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Cielo quer brilhar em Londres para marcar a história da natação

Por Por Louis Génot - 10 jul 2012, 14h13

César Cielo, que conquistou a primeira medalha de ouro da história da natação brasileira ao vencer a prova dos 50 metros livre em Pequim-2008, quer repetir ofeito em Londres-2012 para se igualar aos lendários Alexander Popov e Gary Hall.

“Quero ser bicampeão olímpico para continuar nos passos dos meus ídolos, Popov (nadador russo que venceu o ouro nos 50 m em Barcelona 1992 e Atlanta-1996) e Hall (britânico que fez o mesmo em Sydney-2000 e Atenas-2004). Seria incrível ser o próximo desta lista”, disse o paulista de 25 anos.

No mês de abril, Cielo impressionou seus rivais ao cravar a melhor marca do ano nos 50 m, com o tempo de 21.38, no troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro.

Ele também espera conquistar uma medalha na prova dos 100 metros livre, na qual ficou com o bronze em Pequim e foi campeão mundial em Roma-2009, mas sabe que a concorrência está muito mais acirrada nesta distância.

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Em 2012, fez seu melhor tempo nos 100 metros em 48.28, muito longe dos 47.10 do jovem prodígio australiano James Magnussen, de 21 anos, que não poupou provocações aos rivais em declarações na mídia nos últimos meses.

Mesmo assim, o brasileiro já está acostumado com a adversidade. Ele se diz mais forte mentalmente desde o episódio que colocou em risco sua carreira, em junho de 2011, quando foi flagrado num exame antidoping por uso de furosemida, um diurético proibido.

O nadador se defendeu ao dizer que foi contaminado por um suplemento alimentar e acabou levando apenas uma advertência. A Federação Internacional de Natação (FINA) pediu três meses de suspensão, mas o Tribunal Arbitral do Esporte considerou que a substância não teve por objetivo melhorar seu o desempenho.

Cielo sempre contou com o apoio do seu treinador Alberto Silva, o ‘Albertinho’, que o descobriu quando ainda era adolescente.

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“Trouxe César da suacidade natal de Santa Bárbara d´Oeste para o Pinheiros quando ele tinha 15 anos e desde o primeiro dia em que o vi nadar, já percebi que tinha potencial para ser medalhista olímpico”, lembra o treinador à AFP.

Hoje, Albertinho sabe que Cielo pode marcar a história da natação, mas prefere no trabalho do dia a dia.

“Ser o maior velocista de todos os tempos não é uma preocupação dele nem minha. Mas acho que esta possibilidade está aberta. Ele sempre vai buscar ser o melhor em cada evento em que participar enquanto estiver motivado para nadar”, explica o técnico.

Para aumentar ainda mais sua motivação, Cielo tomou uma grande decisão no início de 2011. Após ter passado anos alternando períodos de treinamento em Auburn, nos Estados Unidos, e no Brasil, resolveu se firmar em São Paulo, onde lançou um projeto inovador, o P.R.O. 16 (Projeto Rumo ao Ouro 2016).

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O nome já deixa claro que ele pensa a longo prazo, ao formar um espécie de ‘Dream Team’ da natação brasileira, com objetivo de brilhar, além de Londres-2012, na Olimpíada de 2016, que terá um sabor especial por ser realizada no Rio de Janeiro.

Este grupo de excelência reúne, junto com Cielo, seis dos melhores nadadores do país, Nicholas dos Santos, Leonardo de Deus, Tales Cerdeira, Vinícius Waked, Henrique Barbosa e Thiago Pereira e treina na piscina do moderníssimo Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) da capital paulista.

O grupo conta com uma comissão técnica de ponta liderada por Albertinho, além de fisioterapeuta, preparador físico e nutricionista.

“Tenho certeza que tomei a decisão certa ao voltar para o Brasil. Não poderia encontrar condições tão boas em outro lugar”, revela Cielo.

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O grupo P.R.O. 16 mantém uma rotina de treinos extremamente exigente, e segue valores fundamentais que o técnico Albertinho tem tatuado nos braços: ambição, comprometimento, positividade, superação e excelência.

Para Cielo, o maior sacrifício tem sido respeitar a dieta drástica da nutricionista. “A gente está ficando meio maluco. Tudo que você come, tem que olhar atrás da embalagem, contar a gordura, o açúcar. Quando a competição terminar, acho que vou direto à lanchonete mais próxima para pedir uns dez sanduíches enormes”, brinca.

Enquanto isso, ele espera poder saciar sua fome de medalhas em Londres.

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