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Cartolas ingleses estão ‘apavorados’ com violência no Rio

Responsável pela segurança da seleção na Copa foi flagrado pelo jornal 'Daily Mail' enquanto relatava a preocupação dos dirigentes com os crimes na cidade

“Os problemas daqui estão em todos os jornais. Está ruim. Eu recebo ligações dos meus chefes, apavorados, perguntando: ‘Tony, você tem certeza de que é seguro?’ Eles querem saber se o time estará protegido. Estão preocupados mesmo”

O responsável pela segurança da delegação da Inglaterra na Copa do Mundo visitou o Brasil recentemente – e foi flagrado por um repórter do jornal Daily Mail enquanto relatava os temores de seus superiores na Federação Inglesa (FA, na sigla original). Em reportagem publicada neste domingo, o diário londrino afirma que Tony Conniford, ex-policial que está trabalhando nos preparativos para a chegada dos ingleses ao Brasil, revelou ao seu interlocutor (um brasileiro que não foi identificado) que os dirigentes ingleses estão “apavorados” com as notícias sobre o banditismo no Rio de Janeiro, cidade onde a equipe ficará concentrada. O jornal destaca que o hotel escolhido pela FA (o Royal Tulip) é próximo da favela da Rocinha, e que a onda de ataques às UPPs na cidade aumentou a preocupação dos ingleses com a segurança na Copa.

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“Os problemas daqui estão em todos os jornais. Está ruim. Eu recebo ligações dos meus chefes, apavorados, perguntando: ‘Tony, você tem certeza de que é seguro?’ Eles querem saber se o time estará protegido. Estão preocupados mesmo”, contou o ex-policial no diálogo ouvido pelo repórter do Daily Mail. O jornal critica a decisão da FA de colocar o time no Rio e lembra que a única outra seleção que decidiu ficar na cidade, a Holanda, escolheu um hotel mais próximo ao seu local de treinamentos. A Inglaterra vai treinar na Escola Militar da Urca, distante cerca de 15 quilômetros do Royal Tulip. “O trânsito é terrível. Será um pesadelo mesmo com escolta policial. Precisamos achar uma forma de levar o time de um ponto a outro sem que fiquemos parados no trânsito. Caso contrário, ficaremos presos no ônibus o tempo todo”, disse o chefe de segurança inglês.

Pelo que é possível concluir num dos trechos da conversa, o interlocutor de Conniford estaria ligado à organização do evento. “Vocês precisam saber que devem exigir de qualquer um a exibição de uma credencial. Eles devem checar e rechecar todo mundo”, diz o inglês ao brasileiro não-identificado ao tratar da segurança no hotel e no local de treinos. “Não podemos deixar ninguém entrar, porque uma vez dentro de lá, alguém pode ir direto para o elevador e para os quartos dos jogadores.” Deixando claro que está tão preocupado quanto seus superiores, o ex-policial reitera: “Devemos estar totalmente vigilantes. Não podemos cometer nenhum erro. A segurança deve ser uma prioridade máxima.” A FA disse apenas que confia no trabalho de seu especialista em segurança e que “Tony foi ouvido enquanto fazia o seu trabalho, apenas isso”.