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CBF pede punições exemplares contra racismo e rejeita apertos de mãos

Rio de Janeiro, 24 nov (EFE).- A CBF divulgou nesta quinta-feira que a 37ª e penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, marcada para este fim de semana, será a ‘Rodada contra o racismo’, e o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, afirmou que o preconceito racial tem que ser punido severamente.

‘Racismo não se resolve com aperto de mão e nem quem sofre esquece no dia seguinte. Não é justificável pelo calor de uma partida, não pode ser interpretado como gesto de torcedor. É algo intolerável, que não condiz com o esporte’, disse Teixeira em comunicado emitido pela entidade comandada por ele para anunciar a iniciativa.

A declaração do dirigente faz uma clara alusão ao que foi dito na última semana pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter. Em entrevistas às redes de televisão ‘Al Jazeera’ e ‘CNN’, o suíço considerou que o racismo é parte do calor do jogo e pode ser resolvido com um aperto de mãos.

Depois, no entanto, Blatter se retratou pedindo desculpas por suas palavras, as quais ele mesmo classificou como ‘desafortunadas’.

‘As pessoas que não entenderem que o futebol é para todos e não apenas para uma raça devem ser banidas definitivamente do esporte. Não adianta utilizar dinheiro para fazer campanhas hipócritas que não produzem efeito algum. Devemos mergulhar de cabeça nesta questão e punir exemplarmente quem comete esse tipo de intolerância’, acrescentou o presidente da CBF na nota.

Teixeira pediu que dirigentes, jornalistas, torcedores se posicionem contra o preconceito e disse que quem não se manifestar claramente neste sentido deve ser expulso do esporte.

‘Temos todos de estar engajados nessa campanha. Quem não tiver esse entendimento, aquele que não se posicionar, claramente, contra o racismo não pode fazer parte da família do futebol, como de resto merece também o repúdio de toda a sociedade’, pediu.

No comunicado, a CBF se colocou como a federação com o maior número de jogadores que são vítimas dos preconceitos e lembrou vários casos de racismo contra atletas do país, como o recente episódio de Edimar, lateral-esquerdo do Xanthi Skoda, da Grécia.

‘Sempre que pegava na bola, em partida contra o PAS Giannina, a torcida adversária imitava o som de macacos’, lembrou a entidade. EFE

mp/dr