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Chase Carey: A corrida é digital

O empresário que assumiu o controle sobre a F 1 no ano passado pretende aproximar a categoria mais famosa do automobilismo do universo dos jogos eletrônicos

Por Alexandre Salvador - 23 nov 2018, 07h00

Nas listas dos esportistas mais populares do planeta, é difícil encontrar o nome de um piloto de Fórmula 1. Por quê? A verdade é que, até há pouco tempo, a categoria não se fazia presente no mundo digital. Embora se tratasse de um grande evento, estávamos distantes daqueles que querem se entreter através do aparelho que carregam no bolso. Precisávamos renovar o esporte. Por isso investimos em redes sociais e na melhoria das transmissões, com novos gráficos, ângulos de câmera e áudio dos pilotos. Queremos que os fãs possam se conectar com seus ídolos e que as pessoas mais jovens, que estão muito ligadas aos jogos eletrônicos, encontrem na Fórmula 1 uma plataforma igualmente interessante de diversão.

O que ainda é preciso fazer dentro da pista para tornar a categoria mais atraente? Nossa prioridade é aumentar a competição. Queremos que o esporte seja menos previsível. Para tanto, é preciso incrementar a possibilidade de ultrapassagens. Temos várias iniciativas, que incluem não só mudanças de regulamento que afetam a potência dos motores e a aerodinâmica dos carros, mas também custos e distribuição de lucros entre as equipes, visando a um equilíbrio competitivo em que todos possam crescer.

Antigos privilegiados, caso dos italianos da Ferrari, não costumam digerir bem esse tipo de proposta. O senhor teme a saída da equipe? Esperamos que a Ferrari faça parte da categoria, mas queremos uma visão mais compartilhada das coisas. No passado, a filosofia vigente por aqui era “dividir para conquistar”. Era natural, num esporte como este, que a dinâmica competitiva entre as equipes se estendesse para além da pista. Creio, porém, que para fazer a Fórmula 1 crescer é preciso aumentar o senso de parceria entre todos os participantes.

Qual a relevância do Brasil dentro do futuro que o senhor imagina para o esporte? Queremos, sim, que o Brasil faça parte desse cenário a longo prazo (está garantido que haverá GP Brasil na pista de Interlagos até 2020). Vocês têm uma grande história, basta olhar para o legado deixado por Ayrton Senna. Hoje, mesmo sem um piloto brasileiro no grid, a energia é enorme. Do ponto de vista econômico, sabemos do valor agregado que nossas corridas trazem para as cidades, o que independe da situação econômica do país.

Publicado em VEJA de 28 de novembro de 2018, edição nº 2610

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