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Catar nega caso de corrupção envolvendo Copa de 2022

Comitê organizador desmente a denúncia divulgada nesta terça-feira por jornal

O comitê catariano disse que o processo de candidatura do país “respeitou rigorosamente as normas da Fifa, em conformidade com o seu código de ética”

O Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2022 se pronunciou oficialmente nesta terça-feira para negar seu envolvimento ou conhecimento sobre a acusação de pagamento de propina a um ex-vice-presidente da Fifa. O caso de corrupção teria ocorrido logo depois de o Catar ser escolhido como sede do Mundial. Na segunda, foi revelado que o FBI está investigando um depósito feito a Jack Warner, ex-dirigente caribenho e ex-número 2 da Fifa, por uma empresa de um dirigente do Catar. A transferência aconteceu poucos dias depois da eleição do país-sede do Mundial de 2022. Warner é acusado de receber mais de 2 milhões de dólares de uma empresa ligada à campanha do Catar para abrigar a Copa. Sua família, que vive em Miami, também teria recebido parte do dinheiro – e, agora, estaria cooperando com as investigações. Documentos revelam pagamentos que, segundo a polícia americana, precisam ser esclarecidos.

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Em reportagem publicada nesta terça-feira, o jornal britânico Daily Telegraph informou que existem evidências de que uma empresa de Mohamed Bin Hammam, ex-representante do Catar na Fifa, foi o responsável pelo suborno milionário. Bin Hammam chegou a se candidatar para presidir a entidade com o apoio de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. Por meio de um comunicado, porém, o comitê catariano disse que o processo de candidatura do país “respeitou rigorosamente as normas da Fifa, em conformidade com o seu código de ética”. A nota diz ainda que o comitê “não têm conhecimento de quaisquer alegações que cercam transações comerciais entre indivíduos privados”. Pivô do escândalo envolvendo a escolha do Catar como sede da Copa, Warner deixou a Fifa em 2011, depois que ficou provado que ele ajudou Bin Hammam a distribuir subornos para outros cartolas com a intenção de vencer a eleição na Fifa.

O Catar foi confirmado como sede da Copa de 2022 numa eleição realizada em 2010. O país derrotou as candidaturas de Estados Unidos, Austrália, Japão e Coreia do Sul. A Associação de Futebol do Catar já tinha sido acusada de oferecer subornos a representantes da entidade máxima do futebol para ganhar votos no processo de escolha da sede. No ano seguinte à escolha, a entidade negou o pagamento de propinas. Os documentos investigados pela polícia americana, porém, mostram que as empresas de Bin Hammam depositaram 1,2 milhão de dólares nas contas de Warner em dezembro de 2010. Uma outra transferência, de mais 1 milhão de dólares, foi feita ao filho do cartola. Chamou a atenção do FBI o caminho percorrido pelo dinheiro. Inicialmente, ele seria enviado a um banco nas Ilhas Cayman, mas a instituição recusou o depósito. Segundo o Telegraph, o dinheiro então foi transferido via Nova York, o que chamou a atenção das autoridades americanas.

(Com Estadão Conteúdo)