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CBF oferece ajuda para controlar doping na Rio-2016

Com a suspensão do laboratório brasileiro, confederação de futebol cederá seus profissionais e oferecerá a estrutura que mantém (nos Estados Unidos)

Na iminência de não poder contar com o Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) para a realização dos exames antidoping durante a Olimpíada, o Rio-2016 poderá receber uma ajuda caseira no caso de ter que enviar as amostras ao exterior. A CBF oferecerá sua estrutura de controle de dopagem, que conta com cerca de 400 profissionais, para auxiliar na coleta e transporte das amostras.

Na próxima terça-feira, o presidente da Comissão de Controle de Dopagem da CBF, Fernando Solera, irá a Brasília para encontro com o novo chefe da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), Rogério Sampaio. “Direi a ele que tenho equipe de coleta, equipe que transporta, documentos, tudo o que for preciso. Pode contar com a CBF”, afirmou Solera.

Todos os exames antidoping dos campeonatos organizados pela entidade são enviados a laboratórios dos Estados Unidos há cinco anos. “Nossa cadeia de custódia é tão segura que ela é feita exclusivamente por médicos. A partir do momento que a urina sai do jogador lá no campo, ela chega aos EUA sempre passando pela mão de médicos que trabalham no doping”, explicou Solera.

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A equipe de Solera viaja a cada duas semanas para Los Angeles, para onde são levados os exames antidoping dos campeonatos nacionais organizados pela CBF. O processo começou em 2011, após problemas em amostras analisadas pelo Ladetec, então o laboratório brasileiro autorizado pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês).

Naquele ano, houve resultados de “falsos positivos” nos exames dos jogadores Pedro Solberg, do vôlei de praia, e de Deco e Carlos Alberto, do futebol. Os erros culminaram no descredenciamento do Ladetec.

Sem um laboratório confiável no país, Solera foi à Fifa pedir orientação. A entidade sugeriu que os exames fossem encaminhados ao laboratório da Universidade da Califórnia (UCLA) ou de Lausanne, na Suíça, e o laboratório americano agradou a CBF, que firmou um contrato de parceria.

LBCD – Mesmo com a inauguração do novo laboratório brasileiro de controle de doping, no ano passado, a CBF manteve a rotina de enviar seus exames para o exterior. O motivo: é mais barato enviar as amostras para o exterior do que pagar para fazer as análises no LBCD, que, assim como a CBF, fica no Rio de Janeiro.

“Até hoje não consegui preço mais barato com o laboratório brasileiro. O preço deles é bem mais alto do que o nosso nos Estados Unidos, bem mais alto do que laboratório na Suíça”, afirmou Solera. Os exames realizados nos Estados Unidos custam 135 dólares (cerca de 434 reais), enquanto que na Suíça está próximo de 140 francos (461 reais). No LBCD, cada amostra analisada custa mais de 900 reais.

O próprio médico avaliou que não há como o laboratório brasileiro reduzir o preço. “Todos os insumos, todos os reagentes são importados. Todas as máquinas são importadas. Se acender uma luz verde, mas deveria ter acendido uma luz azul, tem que vir um técnico americano para cá. Não existe como a gente competir em preço. Eles estão cobrando o que precisam cobrar”, reconheceu Solera.

“Eu tentei fazer no LBCD por uma questão de brasilidade, por estar mais próximo e até mesmo porque a CBF preferia que a gente trabalhasse com um laboratório brasileiro. É uma vontade do presidente Marco Polo Del Nero. Ele quer isso, mas desde que se tenha preço e qualidade. Eu tenho quase 5.000 amostras por ano, é muito alto o valor”, completou.

(com Estadão Conteúdo)