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CBF, governo e Corinthians ainda não têm data exata para obra do Itaquerão começar. E clube ainda faz jogo de cena

Seminário na capital paulista discute providências para construção em Itaquera - que, apesar do acordo para cessão do terreno, ainda espera o financiamento

“Se quiserem fazer um abaixo-assinado votando contra a abertura da Copa, vou apoiá-los”, afirmou Andrés. Faltou dizer, é claro, que o projeto só ganhou interessados na iniciativa privada por causa de 2014

As principais autoridades ligadas à organização da Copa do Mundo de 2014 estão reunidas em São Paulo para tentar dar um novo impulso ao projeto da cidade para o Mundial no país. Mas a expectativa de que seria divulgada alguma novidade no trâmite necessário para o início da construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, foi frustrada – todos reconhecem que o início das obras está indefinido. Participam do evento, na Assembleia Legislativa, o ministro do Esporte, Orlando Silva, representantes do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, além de membros da Federação Paulista de Futebol e do comitê organizador local da Copa de 2014.

“Não foi só uma vez que eu falei com os responsáveis pelas obras no estádio de Itaquera e eles me responderam que começarão nos próximos dias. Espero que os ‘próximos dias’ sejam realmente os próximos”, avisou o ministro do Esporte, ansioso pelo começo dos trabalhos. Enquanto isso, o presidente do Corinthians fazia jogo de cena – ao ser cobrado sobre a insatisfação de moradores de Itaquera com o impacto do projeto, disse que nunca quis receber a abertura da Copa, e que só pretendia fazer um estádio para seu clube. “Se quiserem fazer um abaixo-assinado votando contra a abertura da Copa, vou apoiá-los.” Faltou dizer, é claro, que o projeto só ganhou interessados na iniciativa privada por causa de 2014.

BNDES – No seminário, as autoridades tentaram colocar o foco no debate sobre o legado do Mundial, projetos de inclusão social ligados ao evento e o desenvolvimento econômico propiciado pelo torneio. Mas o assunto que todos querem ver solucionado é a obra do Itaquerão. E o encontro na Assembleia ocorre um dia depois de mais um revés no projeto – outra previsão para o início dos trabalhos falhou. O clube enfim chegou a um acordo com o Ministério Público (MP) para cessão do terreno na Zona Leste, mas agora espera a obtenção de financiamento de 400 milhões de reais no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para começar a construção. Ninguém sabe ao certo quando ela terá início.

Há cerca de três semanas, o diretor de marketing corintiano Luis Paulo Rosenberg havia previsto que as obras em Itaquera já estariam em andamento na primeira quinzena de maio. “Mas não vai passar de junho. Precisamos definir o melhor modelo de financiamento. Por que não gastar mais uma semana para encontrar algo mais correto tributariamente, com melhores garantias e sem me sobrecarregar?”, argumentou o cartola, na quinta-feira. Até então, o principal empecilho para o início da construção era um litígio judicial referente à doação da área cedida ao Corinthians em 1988 com a condição de que ali fosse erguido um estádio em cinco anos. Como o clube não cumpriu o prazo proposto, precisou de uma reparação.

‘Meio Kaká’ – O time teve de se comprometer com a Justiça a reverter 12 milhões de reais em prol da sociedade paulistana. “Ter ou não o acordo com o promotor era questão de vida ou morte. Eu nunca mexeria no terreno sem a aprovação”, assegurou ele, minimizando o novo entrave que enfrenta. Para viabilizar o financiamento no BNDES, o Corinthians recorrerá à Caixa Econômica Federal como intermediária da construtora Odebrecht. “Nosso financiamento é exótico, por se tratar da maior arena de todas que sediarão a Copa e porque a detentora será uma entidade de direito privado. A gente já tem uma via para obter isso, mas estamos trabalhando com outra que seria mais vantajosa”, tentou explicar o diretor corintiano.

Ao admitir o atraso, Rosemberg deu uma justificativa inusitada: “Prefiro deixar todo mundo angustiado por mais 10 ou 15 dias e economizar uns 35 milhões de reais, o equivalente a meio Kaká.” Sempre que aborda o investimento na arena de Itaquera, Rosenberg faz questão de dizer que não haverá dinheiro público no projeto, orçado em 650 milhões de reais – apesar de estar perto de ser beneficiado por um empréstimo em condições mais do que favoráveis. “Não é pegar verba da Prefeitura para botar no estádio. Acho engraçado quando dizem que o BNDES está dando dinheiro para nós. É um empréstimo”, insistiu ele, antes de garantir: “Não há outra alternativa para a Copa do Mundo em São Paulo a não ser Itaquera”.

(Com agência Gazeta Press)