Caxirola de Brown pode ressurgir – agora, em versão ‘light’

Temendo perder receita bilionária, empresa deixa chocalho mais leve e flexível e tenta convencer o governo a reverter a decisão do COL, que vetou instrumento

Por Da Redação - 29 maio 2013, 12h39

Pode pesar a favor de Brown a empolgação da presidente Dilma Rousseff com o instrumento – que, segundo ela, “tem um sentido transcendental de cura”

Desconfiado com a seleção e desanimado com os resultados recentes da equipe, o torcedor brasileiro enfim voltou a vibrar na segunda-feira, quando o chefe de segurança do Comitê Organizador Local (COL) do Mundial de 2013 anunciou que a caxirola estava banida da Copa das Confederações. A notícia movimentou as redes sociais: aliviados, os donos de ingressos para o evento comemoraram a exclusão do chocalho chato inventado por Carlinhos Brown dos estádios do torneio. A comemoração, porém, pode ter sido prematura. Brown e seus sócios – a multinacional que fabrica o produto e até a Globo Marcas, uma das empresas das Organizações Globo, que vai ganhar um porcentual das vendas – ainda não desistiram de conseguir liberar o uso do objeto nas partidas da competição. Nesta quarta-feira, a empresa que produz a caxirola, a americana The Marketing Store, deverá apresentar a representantes do governo federal e do COL uma nova versão do instrumento, mais leve e menos rígida – tudo para diminuir o risco de uma delas ser arremessada no gramado e atingir um jogador. Será uma espécie de caxirola “light”, uma tentativa final de Brown e sua turma para não deixar escapar um negócio potencialmente bilionário. Cada caxirola custa 29,90 reais. O objetivo inicial era produzir até 50 milhões de unidades.

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A companhia que se aliou ao cantor para fabricar o instrumento propõe alterar o projeto de forma a reduzir os temores com a segurança dos atletas. De acordo com o portal UOL, a ideia dos fabricantes é reduzir o peso do instrumento de 90 gramas para cerca de 78 gramas, além de tornar os anéis laterais, que servem para o torcedor segurar o objeto, mais flexíveis. Conseguir lançar a “caxirola light” no campo ficaria um pouco mais difícil – e, ainda que ela atingisse o gramado, dificilmente seria capaz de ferir um jogador. Mesmo com essa alteração, é improvável que as preocupações com a segurança sejam dissipadas de vez. A empresa, por sinal, nem sequer admite a proibição, contrariando a posição apresentada pelo representante do COL – de acordo com sua assessoria de imprensa, o assunto ainda não está totalmente definido, e uma decisão final só será anunciada nesta quarta, depois de um encontro entre fabricantes, governo, COL e Fifa. Na terça-feira, no entanto, o próprio diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, confirmou, em entrevista coletiva sobre a distribuição dos ingressos do torneio, que o objeto não estava liberado para a Copa das Confederações. Pode pesar a favor de Brown e de uma possível reviravolta a empolgação da presidente Dilma Rousseff com o instrumento.

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No mês passado, durante uma partida entre Bahia e Vitória, torcedores da equipe tricolor protestaram atirando no gramado as caxirolas que tinham sido distribuídas gratuitamente antes do jogo. Os jogadores do Bahia tiveram de retirar os objetos de plástico do campo para que a partida pudesse ter sequência, num episódio que acabou ficando conhecido como “a revolta das caxirolas”. O chocalho de plástico foi vetado no clássico seguinte, depois de uma reunião que contou com a participação de representantes da PM, da prefeitura, da Federação Baiana de Futebol, da Justiça e de torcidas organizadas. O uso das caxirolas como arma despertou a preocupação da Fifa e do COL, que já estudava banir o objeto das partidas do Mundial para evitar qualquer tipo de risco. Na segunda, o chefe de segurança do COL, Hilário Medeiros foi categórico ao comentar o assunto. “Não é permitida a entrada de torcedores com qualquer instrumento musical, e a caxirola entra neste quesito”, avisou Medeiros em entrevista coletiva no Rio de Janeiro. “Estamos adotando isso já nos jogos-testes e, na Copa das Confederações, a regra também vai valer.” O governo federal, através do Ministério do Esporte, avisou que não tinha se pronunciado oficialmente a respeito do assunto. A pasta chancelou o projeto de Brown como uma das ações culturais oficiais do Mundial, abrindo a porta para que Brown iniciasse a captação de recursos para a empreitada.

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