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Caso Neymar: Justiça rejeita duas das três denúncias contra Najila

Modelo e ex-marido responderão por crime de fraude processual; Ministério Público poderá recorrer nos casos de denunciação caluniosa e extorsão

A modelo Najila Trindade, que acusou o jogador Neymar de tê-la estuprado em hotel em Paris e teve sua denúncia arquivada pela Polícia, havia sido denunciada no último dia 10 de setembro pelo Ministério Público por três crimes: extorsão, denunciação caluniosa e fraude processual. Na última sexta, 27, a Justiça decidiu rejeitar o pedido do MP nas duas primeiras acusações, mas levará adiante a acusação derradeira por entender que Najila e seu ex-marido, Estivens Alves, dificultaram as investigações tanto em relação ao caso de violência sexual como no suposto arrombamento do apartamento em que ela morava. A informação foi confirmada pelo atual advogado da modelo, Cosme Araújo.

“Vejo essa decisão como o pontapé inicial para se fazer justiça”, disse Cosme em entrevista a VEJA, por telefone, neste domingo. “Não vejo possibilidade alguma de condenação no caso de fraude processual”, completou o atual defensor da modelo. Segundo ele, Najila teria sido induzida a erro por seus antigos advogados, que a teriam dopado no momento da entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, do SBT, e orientado sua cliente a relatar para a polícia a versão de que o vídeo completo da briga entre Najila e Neymar estaria em um tablet que teria sido roubado de seu apartamento em São Paulo.

De acordo com o jornalista Ricardo Perrone, que publicou em seu blog no portal UOL trechos da decisão da juíza Fabiola Oliveira Silva, da 31ª Vara Criminal de São Paulo, que aceitou a denúncia do Ministério Público, a magistrada viu indícios de autoria e comprovada materialidade do delito de fraude processual. Se condenados, a pena da modelo e Estivens Alves pode ser de três meses a dois anos de detenção, além do pagamento de multa. Ainda para o defensor de Najila, sua cliente está sendo vítima de injustiça. “A lei do minuto seguinte só funciona contra pessoas humildes, e não para alguém que se diz o Super-Homem”, diz Cosme, comparando Neymar ao super-herói.

No suposto crime de extorsão e denunciação caluniosa, a Justiça tomou o lado da modelo. A juíza Andrea Coppola Brião, da 30ª Vara Criminal, reconheceu que não há provas suficientes para dizer que o estupro não aconteceu: “Nesse cenário, não estando definitivamente decidido que o crime contra a dignidade sexual não existiu, sendo possível a qualquer tempo a reabertura das investigações, caso surja fato novo, reputo inviável o recebimento da presente denúncia que imputa a Najila.” Sobre a acusação de extorsão, a magistrada assumiu novamente postura favorável a Najila. “Adotar as providências judiciais e, eventualmente, ajuizar processo judicial são condutas lícitas, que configuram exercício regular de direito”, argumentou a juíza Andrea.

Najila e seus representantes legais têm 10 dias para apresentar à Justiça sua defesa no caso de fraude processual – ela atualmente está hospedada em Ilhéus, na Bahia, na casa de amigos. Já o Ministério Público pode recorrer da decisão de rejeição das outras duas denúncias imputadas à modelo.