal, na quinta. Além de Cielo e Fratus, são cotados para uma medalha os americanos Anthony Ervin e Cullen Jones.

Ainda que consiga o ouro nesta sexta, Cielo não será capaz de repetir seu desempenho de Pequim, quando conseguiu também um bronze nos 100 metros nado livre. Na final dessa prova, na quarta, o brasileiro ficou em sexto, distante do pódio. Mas não se preocupou. Aos 25 anos, Cielo segue apostando na prova mais curta, sua grande especialidade – por ter uma extraordinária largada, o que o coloca em vantagem logo no início, e uma fortíssima explosão muscular. “Velocidade eu tenho”, lembrou, na saída da piscina depois dos 100 metros. “Vamos partir para defender esse título.” Por ter conseguido completar a primeira metade da prova de quarta entre os líderes, Cielo acha que tem boas chances na distância menor. O desafio de Cielo nesta sexta é chegar descansado e relaxado para nadar bem sua prova favorita, onde ninguém é capaz de descartá-lo na briga pelo ouro – até porque, ao contrário do que ocorreu nos 100 metros, não há nenhum nadador em nível acima dos brasileiros nesta temporada. Em Pequim-2008, Cielo marcou o recorde olímpico, com 21s30. Ainda com o uso dos supermaiôs, hoje proibidos, fez 20s91 no Mundial de Roma, a melhor marca da história. Neste ano, marcou 21s38 – ninguém nadou abaixo dele.

No último Mundial, em 2011 – quando teve de competir carregando a pressão do escândalo de acusação de doping surgida meses antes -, foi o quarto colocado nos 100 metros e ouro, de novo, nos 50. O caso de doping, aliás, foi um episódio difícil na trajetória do atleta, um dos maiores ídolos esportivos do país na atualidade. Criticado por outros nadadores ao ser flagrado no exame antidoping por uso de substância proibida, defendeu que foi vítima de um erro – teria consumido um suplemento alimentar contaminado. As autoridades internacionais da natação fecharam o caso dando apenas uma advertência a Cielo. Na chegada a Londres, ele garantia já ter superado o episódio, prometendo foco total na piscina. Também garantiu que não se sentia pressionado, nem pelas expectativas do público, nem pelo fato de, ao contrário de Pequim, chegar para estes Jogos como um nadador já consagrado, sempre cotado para uma medalha. Por fim, desembarcou para sua segunda Olimpíada amparado por uma preparação especial, que aperfeiçoou sua natação para compensar a perda dos supermaiôs, que ajudavam no desempenho dos atletas. A expectativa é de que, através desse trabalho, consiga nadar até abaixo dos 21 segundos – uma marca de ouro.

No vídeo a seguir, Cielo fala sobre os preparativos para a defesa do título dos 50 metros livre:

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