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Chega de saudade: seleção busca mais um título da Copa América no Maracanã

Diante do Peru, Brasil pode encerrar jejum de 12 anos sem o título sul-americano e reeditar a festa da edição de 1989, também decidida no estádio carioca

RIO DE JANEIRO – Dia de luz, festa de sol. Sob desconfiança durante boa parte da competição, a seleção brasileira tem uma oportunidade perfeita para fazer de vez as pazes com a torcida. Afinal, nada melhor que levantar um troféu de campeão num fim de tarde de domingo no Maracanã. A partir das 17h, o time de Tite tentará confirmar seu favoritismo diante da surpreendente seleção peruana na decisão da Copa América. Um dia depois da morte do genial músico vascaíno João Gilberto, o pai da Bossa Nova, que será homenageado antes da partida, o Brasil tentará trocar as vaias iniciais do torneio por aplausos e glória. Coisas que só o coração pode entender.

“Temos de entender o sentimento do torcedor, vivemos num país muito apaixonado e por isso ele vai dos extremos, da euforia à decepção. A realidade não é uma coisa nem outra, mas o torcedor brasileiro tem essa característica”, afirmou na véspera o técnico Tite, que negou, ainda que sem muita clareza, os rumores sobre uma possível renúncia do cargo. O gaúcho admitiu ter ficado chateado com as contestações das arquibancadas. Afinal, no peito dos desafinados também bate um coração.

A seleção brasileira sabe, porém, que seria uma enorme insensatez menosprezar a seleção do Peru, que já eliminou outros favoritos, Uruguai e Chile, nas fases anteriores, mesmo já tendo goleado o mesmo adversário por 5 a 0 na primeira fase. “Por se tratar de uma final, o jogo se torna diferente. Vamos fazer um esforço tremendo para ganhar, mas estamos preparados para isso e precisamos ter respeito pelo adversário”, afirmou Daniel Alves, capitão e destaque do Brasil no torneio. A única dúvida da escalação está na lateral-esquerda: Filipe Luís, titular em quatro dos cinco jogos, se recupera de lesão e deve dar novamente lugar a Alex Sandro.

Velhos conhecidos: Tite e Paolo Guerrero (Amanda Perobelli/Reuters - Wagner Meier/Getty Images)

A seleção peruana, do pouco animado técnico argentino Ricardo Gareca, aposta no ídolo nacional, o atacante Paolo Guerrero, do Inter, que tantas vezes atuou no estádio pelo Flamengo, para tentar surpreender os favoritos. “Paolo é o capitão do time, uma referência, um emblema, além da capacidade que tem como jogador. É uma voz escutada dentro do grupo”, contou Gareca na véspera. “Estamos fazendo história e me sinto orgulhoso da equipe”, afirmou Guerrero, exaltando também o esforço de seus colegas, como o goleiro Pedro Gallese, um dos destaques do torneio. Pois, é impossível ser feliz sozinho.

O jogo encerrará um torneio esvaziado e contestado até mesmo pelo melhor do mundo. Na véspera, Lionel Messi denunciou que o torneio está “armado para o Brasil” e disse torcer para que a arbitragem deixe, ao menos, o Peru competir. A seleção alvirrubra não conquista um título desde a Copa América de 1975. Já o Brasil, que marcou dez gols e não sofreu nenhum nesta edição, não ergue a Copa América desde 2007. O último título da seleção adulta no Maracanã foi a Copa das Confederações de 2013, numa linda festa diante da Espanha. Há trinta anos, no mesmo estádio, o time de Bebeto e Romário venceu a última Copa América em casa. Chega de saudade.

Prováveis escalações:

Brasil: Alisson; Daniel Alves, Thiago Silva, Marquinhos e Alex Sandro (Filipe Luís); Casemiro; Arthur, Philippe Coutinho, Gabriel Jesus e Everton; Roberto Firmino. Técnico: Tite

Peru: Gallese; Advíncula, Zambrano, Luis Abram e Trauco; Tapia, Yotún; Carrillo, Cueva e Edison Flores (Christofer Gonzáles); Paolo Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca